FC Porto agrava a crise

FC Porto 1-1 Rio Ave (Herrera 22'; João Novais 33'

Descalabro total. O FC Porto, mesmo contra um Rio Ave sem vários titulares, não conseguiu mais que um empate e, além de já ter sido apanhado pelo Benfica na tabela, ficou a 4 pontos do Sporting. Um resultado, que a juntar ao desaire de Alvalade e à derrota na Taça da Liga, agrava ainda mais a situação de Lopetegui. Resultado que castiga mais uma 2.ª parte deprimente dos azuis e brancos, que à semelhança da última jornada não conseguiram criar uma oportunidade de golo, depois de terem desperdiçado no 1.º tempo. André André, de regresso à titularidade, esteve a um nível paupérrimo; Aboubakar continua a falhar oportunidades; em mais uma exibição coletiva muita fraca, perante um Rio Ave que nem precisou de jogar nos limites para garantir um ponto no Dragão.

Quanto ao jogo, a primeira parte foi dominada, em grande parte, pelos azuis-e-brancos, que no entanto chegaram ao descanso empatados a 1. Indi e Marcano levaram perigo na sequência de pontapés de canto à passagem do quarto de hora, pelo meio Maxi testou Cássio com um excelente pontapé de pé esquerdo dentro da grande área, e com isto o aviso estava dado. Aos 22 minutos, Herrera recebe à entrada da área, depois de um mau alívio de Kizito e dispara para o fundo das redes, com a bola ainda a desviar num adversário. O Rio Ave aproveitou para subir linhas e foi visando mais a baliza de Casillas, principalmente por intermédio dos médios Krovinović e João Novais. Sendo que num destes lances, João Novais remata do meio da rua, a bola bate em Danilo Pereira e engana Casillas. Ouviram-se aplausos do Dragão, mas estava feito o empate, no 5.º jogo consecutivo dos portistas a sofrerem golos em casa. Até final da primeira parte, nota para uma perdida de André André, que primeiro envia ao poste e na recarga vê Cássio tirar-lhe o golo em cima da linha. O segundo tempo foi mais dividido e depressa se começaram a ouvir os assobios. Logo a abrir, o Rio Ave podia ter passado para a frente do marcador, mas Krovinović atirou ao lado, depois de ter sido servido por Yazalde. Os minutos seguintes viram muito pouco futebol (algo que tem sido normal neste FC Porto) e só perto da hora de jogo voltaria a haver perigo, com Aboubakar a testar Cássio, que defendeu para canto. Krovinović saiu lesionado logo a seguir, fazendo Pedro Martins entrar Zé Paulo, um estreante. Lopetegui também mexeu, chamou Rúben Neves e tirou Danilo (mais apagado do que vinha sendo costume) e pouco depois fez entrar André Silva por Corona (André André descaiu para a direita), mas a única oportunidade até ao final do jogo viria a ser um cabeceamento de Maxi já perto dos noventa, que bateu num pé de um defesa adversário.

Destaques

FC Porto - Péssima resposta ao resultado do clássico e que, pode ter consequências para Lopetegui (apesar do próximo jogo na teoria ser um dos mais acessíveis da época). A equipa continua com os mesmos problemas de sempre: circulação lenta, poucas permutações na fase de construção, apoios demasiado longínquos do portador da bola e, a ajudar à falta de soluções colectivas, a ausência de um jogador capaz de desequilibrar no passe por terrenos mais centrais. Os dragões até começaram bem o jogo, estiveram em vantagem, mas o resultado acaba por penalizar essa inércia em criar movimentos na frente de ataque. O bom jogo de Herrera (sempre inconformado a tentar mudar a velocidade do jogo) não bastou para alterar o desfecho e a partida acabou por ser ingrata para as individualidades do Porto fruto da incapacidade do colectivo. De facto, quase todos estiveram abaixo do exigível. André André longe da versão até ao final de 2015, Danilo falhou imensos passes, Layún e Maxi abaixo do habitual (o uruguaio esteve menos mal) e Aboubakar a continuar longe dos golos. André Silva ainda entrou (tal como em Alvalade), mas esteve sempre longe da baliza e incapaz de ser uma ajuda ao seu parceiro.

Rio Ave - O conjunto de Pedro Martins soube aproveitar o mau momento anímico dos dragões, montando uma equipa maioritariamente organizada em bloco baixo (o esperado dentro daquilo que são as armas da equipa) que foi saindo com qualidade nas transições. Elementos como Ukra e Yazalde (duas setas apontas à baliza de Casillas, particularmente o avançado que foi exímio a segurar a bola e esperar pelos apoios) conseguiram incomodar a última linha do Porto e, mais importante, dar oxigénio a um conjunto que estava forçado aos últimos 30 metros. Mais atrás, Marcelo esteve intransponível nos duelos individuais, segurando em muitas das vezes Aboubakar (o camaronês procurava descair para o lado de Roderick), Krovinović apareceu várias vezes com perigo na frente (podia ter feito mais em algumas ocasiões) e João Novais (ex-FC Porto) foi mais um tampão no duro bloco dos Vilacondenses. Em suma, um resultado e exibição surpreendentes, ainda mais num conjunto debilitado e com várias ausências no 11 base (Nélson Monte, Tarantini, Bressan e Héldon não jogaram; Lionn entrou no segundo tempo).

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