Desilusões de 2015

Antes de mais, 2015 foi um ano riquíssimo a nível desportivo. Creio que estamos na presença do melhor ano desportivo não-olímpico da história recente. Ainda assim houve algumas desilusões, porque não corresponderam às espectativas, ou apenas porque tiveram rivais em melhor nível. Assim, sem qualquer ordem preferencial, estas são as 10 maiores desilusões de 2015:

Mayweather x Pacquiao e Aldo x McGregor - Se no primeiro o adjetivo que mais se aplica é aborrecido, no segundo existe a concordância geral que foi tudo menos isso, dado que nem para tal houve tempo. Ambas as lutas eram vistas como cabeças de cartaz na sua respetiva modalidade, e dado o build up que se gerou, tanto uma como outra ficaram imensamente aquém das espectativas;

Cleveland Cavaliers - Se por um lado se pode argumentar que os Cavs tiveram uma grande época chegando à final da NBA onde perderam para os agora quase perfeitos Golden State Warriors, a realidade é que a equipa falhou no objetivo principal a que se propôs: o anel. Muito condicionada pelas lesões que afastaram Kyrie Irving e Kevin Love das decisões, a derrota por 4-2 na final da NBA destruiu pelo menos no imediato o sonho de LeBron James de ganhar um anel com a equipa da cidade que o viu crescer.

Renaud Lavillenie - O espetacular varista francês, provavelmente o mais legítimo herdeiro do lendário Sergey Bubka, chegava a Pequim como o mais sério candidato ao ouro, embalado pelo record mundial em pista coberta alcançado no ano anterior e a vitória nos Europeus de 2014 e nos Europeus de Pista Coberta de 2015 e a liderança do ranking mundial destacada, mas 3 ensaios falhados a 5.90m e com apenas um ensaio tentado e concretizado a 5.80m atiraram o francês para um inesperado 3º ex aequo com 2 atletas Polacos;

Selecção Norte-Americana de Atletismo - Se por um lado as 18 medalhas, 6 das quais de ouro não parecem uma desilusão assim tão grande, quando comparadas com os 8 ouros e 16 medalhas do Quénia e as 12 medalhas, 7 das quais do metal mais precioso põe em cheque aquela que era há largos anos a esta parte a grande nação dominadora do panorama do atletismo;

Vicenzo Nibali - O Tubarão, juntamente com Froome, Contador e Quintana apontado como um dos grandes candidatos ao Tour do ano que passou, esteve longe de estar brilhante, e nem a vitória na última prova World Tour (e a única que venceu), o Giro da Lombardia branqueia o seu mau desempenho na Grand Boucle, com uma vitória em etapa e um quarto lugar final, mas principalmente a vergonhosa desqualificação na Vuelta.

Real Madrid - O clube mais rico do mundo, mais mediático, com um dos melhores jogadores do planeta, com um plantel milionário não pode, de forma alguma, acabar o ano civil sem troféus. Os Merengues não lidaram bem com a passagem de Ano e no verão o despedimento de Carlo Ancelotti está a proporcionar a pior época nos últimos 8 anos sob o domínio de Benitez, com um registo de vitórias de apenas 65% e menos 34 golos que no ano civil anterior.

Michael Phelps - O super campeão de Baltimore regressou à modalidade em pleno e até cumpriu o seu papel nos trails norte americanos qualificando-se para os mundiais da modalidade em 2015, mas um DUI (ou seja uma contraordenação por conduzir sob o efeito de álcool) atirou-o para uma suspensão de 6 meses imposta pela sua própria federação nacional que lhe retirou a hipótese de um real regresso à alta roda das piscinas.

McLaren Honda - A escuderia de Ron Dennis sediada em Woking, Inglaterra, uma das mais famosas e tituladas do padock da Fórmula 1 regressou a uma parceria com o gigante Japonês dos motores que tantas alegrias lhes havia trazido no passado, mas o ano de 2015 foi tudo menos uma temporada satisfatória. O 9º e penúltimo lugar e no campeonato de equipas (27 pontos contra os...703 da Mercedes) e um 5º lugar no GP da Hungria como melhor classificação da época é demasiado escasso para uma escuderia que tem 8 títulos mundiais de equipas e 12 individuais Fernando Alonso e Jenson Button, bicampeão e uma vez campeão mundial, respetivamente, nas suas fileiras.

Valentino Rossi - Se por um lado parece ingrato referir como uma desilusão um piloto que acaba o campeonato do mundo com 4 vitórias e a escassos 5 do título, a realidade é que o facto de ter aquele que seria o seu 7º título praticamente nas suas mãos a poucas provas do final e deixa-lo escapar, picardias à parte, torna uma época de sonho para Il dottore, num final de época que marcará negativamente a sua longuíssima e titulada carreira.

Selecção Inglesa de Rugby - A equipa da Rosa não chegava ao mundial que os próprios organizavam como uma das grandes favoritas, ainda assim, era inesperada a queda na fase de grupos ainda por cima com uma sempre difícil de digerir derrota perante os eternos rivais Galeses em pleno Twickenham lotado. A pool não era fácil com os finalistas Austrália, a sempre forte selecção Galesa e ainda as difíceis Ilhas Fiji a fazerem frente aos comandados de Stuart Lancaster, mas a eliminação nos grupos será algo sempre difícil de digerir naquele que foi um memorável evento desportivo em terras de Sua Majestade.

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