FC Porto mais longe dos rivais; "Frango" de Casillas contribuiu para 1.º deslize de Barros; André André esteve desaparecido; Dragões criaram pouco mas ainda deu para Aboubakar voltar a desperdiçar; Conceição somou apenas a 2.ª vitória em casa

Vitória 1-0 FC Porto (Bouba Saré 4')

Não há maneira de o FC Porto sair da crise. Os azuis e brancos, que ainda há umas jornadas lideravam a Liga, foram derrotados em Guimarães e já estão a 3 pontos do Benfica e a 5 do Sporting. Um 'frango' de Casillas, que esteve péssimo na 1.ª parte, com várias falhas nas saídas aos cruzamentos, contribuiu para mais uma exibição cinzenta, em que a inércia a nível ofensivo voltou a ser evidente. Aboubakar, que por duas vezes pensou que era guarda-redes, e acabou expulso nos descontos, mesmo assim ainda desperdiçou uma das poucas oportunidades dos portistas, num jogo em que à excepção de Brahimi tanto em termos individuais como colectivos, poucos foram os destaques positivos na 1.ª derrota de Rui Barros como treinador principal. Mérito do conjunto de Sérgio Conceição (apenas a 2.ª vitória em casa em 9 jogos), que soube ter sempre o jogo adormecido, e teve unidades como Dourado e Cafú em bom plano.

O encontro começou com uma jogada de perigo para o Vitória, com Boyd (um estreante) a chegar atrasado a um cruzamento da direita. No entanto, estava dado o mote e os homens da casa viriam mesmo a chegar à vantagem. Remate de Cafu, que bateu num colega, e com Casillas, aparentemente com o lance controlado, a largar a bola para a frente e Bouba Saré a não perdoar. Os dragões, com o 'frango' do espanhol, começaram a denotar alguma intranquilidade e os vimaranenses estiveram novamente perto do golo, em mais um lance confuso na área portista, com Iker a ficar mais uma vez mal na fotografia ao sair-se mal a um cruzamento. A primeira resposta azul e branca surgiu no minuto 16 e logo em dose dupla. Primeiro foi Corona a rematar para defesa com os pés de Miguel Silva, tendo André André rematado para nova defesa com a ponta dos dedos do jovem guardião da casa, na sequência do lance. Os dragões estabilizaram o seu jogo, com os seus médios a começarem a dominar territorialmente, mas mostravam dificuldades em criar lances de perigo (faltava velocidade e dinâmica). À excepção de um canto em que Danilo pôs novamente à prova Miguel Silva, a turma da casa conseguiu controlar os acontecimentos até ao intervalo. O segundo tempo começou com a mesma toada, com o Porto com mais bola e o Vitória compacto atrás, tentando lançar contra-ataques. Aboubakar ainda desperdiçou uma boa oportunidade, mas os visitantes iam demonstrando dificuldades em criar ocasiões de golo. Rui Barros lançou Varela, com o português a testar Miguel Silva numa das primeiras intervenções. Pouco depois, Brahimi rematou ao lado após um cruzamento atrasado de Maxi e, já com o jovem André Silva em campo, Indi dispôs de uma boa chance num lance confuso na área. Quando se esperava um pressing final por parte dos dragões, aconteceu o contrário, com o Vitória a conseguir manter o resultado, segurando-o inclusive bem longe da sua baliza. Já perto do apito final, destaque para a expulsão de Aboubakar, por duplo amarelo.

Destaques:

Vitória de Guimarães - Triunfo muito importante para os Conquistadores, que apesar da temporada atribulada estão apenas a 3 pontos do quinto lugar. O conjunto de Sérgio Conceição beneficiou de um golo muito cedo no jogo, e conseguiu gerir bem a vantagem no primeiro tempo, faltando algum critério em situações de transição para criar mais perigo. Na segunda parte, a equipa defendeu mais atrás, foi perdendo a capacidade de esticar o jogo mas com maior ou menor dificuldade conseguiu manter a sua baliza inviolada e vencer o desafio. Individualmente, João Silva, apesar do estilo pouco seguro (raras vezes agarra a bola), foi resolvendo as situações que lhe apareceram pela frente, com algumas defesas importantes, ao passo que Dalbert foi o elo mais fraco da defesa Vimaranense (permeável nos duelos). No meio-campo, Bouba Saré tem mérito de ter estado atento para aproveitar a falha de Casillas no golo e Cafu, com a sua força, foi importante para controlar o meio-campo. Na frente, Henrique Dourado fartou-se de se desgastar, tentando segurar bolas e lutar com os centrais para permitir que a equipa respirasse.

FC Porto - Novo tropeção dos Dragões na Liga, e logo numa jornada em que o líder tinha empatado em casa, deixando a equipa com margem de erro zero (se é que não a tinha já)  para as próximas jornadas. Depois de um má entrada no jogo, os Azuis e Brancos voltaram a mostrar um futebol pobre, baseada na expectativa que as individualidades resolvam, com muitos passes falhados e dificuldades de penetrar na barreira defensiva do adversário (na primeira parte por poucas vezes João Silva foi testado, e mesmo na segunda nunca se viu uma avalanche). No plano individual, Casillas fica indubitavelmente ligado à história do jogo, com um frango pouco admissível para um jogador da sua estirpe, ao passo que os laterais Maxi (pouca profundidade) e Layún (más execuções quando chegou ao último terço) também não fizeram um jogo feliz. André André falhou demasiados passes, enquanto Brahimi foi, de longe, o melhor da equipa, assumindo o jogo, desequilibrando em condução mas sem apoio.  Aboubakar voltou a estar perdulário e foi estupidamente expulso, ao passo que André Silva voltou a ser lançado num contexto adverso e mal se notou.

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