Bomba de Sanches fez a diferença

Vit. Guimarães 0-1 Benfica (Sanches 75')

Não foi fácil mas o Benfica cumpriu em Guimarães e vai sair desta jornada mais próximo do Sporting ou FC Porto, ou até dos dois rivais, caso se verifique um empate no Clássico. Num jogo intenso, equilibrado, mas nem sempre bem jogado, valeu às águias novamente Renato Sanches, que com uma bomba desbloqueou um duelo que nunca teve uma equipa com uma clara superioridade apesar do maior ascendente das águias. O médio, que foi sempre dos mais esclarecidos (o conjunto de RV abusou dos maus passes e más decisões), resolveu já na 2.ª parte, na sequência de um canto, numa partida que marcou o regresso de Gaitán à competição e em que Rui Vitória lançou Jiménez (demasiado trapalhão nas suas acções) ao lado de Jonas (que não esteve propriamente feliz na finalização). Do lado dos vimaranenses, os jovens Xande Silva, Cafú e Otávio estiveram em destaque, mas faltou qualidade na frente para aproveitar os desequilíbrios na defensiva encarnada. Licá desperdiçou as duas melhores oportunidades. 

Quanto à partida, que marcou o regresso de Rui Vitória à cidade Berço, foi bastante intensa e disputada, mas nem sempre bem jogada e com escassas ocasiões de golo. O Benfica teve mais bola, embora sem conseguir impor uma circulação suficientemente rápida para provocar desorganização na defensiva do Vitória. Renato Sanches testou Miguel Silva num remate de fora da área (a relva dificultou a acção do jovem guarda-redes vimaranense), mas numa fase onde havia mais faltas do que remates à baliza. Os homens da casa tentavam explorar as situações de ataque rápido e numa delas dispuseram da sua melhor oportunidade no primeiro tempo, com Licá (após brilhante passe de Xande Silva), já dentro da área (e já depois de ter sentado Eliseu), a não optar pela melhor decisão e a permitir a recuperação da defesa encarnada. Com o aproximar do intervalo, o Vitória acusou um pouco a alta intensidade e o Benfica aproveitou para chegar perto da área contrária. Mesmo a acabar, num excelente lance de Renato Sanches na esquerda, Jonas dispôs da melhor oportunidade até ao momento, mas Miguel Silva opôs-se bem ao remate (em excelente posição) do avançado brasileiro. Chegava-se ao intervalo com um nulo no marcador, resultado que acabava por ser normal. O 2.º tempo começou com a mesma toada, com muitas quezílias e com o Vitória a estar mais confortável. Aos 52 minutos, grande oportunidade para os vimaranenses. Excelente jogada de Otávio, que serviu Licá, com este a rematar por cima quando se encontrava no coração da área. O jogo estava algo confuso, com o Benfica a ter dificuldades para circular a bola. No entanto, a partir do minuto 65 começou a estar melhor no encontro, altura em que dispôs de uma excelente ocasião de golo. Combinação de Pizzi com Jonas, com o português a desperdiçar na cara de Miguel Silva. Mesmo sem ser dominantes, os encarnados impunham-se no meio campo adversário e ao minuto 75 chegou o momento da noite. Após lance bola parada, Renato Sanches vê um remate seu bloqueado, mas no entanto ganha a bola na insistência e dispara um míssil para o fundo das redes (o guardião da casa ainda tocou). O golo trouxe tranquilidade aos pupilos de Rui Vitória, que começaram a ter mais espaço (podiam ter ampliado o marcador num lance de Pizzi) e conseguiram também anular as investidas do Vitória até final.

Vitória - Abordagem dentro do esperado da equipa de Sérgio Conceição, imprimindo agressividade em todas as zonas do campo, em especial na primeira fase de construção do Benfica que acabou por impedir, durante quase toda a partida, que os encarnados construíssem com qualidade. Com mais acerto na 1.ª do que na 2.ª parte, a equipa vimaranense foi chegando com perigo à área de Júlio César, mas faltou sempre clarividência na definição dos lances. Alexandre Silva, Licá e Otávio estiveram irrequietos e dinâmicos na pressão, mas no momento chave dos lances tomaram quase sempre a pior decisão. O jogador mais na equipa da casa foi Cafú, hoje numa versão diferente da habitual, lançando-se constantemente para o ataque, a aparecer nos corredores e perto da área. Mais atrás, os laterais Bruno Gaspar e Luís Rocha pouco colaboraram no processo ofensivo, limitando-se a fechar espaços a Gaitán Pizzi, enquanto que Miguel Silva (jovem que vem numa fase de afirmação na equipa principal) teve uma exibição em montanha russa: Várias intervenções de bom nível, a salvar o golo em situações de aperto, a contrastar com alguma insegurança em cruzamentos e remates frontais (são muitas as vezes em que deixa o esférico jogável depois de uma primeira defesa).

Benfica - Mais uma vitória conseguida pela margem mínima mas que, pelo seu contexto, acaba por ser veículo de aproximação a um (ou 2, em função do resultado do clássico) dos rivais. O jogo voltou a mostrar dificuldades dos encarnados na construção e no futebol apoiado, com grande parte da partida a ser jogada com base no futebol directo, expondo os centrais a demasiados pontapés na frente e os médios com poucos apoios próximos. Ainda assim, o jogo viria a se resolvido com (mais uma) bomba de Renato, escamoteando uma exibição pouco convincente. O grande destaque vai para o jovem de 18 anos, não só pelo golo, mas também pelo enorme número de recuperações de bola e qualidade de passe (embora falhe alguns, sobretudo os verticais e de maior risco). Para além do homem do golo, Carcela ajudou a mexer no jogo (substituiu o fustigado Gaitán), Pizzi (a contratação mais cara de sempre do Benfica) esteve em bom plano (à direita ou à esquerda foi dos que criou mais desequilíbrios, tendo desperdiçado um deles na cara de Miguel Silva) e, sobretudo, Júlio César que, de forma discreta, soma quase sempre intervenções decisivas para o resultado final e mostra grande segurança quando chamado a jogar com os pés.

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