Benfica já só está a 2 pontos; Reviravolta confirma melhor fase da época; Estoril marcou na única oportunidade que teve mas não conseguiu travar o caudal ofensivo dos encarnados; Mitroglou entrou e fez a diferença; Pizzi e Jonas também estiveram em destaque

Estoril 1-2 Benfica (Leo Bonatini 11'; Mitroglou 52' e Pizzi 68')

São já 10 vitórias nos últimos 11 jogos e agora apenas uma diferença de 2 pontos para o 1.º lugar. O Benfica, com uma exibição convincente (à semelhança do que tinha feito contra o Nacional), aproveitou o deslize do Sporting para se aproximar da liderança. Os encarnados até estiveram a perder (o Estoril marcou praticamente no único ataque que fez), mas com uma 2.ª parte de grande nível deram a volta ao marcador e não fosse algum desperdício até podiam ter construído um resultado mais expressivo. Mitroglou, que ao intervalo substituiu o apagado Jiménez, revolucionou o jogo ao marcar o golo do empate mas principalmente pela maneira como, com a sua presença, desequilibrou a defesa estorilista; Pizzi também fez a diferença ao consumar a reviravolta, Jonas envolveu-se muito no jogo, fez a assistência para o 2-1, mas pecou na finalização; Já o conjunto de Fabiano Soares demonstrou que está a anos luz da fase inicial da época, com um futebol pobre, sem ideias e praticamente à base do "chutão".

No que diz respeito ao jogo, o Benfica entrou forte, com Pizzi a dar o primeiro aviso. No entanto a primeira grande oportunidade surgiu por Jonas, que acertou no poste, tendo Carcela na recarga rematado à malha lateral. Pouco depois, nova ocasião, mas Kieszek opôs-se bem a um remate de André Almeida. No entanto, quem viria a marcar seria o Estoril. Cruzamento da direita, com o inevitável Léo Bonatini a antecipar-se a Lisandro (que estava apenas com os olhos na bola) e a abrir o activo. Logo de seguida, os encarnados podiam ter chegado ao empate, mas Raúl Jiménez, depois de um erro grave da defesa canarinha, não conseguiu desfeitear o guardião da casa. Em vantagem, o Estoril baixou as linhas e ia tentando explorar as situações de contra-ataque, com os jogadores encarnados a denotarem algumas dificuldades na transição defensiva e a terem também alguns lapsos de concentração. E à excepção de um cabeceamento de Jonas a rasar o poste, não conseguiram criar lances de relevo até ao intervalo. No segundo tempo os encarnados voltaram a entrar com tudo e Mitroglou (que rendeu Raúl Jiménez) foi o primeiro a criar perigo. A pressão era muita nesta altura e o empate viria mesmo a acontecer. Cruzamento de André Almeida, com Mitroglou a rematar contra um defesa estorilista e a bola a entrar. Depois de uma fase em que a turma da casa conseguiu respirar melhor e ter um pouco mais bola, o Benfica voltou à carga e quase chegou ao 2.º num lance incrível, onde Kieszek segurou a bola em cima da linha de golo (não é possível aferir se a bola entrou na totalidade ou não), após jogada confusa na sua área. No entanto, os forasteiros viriam mesmo a consumar a reviravolta, após uma bela jogada de entendimento, com Jonas a servir Pizzi, que rematou forte e cruzado para o fundo das redes. Pouco depois, excelente oportunidade para Jonas ampliar a vantagem, mas novamente o guarda-redes do Estoril a opor-se com categoria. Até ao último minuto o Benfica conseguiu controlar o encontro (pelo meio Jardel podia ter conseguido o terceiro após um canto), com a equipa da casa não conseguir lançar os seus ataques, com mérito também para os pupilos de Rui Vitória, que conseguiram fazer uma pressão intensa e de qualidade (nesta matéria Fejsa esteve intratável). Já no último suspiro, o Estoril esteve perto do empate, mas Júlio César fez uma bela defesa a cabeceamento de Mano e segurou os três pontos, que no cômputo geral encaixam bem dado que o seu passou durante a partida.

Estoril - Exibição inofensiva dos Canarinhos com poucos momentos de qualidade ao longo da partida, resignando-se sempre ao seu meio-campo, salvo o período que sucedeu ao golo de Bonatini na primeira parte. Sendo certo que o desgaste devido ao jogo para a Taça com o Rio Ave fez estragos, a verdade é que foi tudo muito pobre. A equipa de Fabiano Soares raramente incomodou a baliza de Júlio César e as unidades menos em foco foram naturalmente as da frente. Gerso foi o mais inconformado no ataque, procurando lutar contra a apatia dos seus companheiros (Mendy esteve péssimo, Mattheus pouco se viu), tendo colocado várias vezes a sua velocidade em cima dos laterais do Benfica. Mais destaque tiveram os médios do Estoril, não fosse o jogo passar maioritariamente por eles, quer nos momentos em que não tinham bola, quer nas poucas vezes em que era necessário construir, sendo que os ex-Sporting Taira e Amado mostraram um à vontade que faltou aos seus colegas. Mais atrás, Diego Carlos teve uma exibição inconstante (algumas falhas, uma delas ia oferecendo o golo a Jiménez), os laterais pouco contribuíram ofensivamente e fartaram-se de sofrer com Carcela, enquanto que Kieszek esteve isento de culpas nos golos dos encarnados, tendo ainda uma saída caricata que quase deu golo.

Benfica - Melhor momento da época. A equipa vem a subir de forma desde a derrota frente ao Sporting e leva 10 vitórias nos últimos 11 jogos, resultados que lhe permitem uma aproximação ao topo da tabela. O jogo de hoje foi a prova desta melhoria exibicional, com uma entrada acutilante na partida, criando várias oportunidades (Jonas e Carcela em destaque) e, acima de tudo, com uma qualidade na circulação que os rivais não conseguem ter (individualmente há muita capacidade, mesmo sem Salvio e Gaitán). Apesar de ter sido apanhado em desvantagem, o conjunto de Rui Vitória reagiu (não tanto até final da 1.ª parte) com a entrada de Mitroglou que veio dar mais presença na área (Jiménez foi um desastre), libertando Jonas para o jogo entre linhas, o que acabou por fazer a diferença. Quem continua em estado de graça é Pizzi (provavelmente o melhor jogador da equipa desde a saída de Gaitán da equipa), que hoje somou um golo aos desequilíbrios que têm sido habituais por terrenos mais interiores. Carcela, numa versão menos ousada, também foi importante pela esquerda, conseguindo imensos cruzamentos não correspondidos por Jonas, hoje perdulário. Mais atrás, Renato foi inconstante (tem baixado de forma depois da entrada na equipa), Fejsa continua a sentar Samaris e a dar à equipa o equilíbrio que Rui Vitória deseja, enquanto que André Almeida (hoje só atacou) voltou a estar melhor que Eliseu.

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