NFL - A Hora das Finais

E agora? Quais os prognósticos para as finais e quais serão as duas equipas que medirão forças no Superbowl?

Falta apenas um jogo em cada conferência para se saber quem disputará o SuperBowl 2016 na Califórnia. Acabaram-se os testes, não se escutam os rumores, a concentração está nos 200% e o foco é apenas um, a vitória, porque só vencendo se consegue o anel desejado.

Conforme vaticinamos na passada semana e ao invés do ocorrido no fim de semana dos wild cards, as equipas que jogavam em casa ditaram a sua lei e venceram os seus jogos com maior ou menor dificuldade. Sem surpresas, as 4 melhores equipas da fase regular marcam presença nas finais de conferência e já se aposta no vencedor final.

Eis o que aconteceu neste fim de semana na NFL:
New England Patriots 27-20 Kansas City Chiefs
Os Chiefs de Andy Reid deslocavam-se ao Gilette Stadium depois de 11 vitórias seguidas, e num momento de forma que impunha respeito a qualquer equipa. Os Patriots por sua vez, vinham de uma sequência negativa, e de semana sim semana sim, verem-se privados de jogadores por lesão, principalmente na sua linha ofensiva. Mas nos playoffs não há poupanças, porque só há uma hipótese para conquistar a glória, e Bill Bellichik lançou toda a gente. Como iriam os Patriots driblar a potente defensiva dos Chiefs? Fácil. Ignore-se o playbook, e leve-se um jogo de cada vez. E o que aconteceu foi quem quem acabou por ficar a fazer perguntas foi Andy Reid, a defesa dos Chiefs e os três adversários que restam.
A pergunta: Como parar um ataque que se adapta aos jogadores que tem para cada jogo, que muda a estratégia a cada jogo, e que tem um dos melhores QB´s que o jogo já viu?
A resposta: Em dia sim, não se para!
Aparentemente a estratégia era simples. Brady fazia de playmaker, qual Ozil o rei das assistências, Edelman regressado com dores, era o alvo principal e tinha como missão ganhar jardas, e Gronkowski o panzer Tight End finalizava dentro da área. Parecia fácil… Os primeiros 7 pontos nascem assim, como se fosse simples, Brady para Edelman, Brady para Gronk. O melhor que os Chiefs conseguiram foram 3 pontos num FG do brasileiro Cairo Santos. No segundo quarto, a defesa dos Chiefs tentou aumentar a pressão, mas Brady arranjava sempre uma linha de passe, mesmo quando era atingido fora das regras. E quando não arranjava, lá ia ele sozinho… Da primeira vez ficou a milímetros de um rushing TD, da segunda vez foi ele próprio atravessar a bola pela goal line. Final dos primeiros 30m e 14-6 para os Patriots. Os Chiefs tinham que tentar tudo na segunda parte, mas isso é deixar Alex Smith um gestor de jogos, desconfortável. Quando os Chiefs conseguiam, lá aparecia Dont’a Hightower, Chandler Jones, Gavin McCourty ou Malcolm Butler a parar tudo e mais alguma coisa. Ofensivamente, os Patriots mantiveram a receita. Brady para Edelman, ganhar jardas…e TD de Gronkowski. O 2º TD do melhor TE da Liga, surge depois de um drible de corpo digno das fintas de Lionel Messi. Gronkowski partiu literalmente os rins a Eric Berry (que não é um defesa qualquer) e depois foi só finalizar porque para ali, a bola já vai com olhos. Com 21-6 no marcador, os Chiefs tinham que jogar no risco máximo. E assim fizeram. Alex Smith deixou a sua zona de conforto e começou a lançar bolas, Jason Avant era o target principal, e numa das drives, lança um belo passe para a endzone para Albert Wilson reduzir. No último quarto, os Patriots entraram em modo gestão, Stephen Gostkowski foi somando pontos em FG, e Charcandrick West ainda reduziu para os Chiefs, mas o resultado estava feito. Boa época para os Chiefs numa equipa que tende a melhorar mais ainda, e 5ª final consecutiva da AFC para os Patriots com caminho aberto para a renovação do título. Alguém aposta contra?

Arizona Cardinals 26-20 Green Bay Packers
Se o confronto entre os Panthers e os Seahawks do dia seguinte era o jogo aguardado com mais expectativa, quem não viu este Cardinals vs Packers não sabe o que perdeu! Que jogo fantástico, com todos os ingredientes do que deve ser um jogo dos playoffs na NFL! A jogar em casa, os Cardinals partiam com ligeiro favoritismo sobre uns Packers que esta temporada já mostraram que são capazes do melhor e do pior. E para parar esta fortíssima equipa de Arizona, os cabeças de queijo tinham que vir na sua melhor versão…e vieram. A agressividade ofensiva e um leque de soluções para todos os gostos, levou os Cardinals a assumirem a vantagem desde cedo. Carson Palmer meteu a bola na gaveta, lá bem no fundo da endzone, e Michael Floyd voou para o primeiro TD do jogo. Na resposta Aaron Rodgers levantou o véu do que estava para vir e lançou um daqueles deep passes que só ele consegue fazer na perfeição e Randall Cobb numa recepção fantástica pertíssimo da endzone dava corpo a uma fantástica jogada. Azar para os Packers, nem a jogada contou (as bandeiras amarelas voaram no início) nem Randall Cobb voltou a jogo, lesionado nesse lance. O principal target dos Packers estava de fora e os Cardinals estavam na frente do marcador. Não indiciava nada de bom… No segundo quarto, Rodgers tentou novamente um passe longo desta feita para James Jones, mas Patrick Peterson o CB dos Cardinals chegou primeiro, correu todo o campo com direito a aceno e tudo para os adversários, marcou o TD respectivo, comemorou mas… a jogada não valeu devido a um facemask em Bryan Bulaga. Sorte agora para os Packers. Até ao final da primeira parte os Cardinals não marcaram e o melhor que os Packers conseguiram foram 2 FG de Mason Crosby. 7-6 ao intervalo e muita mas mesmo muita emoção a seguir… E a segunda parte até começou com uma série de más decisões quer de Palmer quer de Rodgers, que valeram intercepções por parte das defesas contrárias. E já que pelo ar a coisa estava complicada, estava na altura dos Packers tirarem o seu running game da cartola e mandarem entrar a besta Eddie Lacy. Num desse lances, Lacy correu, correu e correu e só o pararam mesmo à entrada da endzone. Rodgers no down seguinte, encarregou-se de distribuir o primeiro TD para os Packers na partida, por intermédio de Jeff Janis… quem mesmo? (voltaremos já a seguir…) E eis que contra todas as expectativas os Packers passavam para a frente. Melhor ainda…pareciam ter o jogo na mão tal era a dinâmica da equipa face a uns Cardinals que pareciam aturdidos. 13-10 para os Packers no final do 3º período. No 4º, começou a diversão! Os Cardinals entraram a todo o vapor, mas Carson Palmer estava em dia não. Apesar das estatísticas até apontarem para um bom jogo por parte do QB de Arizona, o que é certo é que o veterano somou erros atrás de erros que na final não os poderá repetir. Contudo, os Cardinals dispõe de um roster de muita qualidade e quem resolveu dizer presente foi outro veterano a fazer uma época de sonho. Larry Fitzgerald deu um autêntico clinic de receving e a defesa dos Packers nunca encontrou solução para o nº11. E quando nada dá certo, é preciso ter um pouco de ajuda da sorte… Palmer continuava a lançar mal, mas num desses lançamentos a bola desvia na mão de Sam Shiels que a tentava interceptar, sobrevoa toda a gente e vai parar à endzone direitinha às mãos de Michael Floyd que marcava sem querer o seu 2º TD do jogo. Com este golpe de sorte, os Cardinals voltavam para a frente. Na drive seguinte, o árbitro entrou em acção ao não validar um contacto ilegal num ataque dos Packers. A pouco mais de dois minutos para o fim, os Cardinals a vencer tinham a posse. E quando o QB está em baixo de forma, e o relógio está prestes a não parar o que se faz? Run game certo? Errado. Bruce Arians quis matar o jogo pelo ar e deu-se mal. Bola de novo para os Packers e 1m para jogar. Ok. A um minuto do fim quando do outro lado está o milagreiro Aaron Rodgers, não dá para facilitar na marcação, porque se facilitarem como aconteceu com os Cards, Rodgers mete a bola em qualquer lado com a mesma precisão de um relógio suíço. E quem a recebeu? Jeff Janis… (quem mesmo?) Na continuação, e a apenas 5 segundos do fim, Rodgers lança um daqueles Hail Mary´s para a posteridade, e mais uma vez chegado do nada e no meio de dois defensores, Jeff Janis vai busca-la e empata a partida! Jeff Janis, escolhido no draft há dois anos, e que só tinha 2 recepções até à data já que era a 6ª escolha para receiver marcou 2 TD´s no jogo e o seu nome saiu do anonimato. Jogo empatado a 20 e para prolongamento. Depois de uma rábula quase inacreditável na moeda ao ar (da primeira vez a moeda não rodou…) a sorte calhou novamente aos Cardinals que ficaram a atacar. E o que acontece? Carson Palmer mantém a calma no pocket e descobre Larry Fitzgerald que desata a correr por ali fora passando por toda a gente. Não marcaria nesse lance, mas depois dessa jogada o destino do jogo estava traçado. Palmer para Fitz e o veterano WR dá a estocada final no jogo, levando os Cardinals à final e ficando para a posteridade como o MVP (mais do que merecido). Grande WR, grande atleta e ainda por cima daqueles gajos porreiros de quem é impossível não gostar. Os Cardinals tiveram um duríssimo teste mas se aprenderam com os erros (e foram muitos) são uns sérios candidatos, enquanto o mítico QB dos verdes fica de fora mais uma vez a aguardar que na próxima época, os Packers não sejam novamente minados por lesões em toda a gente (parecem o Arsenal…) e que possam ser como sempre candidatos ao próximo SuperBowl.

Carolina Panthers 31-24 Seattle Seahawks
O jogo da jornada não defraudou e serviu também para tirar conclusões. O duelo da nova geração de QB´s também não deixou ninguém indiferente, e também se tiraram algumas conclusões. Avancemos já para o final da primeira parte. Só assim se consegue explicar o que aconteceu neste jogo. Ao intervalo o score marcava 31-0 para os Panthers!!! Ao fim de 3 jogadas já Jonathan Stewart o RB dos Panthers regressado em grande, tinha furado a defesa dos Seahawks enquanto Marshawn Lynch (de quem se diz num dos rumores de final de época, poderá ser enviado para…New England) também ele regressado observava e não conseguia jogar tal era a pressão da defesa dos Panthers. Num desses lances Russell Wilson, também ele perdido no meio da pressão sufocante, entregava a bola ao super intenso LB Luke Kuechly para este aumentar o score. Os Seahawks discutiam e os Panthers massacravam. Até ao final da primeira parte, Jonathan Stewart voltou a marcar, e Cam Newton teve o seu momento num lançamento espetacular para Greg Olsen que marcou estilo defesa de guarda-redes. O jogo acabou aos 30 minutos com muito Dab Dance de Cam certo? Certo…só quanto à dança, porque a segunda parte foi um outro jogo. Russell Wilson voltou ao campo pensando que pior do que estava não podia ficar, por isso mais valia arriscar tudo. E assim foi. Jermaine Kearse por 2 vezes, Tyler Lockett por outra e Doug Baldwin o receiver de serviço para ganhar jardas, iam semeando o pânico nos Panthers que deram o jogo por terminado ao intervalo, demasiado cedo. E quando na última drive por parte de Seattle, a um TD de colocar o jogo em modo de suspensão, Wilson não consegue encontrar Kearse, Cam Newton e companhia respiravam de alívio. Mesmo no onside kick que se seguiu ganho pela defensiva dos Panthers e que daria o jogo por terminado, ficou aquela sensação que se o jogo durasse mais 3 minutos, que o resultado teria sido diferente. Os Seahawks caíram de pé apesar das más movimentações no roster na pré temporada e que lhes custou a sua segurança defensiva, das muitas lesões, do desaparecimento do Beast Mode e do seu substituto lesionado, mas encontraram novas armas (Baldwin e Lockett estão nos melhores do ano) e Russell Wilson confirmou todo o potencial de grande QB e agora de grande líder. Do outro lado este jogo, apesar da vitória e da certeza que os Panthers a jogarem como jogaram na primeira metade ganham a qualquer equipa, este jogo deixou uma série de incertezas e de cisões no grupo que poderão ser fatais a jogar contra uma equipa experiente e matreira como são os Cardinals. Cam Newton acabou o jogo a criticar a equipa, os colegas e o treinador (traduzindo à letra para português, apelidou-os de borrados) e a endeusar-se a ele próprio e todos sabemos que isto não costuma acabar bem, numa equipa onde a força do colectivo é que fez a diferença durante toda a época.

Denver Broncos 23-16 Pittsburgh Steelers
O último jogo do dia foi também o menos emocionante. Não é para menos, enquanto de um lado estavam os frenéticos e ofensivos Steelers mas sem Antonio Brown e De Angelo Williams e com Roethlisberger altamente condicionado, do outro estavam os pouco espetaculares mas eficazes Broncos, cuja defesa (a melhor da NFL) permite que um QB como Peyton Manning continue a jogar (abaixo da média) e que a sua linha ofensiva seja fraquita. E quando um jogo como estes acaba e os principais pontuadores foram ambos os kickers que somando os pontos distribuíram entre si 25 (3 em 3 para Boswell e 5 em 5 para Mc Manus) penso que esteja tudo dito. O jogo até começou bem. Logo na primeira jogada Roethlisberger disse ao que vinha e lançou um míssil a ver se apanhava Martavis Bryant. Falhou por pouco, mas o sinal estava dado. Os Steelers seriam iguais a si próprios e iriam carregar com tudo. Mas quando se tem na defesa personagens como Von Miller, Aqib Talib (que jogão que fez), Danny Trevathan ou Chris Harris, a equipa pode dormir descansada. Apesar disso os Steelers surpreenderam quando o principal receiver Martavis Bryant virou RB por momentos e quase marcava. Essa honra, única do jogo para os Steelers coube a Fitzgerald Toussaint que colocaria os Steelers na frente do marcador. Peyton Manning veio a jogo para o ataque e voltou a ser Peyton Manning. Maus passes, más decisões, muitos hits para gaúdio da defesa dos Steelers, mas nem sempre foi assim, já que sempre que o veterano arranjava uma boa solução a linha ofensiva dos Broncos estragava já que passou toda a primeira parte (e grande parte da segunda) a sentir o efeito Casillas, em que tudo o que era bola que Manning passava escorregava nas mãos dos receivers. E assim era difícil. As defesas superiorizavam-se aos ataques, e os kickers iam pontuando. Os Steelers iam permanecendo na frente do marcador e da lá só sairiam quando CJ Anderson fez o único TD para os Broncos depois de vários metros ganhos com a conexão entre Manning e Sanders. Os Steelers tentaram o que podiam no final, mas a defesa dos Broncos para não variar foi a estrela do jogo ofuscando toda e qualquer tentativa de pontuar. Com isto a melhor defesa da NFL segue para a final, enquanto os eléctricos Steelers vão com a sensação de dever cumprido para casa e com a certeza que voltarão ainda mais agressivos na próxima época.

Domingo:

Final AFC – Denver Broncos – New England Patriots
O feudo Manning – Brady vai acabar neste domingo já que se prevê que esta seja a última época de Peyton Manning. Pela 17.ª vez a dupla de QB´s que marcou uma era, irá defrontar-se. Naquele que será a 10ª final desde que Brady e Bellichik se juntaram em New England, os Patriots tentarão mais uma vez surpreender na estratégia, enquanto os Broncos tentarão com todas as armas defensivas que dispõem, dar a Peyton Manning uma despedida de luxo num SuperBowl. A melhor defesa da NFL contra o ataque mais imprevisível.

Final NFC – Carolina Panthers vs Arizona Cardinals
Jogo de carácter absolutamente imprevisível. Que Panthers irão a jogo? Os da primeira parte que destruíram os Seahawks (e se assim for destruirão os Cardinals), ou os meninos acomodados e receosos da segunda parte desse desafio? Do lado de Arizona, o susto com os Packers foi grande muito grande. Há quem diga que não mereciam estar nesta final, mas esta equipa é uma ameaça no ataque, competentes na defesa e têm o que os Panthers não têm, experiência…

Se desse, apostaria num Superbowl entre Patriots e Cardinals. 

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Flávio Trindade

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