Agora é a doer!

Fonte: NFL
Terminou a fase regular da NFL. Os olhos já estão postos nos playoffs e as apostas para o Superbowl já fazem mais sentido. Fazemos uma retrospectiva do que de melhor se viu nas 17 semanas iniciais, dos jogadores que mais se destacaram, dos possíveis premiados, das desilusões, da dança dos bancos e do que podemos esperar na fase do mata-mata a caminho do título.

Os melhores
Carolina Panthers: Foram claramente a melhor equipa durante a fase regular. E porventura a melhor definição para os Panthers, são mesmo “uma equipa”. Cam Newton teve um ano brilhante, joga e faz jogar, carrega a equipa às costas e diverte-se enquanto o faz. Ted Ginn Jr, Greg Olsen, Josh Norman, Luke Kuechly, Jonathan Stewart, todos tiveram um ano memorável e produtivo. A defesa foi o ponto forte dos Panthers, o running game o expediente ofensivo mais utilizado, e tivesse Cam Newton armas ofensivas do calibre de uns Bengals ou de uns Steelers, e a dominância teria sido ainda maior.
Arizona Cardinals: Se os Panthers tiveram a época quase perfeita, os Cardinals quase chegaram perto. Mais uma equipa que vale essencialmente pelo seu colectivo, e que tem acima de tudo um roster que lhes permite gerir os tempos com outra sabedoria, dada a sua composição mais veterana. Bruce Arians, outro veterano nos bancos deu o mote, Carson Palmer teve a melhor época da sua carreira, o velhinho Larry Fitzgerald ainda marca e o running game é utilizado a preceito, numa das equipas que mais pontos marcou nesta temporada.
Kansas City Chiefs: 10 vitórias consecutivas, depois de estar com um score de 1-5. Este é o saldo dos surpreendentes Chiefs. Não há equipa neste momento que esteja mais “on fire” do que os comandados de Andy Reid. Assentes numa defesa electrizante, e em esquemas ofensivos simples, os Chiefs permitem poucos pontos aos adversários, e ofensivamente o QB mais simplista de todos, Alex Smith pôs Travis Kelce e Jeremy Maclin a marcar pontos, embora os destaques estejam na defesa, com o super rookie Marcus Peters e Justin Houston. A grande surpresa dos playoffs?

Os piores
O circo chegou à cidade, e instalou-se em Dallas e em San Francisco. Os Cowboys e os 49’ers tiveram épocas para esquecer, e a sua imensa massa adepta não perdoou. E se em Dallas o circo parece que vai continuar já que o treinador manteve-se, e os Cowboys aprestam-se para trazer Johhny “Football” Manziel para Dallas, em San Francisco o técnico Tomsula já foi afastado, mas foi mais vítima do que vilão, numa equipa mal construída, com vários erros de casting, decisões duvidosas e um front office pavoroso. Aos piores poderemos ainda juntar a defesa dos Titans, as decisões de banco vindas de NY (Giants) e de Indianapolis, o ataque e pass protection dos Packers, as lesões dos Patriots, o início pavoroso de época dos Seahawks, e a comédia que foi a época dos Browns.

Os premiados individuais
MVP: Se o início de época de Tom Brady foi qualquer coisa de sobrenatural, a época inteira e em crescendo de Cam Newton deverá valer-lhe o prémio de MVP quase sem discussão.
ROY: A classe de rookies de 2015 teve uma casta de muito boa qualidade. Amari Cooper confirmou todo o seu potencial e formou com Carr uma das duplas mais electrizantes durante toda a época, contribuindo para o ressurgimento dos Raiders. Todd Gurley não existisse o veterano papa léguas Adrian Peterson, e teria sido em ano de estreia o running back do ano, tendo carregado literalmente sozinho o ataque dos Rams. Marcus Peters teve um impacto brutal na defesa do Chiefs, mas não se limitou apenas a dar espetáculo a defender como marcou também. E a minha escolha recai precisamente sobre o jovem cornerback de Kansas como rookie do ano, devendo ainda ganhar (este sem discussão) o prémio de rookie defensivo do ano, e Gurley o de rookie ofensivo.
COY: Pela lógica anterior, Ron Rivera dos Panthers deverá ser o distinguido, diga-se com inteira justiça. Mas convém destacar os trabalhos de Bruce Arians nos Cardinals, Andy Reid nos Chiefs, Jay Gruden nos Redskins e mesmo Todd Bowles nos Jets que acabaram por falhar o acesso (merecido) aos playoffs. Pela negativa, Tom Coughlin, Jim Tomsula, Chuck Pagano e Chip Kelly tiveram épocas para esquecer.
OPOY: Os grandes destaques ofensivamente (não considerando QB´s) foram Antonio Brown dos Steelers, De Andre Hopkins dos Texans e Adrian Peterson dos Vikings. Este será um osso duro de roer e ficaria bem entregue a qualquer candidato, mas o auto proclamado melhor WR do jogo, deverá levar o caneco, num ano memorável para Brown. Menções honrosas para Sammy Watkins, Todd Gurley, Brandon Marshall, Rob Gronkowski, Julio Jones e Doug Baldwin
DPOY: O eterno vencedor JJ Watt voltou a ter uma época para recordar. É sem qualquer dúvida o defensor mais completo e temido da NFL e não será de estranhar que leve mais um caneco. Desta feita terá a concorrência de Josh Norman e Luke Kuechly ambos dos Panthers e do salivante Justin Houston dos Chiefs. Menções honrosas para Tyrann Mathieu e Dwight Freeney (Cardinals), Von Miller e Aqib Talib (Broncos), Chandler Jones (Patriots), Khalil Mack (Raiders).

As futuras estrelas
Se os tubarões que ainda restam já só pensam nos títulos, os que entretanto sobram, querem é o que de melhor sairá das faculdades na classe de 2016. Num draft onde se prevê que os grandes destaques não sejam QB´s mas sim jogadores defensivos os nomes mais ventilados são:
Laremy Tunsil (OT): Depois da época terrível dos Titans, e do seu talentoso QB Marcus Mariotta ter passado o ano a apanhar grandes sovas, a prioridade dos homens de Tennessee deverá ser protegê-lo. Para tal deverão ir buscar a maior “besta” a competir nas universidades americanas.
Joey Bosa (DE): Não é grande nem forçosamente muito musculado, muito pelo contrário, mas é dos defensores mais hiperactivos das faculdades americanas e deverá ser uma das picks mas altas do draft.
Paxton Lynch (QB): Provavelmente o QB mais talentoso da classe de 2016. Com quase 2 metros de altura e um braço fortíssimo, Lynch deverá ser certamente escolhido para titular ou em Cleveland ou em San Francisco.

A dança das cadeiras
Acaba a época e logo as franchises se aprestam a reconstruir o futuro. Trocar de treinador acaba por ser, tal como no futebol, o passo seguinte para quem ficou aquém dos resultados esperados. Já foram demitidos:

Tom Coughlin (NY Giants)
Chip Kelly (Eagles)
Mike Pettine (Browns)
Jim Tomsula (49’ers)
Dan Campbell (Dolphins…este era treinador interino e ainda tem oportunidade de voltar)
Ken Wisenhunt (Titans)
Lovie Smith (Buccaneers)

O treinador mais desejado para praticamente todas as franchises acima citadas é outro nome que deverá abandonar a equipa actual. Sean Payton dos Saints é o desejado por todos e ainda nem sequer saiu de New Orleans. O prémio “Lopetegui” vai para Chuck Pagano dos Colts, que tudo indicava que fosse despedido, mas não só não foi como viu o seu contrato renovado por 4 épocas!

Jogos a seguir do Wild Card Weekend
Quem marcará o lugar nas meias finais de conferência com os Panthers, Cardinals, Broncos e Patriots?

Sábado:
Houston Texans vs Kansas City Chiefs: A defesa de betão dos Texans com JJ Watt à cabeça recebem a equipa invencível do momento os Chiefs. Sem saber qual será o QB titular (já usaram 4) os texanos terão vida muito difícil face a Kansas num jogo que se prevê de baixo score.
Cincinatti Bengals vs Pittsburgh Steelers: Andy Dalton faz muita falta…muita falta mesmo! E este confronto tem tudo para ser épico. Duas equipas de ataque e de espetáculo! António Brown, Martavis Bryant e De Angelo Williams de um lado, AJ Green, Mohamed Sanu, Tyler Eiffert e Giovani Bernard do outro. A diferença poderá ser Big Ben face a AJ McCarron

Domingo:
Minesotta Vikings vs Seattle Seahawks: Os Vikings venceram a divisão face aos Packers mas ficaram com a fava. Os Seahawks eram a equipa contra quem ninguém queria jogar, porque estão on fire (ainda esta semana destruíram os Cardinals). Russell Wilson está demolidor e até Marshawn Lynch poderá regressar. Os Vikings têm Adrian Peterson, uma boa defesa, um running game poderoso e o factor casa, mas isso poderá não chegar.
Washington Redskins vs Green Bay Packers: Num mais que improvável confronto de wild-cards, os Packers em teoria terão a tarefa facilitada. Mas apenas em teoria. O Play Calling dos Packers tem sido mau, Rodgers não está na sua melhor forma, a linha ofensiva está entregue a jogadores medianos e até a defesa tem facilitado. Do outro lado está um dos colectivos mais interessantes e que mais cresceu durante a época. Kirk Cousins está motivadíssimo e a sacar grandes números, Jordan Reed tem jogado à Gronkowski e De Sean Jackson ameaça qualquer defesa.

Que comecem os jogos!

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Flávio Trindade

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