A Lei do Mais Forte

Panthers ou Broncos?

As estatísticas são instrumentos de análise cada vez mais importantes em qualquer desporto. Costuma dizer-se que valem o que valem, mas desta feita revelaram-se certeiras. No SuperBowl 50, a disputar na Califórnia no próximo dia 7 de Fevereiro, estarão na luta pelo almejado título, as duas melhores equipas de cada divisão. Poder-se-á discutir se mereceram ou não, se os estilos são ou não os mais atraentes, se foram bafejadas pela sorte no que aos calendários e lesões dizem respeito, mas facto real e ao mesmo tempo estatístico, Carolina Panthers e Denver Broncos medirão forças na Califórnia com inteira justiça, porque foram as equipas mais regulares e mais dominadoras desta época.

O confronto de estilos será interessante e o Superbowl tem todos os ingredientes para ser épico!

As Finais:
Denver Broncos 20-18 New England Patriots: Este encontro tinha todos os ingredientes para ser um daqueles jogos que os amantes da modalidade gravam para depois observarem em detalhe. Mais um capítulo no extenso rol de duelos entre Manning e Brady, um duelo táctico interessantíssimo que opunha dois dos treinadores mais sagazes da NFL (Kubiak vs Bellichik), um confronto de estilos que traria ao de cima o que a NFL traz de bom (uma defesa intensa, rotativa e do mais perspicaz que há vs um ataque imprevisível que pode marcar de qualquer maneira e feitio), a possibilidade de Manning se despedir com uma ida ao Superbowl, um ambiente bem frio no que à temperatura diz respeito mas com adeptos fervorosos e que dão espetáculo nas bancadas (Denver tem um ambiente tipo Westfallen Stadion).

E o jogo não defraudou, já que foi isto tudo e mais! Outro ingrediente se juntou e ficará intimamente ligado ao resultado final. O Kicker, esse personagem que está para a NFL como o guarda-redes está para o futebol foi decisivo, e tal como no futebol, o erro do kicker é mais comentado e apontado (tal como os frangos dos homens da baliza) do que os erros dos restantes jogadores.E aquele jogador de quem normalmente ninguém se lembra (por muitas vitórias que dê), que é sempre o último dos heróis, que é draftado sempre nos últimos lugares e que nunca será MVP, voltou a ganhar protagonismo pelas piores razões. Stephen Gostkowski que até é unanimemente considerado o melhor kicker da NFL, falhou um pontapé fácil. Apenas um…mas isso ficará para sempre na história deste jogo…mas já lá iremos.

Neste confronto de estilos cedo se percebeu uma coisa… Se o ataque ganha jogos, a defesa ganha campeonatos! E se o estatuto quase lendário da defesa dos Broncos já era conhecido, desta feita eles levaram esse desígnio para um outro nível! Kubiak antecipou quase todas as play designs dos Patriots (não é tarefa nada fácil), e a jogar a um nível de intensidade demolidor, a defesa dos Broncos fez um jogo quase sem reparos. Von Miller, Aqib Talib, Danny Trevathan, Chris Harris e Derrick Wolfe jogaram como se a vida deles dependesse disso e deram show. Muitas vezes no limite da agressividade, muitas outras vezes com umas ajudas da equipa de arbitragem, mas podiam pôr 3 equipas ofensivas a jogar ali que ninguém passava. Peyton Manning veio a jogo também na sua melhor versão desde há muitos jogos. Confiante, e com calma suficiente do alto da sua maturidade para não deixar que erros pontuais pudessem afectar o seu desempenho. Num desses lances com um passe teleguiado pelo meio da defensiva dos Patriots, Manning encontrou Owen Daniels (outro dos heróis do jogo de ontem) para o primeiro TD do jogo. Brandon Mc Manus marcou o ponto extra e os Broncos abriam vantagem com uma jogada bem desenhada e típica da ofensiva dos homens de Denver, ou seja, simples mas tremendamente eficaz. A resposta dos Patriots não demorou muito. Brady tentava conectar-se com o seu alvo preferencial Rob Gronkowski, mas o TE dos Patriots recebeu um tratamento extra durante todo o jogo por parte da defesa dos Broncos (muitas dessas vezes para lá do limite). E se não dá para parar Gronkowksi no 1x1, não faz mal põe-se lá dois. Chris Harris foi a carraça de serviço. Sem Gronk, Brady que também não teve vida fácil (muito pelo contrário) lá arranjou maneira de encontrar novos alvos, e foi o veterano Stephen Jackson que num rush empatou a partida em touchdowns. E eis que se dá o erro do jogo. Gostkowski vai para a conversão do ponto extra e falha. E ele nunca falha… aliás não falhava desde o seu ano de rookie uma conversão de pontos extra e já vai em 10 temporadas! Aparentemente não faria mal, ainda se estava no primeiro período e com muito jogo pela frente, mas…

No segundo período mais do mesmo. Pressão total da defesa que ia resultado em intercepções mas principalmente em sacks sobre Brady, e mesmo quando a bola já tinha partido lá ia o defesa dar um cheirinho. Brady foi 20 vezes ao chão (um recorde esta temporada) e Von Miller estava intratável (que jogão!). No entretanto e quase sem se dar por ele Manning faz mais um passe simples mas eficaz e Owen Daniels bisa nos TD´s. Final da primeira metade com 17-9 para os Broncos. 

E o início do terceiro período trouxe uma run de 12 jardas de…Peyton Manning! Ele que nunca corre, encheu-se de confiança e foi por ali fora! Os sinais estavam dados e parecia que já ninguém tirava a vitória a Denver. E exceptuando mais uns sacks da defesa de Denver, pouco ou nada se passou no 3º, excepção feita a um FG para New England. 17-12 no score.

Como não podia deixar de ser o 4.º período de um jogo destes foi o mais intenso. Ofensivamente ambos os QB´s foram somando pequenos erros, os receivers estavam marcadíssimos, o running game foi quase inexistente e a partida disputava-se ponto a ponto. Os Broncos num dos ataques conseguiram converter mais um FG levando a vantagem para 8 pontos. Brady e os Patriots necessitavam de um TD e de uma conversão de 2 pontos extra. Bellichik foi optando por não converter FG´s e apostar sempre no 4º down (o tempo corria). Mas os Patriots são mesmo assim, e nunca se rendem e ninguém pode dizer que eles estão fora da luta até que o jogo acabe. Brady encheu-se de brio e foi encontrando caminhos (muito importante a dinâmica de James White nesta parte do jogo) e quem resolveu regressar para deixar a sua marca foi Gronkowski. Primeiro num grande passe de Brady para uma recepção longa e segundo já com o relógio quase no fim a converter o tão almejado TD. 2 pontos de diferença (e a falta que aquele ponto extra falhado por Gostkowski fez…) e os Patriots obrigados na última jogada do desafio a fazer uma conversão de 2 pontos extra. Brady esticou a jogada, faz o passe imprevisível (qualquer outra defesa teria caído), mas aparece Aqib Talib a voar para tocar na bola e recuperar a posse. Jogo terminado, Peyton Manning e os Broncos no Superbowl com total merecimento. E a dita frase nunca fez tanto sentido como neste jogo, se o ataque ganha jogos e defesa ganha campeonatos!

Carolina Panthers 49-15 Arizona Cardinals
Esperava-se equilíbrio. Esperava-se que os Panthers desagregassem depois daqueles últimos dois períodos com os Seahawks e dos bate.boca seguintes. Esperava-se que a experiência dos Cardinals viesse ao de cima nesta final face a inexperiência nestes jogos a doer dos Panthers. Mas o que realmente aconteceu foi aquilo que os adeptos de Carolina esperam sempre que a sua equipa joga em casa. Espetáculo e muito Dab Dance!

Na antevisão a esta partida referi que a experiência dos Cardinals (e o susto face a Green Bay) iria fazer a diferença, face aquela equipa amedrontada e sem vontade que jogou na segunda parte frente a Seattle. Também ficou o aviso feito que caso a versão de Carolina a entrar em campo fosse a da primeira parte desse jogo, que provavelmente destruiriam os Cardinals. E foi precisamente isso que aconteceu! Desta feita não foi só numa parte, mas em todo o jogo. Os Panthers vieram na sua melhor versão, foram um rolo compressor e deixaram um sério aviso à defesa dos Broncos (descansem bem durante estas duas semanas que vão ter muito que fazer!)

Para começar, vamos pôr as coisas da seguinte forma: Se dúvidas ainda persistissem sobre quem será o MVP da temporada, elas ficaram absolutamente desfeitas depois deste jogo. Cam Newton será o MVP, jogou à MVP e deu uma das maiores demonstrações de força de um QB num jogo decisivo de que há memória. Estatísticamente, 2 passes para TD, mais 2 rushing TD´s em conta própria com muita diversão e Dab à mistura. Super Cam esteve on fire! Outra observação pertinente é que se a defesa dos Broncos é de top mundial, a dos Panthers é do mesmo nível! Os Cardinals foram sufocados, maltratados, pressionados e demolidos pela agressividade da defesa dos Panthers. Carson Palmer viu os seus passes serem interceptados 4 vezes, fora aqueles que foram desviados…e ainda viu alguns sacks à mistura. Se de um lado já apontei os nomes dos heróis defensivos, é bem justo fazer o mesmo com os homens de Charlotte. Kurt Coleman (2 INT’s uma delas absolutamente decisiva e em modo voador), Luke Kuechly ( 1INT e 1TD e mais uma vez sempre em alta rotação), Robert McClain, Shaq Thompson, Kawaan Short e o azarado Thomas Davis (de fora do Superbowl por lesão, ele que é o líder espiritual da defensiva dos Panthers). Como se isso não bastasse, (esta é a grande diferença entre as duas equipas que medirão forças no Superbowl) as armas ofensivas dos Panthers disseram todas presente. Ted Ginn Jr fez um jogo de fúria (jogou contra a antiga equipa), Greg Olsen contribuiu como é habitual, Devin Funchess apareceu com estilo, e o beast mode desta época, Jonathan Stewart deu corpo ao running game letal dos Panthers.

1º período e o marcador marcava 17-0 para os Panthers!! Ted Ginn Jr que é WR além de ganhar jardas nos returns, deu também uma perninha no running game e marcou o primeiro TD da partida, já depois de Graham Gano ter deixado lá 3 pontos. Cam não podia deixar de aparecer nos highlights e faz um passe a atravessar 40 jardas, para Corey Brown marcar o 2º depois de correr outro tanto. 86 jardas, e a maior jogada dos Panthers num playoff. Grande lance! No segundo período com muitos turnovers à mistura, o rookie sensação dos Cardinals, o RB David Johnson reduziu num rsuhing TD, para 17-7, mas depois de Jonathan Stewart ganhar jardas e mais jardas, Super Cam voou por cima dos defesas para o seu primeiro TD, e para deixar o resultado ao intervalo em 27-7 e muitas dores de cabeça para os Cardinals. Na segunda parte, quando alguns esperavam pelo adormecimento dos Panthers, veio então a mesma receita. Pressão intensa e espetáculo para gaúdio dos miúdos que ficam nas bancadas atrás da end zone. Mais 3 pontos para Graham Gano, e o momento do jogo, com Cam Newton a encarnar no homem de aço e a correr por ali fora (primeiro a ganhar jardas para o lance) e segundo a passar por toda a gente em velocidade e força para marcar o seu segundo TD. Não havia kryptonite que parasse Cam Newton. Com os Cardinals em branco no 3º período (37-7), o jogo tinha terminado ali. No quarto e último período Darren Fells ainda reduziu para os Cardinals, mas Cam Newton descobriu Devin Funchess para mais um TD e a cereja em cima do bolo veio pelo inevitável Luke Kuechly a dar corpo depois de uma intercepção ao jogo fantástico da defesa dos Panthers. Termina a época para os Cardinals que apesar da veterania têm uma boa base, e os Panthers que somam a 17º vitória contra apenas uma derrota esta época, avançam pela primeira vez para o Superbowl onde têm tudo para fazer história.

Superbowl 50 – 7 de Fevereiro
Carolina Panthers vs Denver Broncos
O jogo onde se encontram as duas melhores defesas da NFL e também as duas melhores equipas de cada conferência. Com todos os ingredientes para ser um duelo faiscante, Peyton Manning tem a sua oportunidade para sair em grande, Cam Newton tem a sua para poder iniciar o seu reinado, e tacticamente será um duelo para acompanhar de muito perto. Com as duas equipas a jogarem o seu 100%, com duas defesas intensas e pressionantes, a diferença estará na também agressividade do running game de Carolina e na maneira como o conseguirem impor.

Prognóstico: Carolina Panthers vencem o Superbowl. Partilham dessa ideia ou acreditam na superação e maior experiência de Denver e no final à Cinderela para Peyton Manning?

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Flávio Trindade

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