19: Aprenderam a lição

Na 1.ª volta os 4 da frente escorregaram nesta ronda, mas desta vez não houve surpresas. O líder Sporting até tinha uma deslocação que se previa complicada ao terreno do Paços de Ferreira. Pelos resultados recentes da equipa, pelo histórico de confrontos, pela regularidade do conjunto pacense ao longo do campeonato e pelo aumento de pressão nos últimos dias sobre os comandados de Jorge Jesus. No entanto, o leão teima em contrariar as probabilidades. O difícil voltou a tornar-se fácil, tal foi a superioridade verde e branca na célebre Mata Real. A turma de Alvalade manteve assim o primeiro posto, numa clara reacção aos últimos dissabores. A chave voltou a estar no meio-campo. Bloco compacto, uma reacção à perda de bola extraordinária, qualidade de passe e movimentação permanente de todas as peças. Depois há Slimani, que continua a fazer o resto. Competência e serenidade são os denominadores comuns neste triunfo, numa exibição que voltou a realçar a importância de Adrien no miolo e a evidenciar o melhor médio do campeonato. Na Luz, o Benfica procurava manter esta série de bons resultados, algo que, perante um Arouca inoperante, não se afigurou complicado. Mitroglou sentou Jiménez desta vez e tornou a justificar a aposta, marcando um golo brilhante, não se livrando, ainda assim, de alguns impropérios proferidos pelo companheiro de ataque num lance algo caricato e que revela a vontade de Jonas em lutar pela bota de ouro. Pizzi continua igualmente a ser determinante, voltando a facturar, enquanto que Carcela assume na perfeição o papel de desequilibrador na ausência de Gaitán. Por fim, o FC Porto entrava no Dragão sabendo que não havia mais margem para falhanços. Nos bancos, duas caras novas. Depois de muito falatório e de alguma inércia da direcção portista, José Peseiro assumiu as rédeas da equipa, tendo como adversário na estreia Nelo Vingada, um velho caminhante do futebol português. O tempo de trabalho do antigo treinador de Braga e Sporting foi escasso, não havendo grandes possibilidades de ruptura com o paradigma recente. O futebol voltou a ser mau, muitos passes errados (talvez pela exigência do exterior em assistir-se a um FC Porto mais vertical) e uma grande passividade defensiva. Peseiro, muitas vezes acusado de ser “pé frio”, não pode queixar-se da sorte nesta sua primeira vitória ao leme deste novo barco, até porque o Marítimo dispôs de mais oportunidades de golo. Para a história fica o remate de André André à barra e, consequentemente, a infelicidade de Salin. Tudo o resto foi mau e permite uma análise bastante clara: há muito para melhorar na turma azul e branca. Ainda assim, há matéria prima para fazer mais e melhor, pelo que as hostes portistas continuam esperançadas num final risonho. Em relação às restantes partidas, o Braga, com Rafa e Hassan em destaque, cilindrou o Rio Ave, o União da Madeira venceu novamente um derby madeirense (vida complicada para Manuel Machado), o V. Setúbal somou a segunda vitória em casa diante da Académica e o Estoril surpreendeu ao triunfar em Moreira de Cónegos. Por fim, Belenenses e V. Guimarães proporcionaram um encontro impróprio para cardíacos, empatando a três bolas, enquanto que, num duelo de aflitos, o Boavista fechou a ronda somando os três pontos em Tondela, tendo apenas dez unidades em campo desde os 36 minutos.

Equipa da Semana: Sporting – Exibição fantástica da turma de Jorge Jesus, uma das melhores da temporada. O “Mestre da Táctica” fez jus ao cognome e anulou completamente o adversário, que tirando o golo não rematou à baliza. Os leões têm dominado a seu belo prazer os jogos teoricamente mais complicados e deram uma excelente resposta aos recentes resultados negativos, faltando agora manter o mesmo rigor e motivação nas restantes partidas. 

Equipa Desilusão: Tondela – Os Beirões jogaram, praticamente uma hora de jogo, contra dez unidades e perderam, perante um adversário directo, no seu reduto. O plantel é curto qualitativamente, havendo, ainda assim, um esforço da direcção para o reforçar, pelo que o trabalho de Petit é de uma dificuldade extrema. O balão de oxigénio conseguido em Alvalade esvaziou-se rapidamente e o primeiro lugar acima da linha de água está já a uma distância de oito pontos. 

Melhor 11 da 19ª jornada da I Liga: André Moreira (União da Madeira), Anderson Luís (Estoril), Paulo Vinícius (Boavista), Rúben Semedo (V. Setúbal), Mano (Estoril), Adrien (Sporting), João Mário (Sporting), Toni Silva (União da Madeira), Rafa (Braga), Hassan (Braga), Slimani (Sporting)

Jogador da Semana: Slimani (Sporting) – O argelino tem sido um dos rostos principais do líder e voltou a destacar-se nesta jornada, dando-se ao jogo e surpreendendo pela forma como caiu em zonas fora do seu habitat natural. Além disso, tornou a deixar a sua marca de forma objectiva, contribuindo com dois golos e uma assistência, num lance “à Slimani”. 

Jogador Desilusão: Aboubakar (FC Porto) – Continua a atravessar uma fase cinzenta e agora terá de lidar com a concorrência de Suk e Marega. O camaronês passou de um avançado que aparecia, mas que pecava na finalização, para um corpo estranho na equipa. Não se dá ao jogo, não consegue ter bola e já nem consegue criar desequilíbrios com desmarcações de ruptura em profundidade, algo em que era habitualmente forte.

Jogador a Seguir: Marko Bakić (Belenenses) – O montenegrino chegou por empréstimo da Fiorentina e entrou de imediato na equipa. Trata-se de uma aposta forte de Velázquez, sendo um médio que se destaca pela cultura táctica e pela qualidade de passe. Sabe percorrer vários terrenos e acumulou, nesta partida, um belíssimo golo e uma assistência. Será, sem dúvida, uma arma importante dos Azuis do Restelo nesta segunda volta.

Rodrigo Ferreira

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