18: Uns riem, outros nem por isso

Na viragem da primeira para a segunda volta, o Benfica acabou por ser o primeiro a sorrir, aproveitando os deslizes inesperados dos rivais para se aproximar da frente do campeonato. Os encarnados atravessam a melhor fase da temporada, curiosamente numa altura em que não contam com Gaitán, e, apesar de terem começado a perder na Amoreira, cedo se percebeu que seria uma questão de tempo até o conjunto de Rui Vitória confirmar o triunfo. Pizzi tem sido peça chave neste período positivo, tendo decidido com um belo remate cruzado, enquanto que Fejsa voltou a estar imperial nos duelos. No entanto, o momento da partida acabou por ser a entrada de Mitroglou. O grego, com o seu poder físico, garante outra presença na área e um melhor entendimento com Jonas, contrastando com  um inconsequente Jiménez. Por outro lado, o líder jogava primeiro e, perante o último classificado, seria de prever uma vitória fácil dos leões. No entanto, tudo o que se assistiu em Alvalade saiu dos parâmetros habituais deste campeonato. O Sporting determinado, com qualidade na circulação de bola e obcecado com a pressão deu lugar a uma equipa desconcentrada, apática e desinspirada. Aproveitou o Tondela que, encarando o desafio olhos nos olhos praticamente durante todo o encontro, levou assim um ponto de Alvalade. O minuto decisivo acabou por ser a grande penalidade cometida por Rui Patrício, bem como a sua consequente expulsão, sendo que, apesar dessa contrariedade, a turma de Jorge Jesus até conseguiu o mais difícil, invertendo o marcador. Todavia, apesar da reviravolta, os erros defensivos vieram à tona e Chamorro, o réu da partida diante do FC Porto, gelou Alvalade nos últimos minutos e castigou a má exibição da formação da casa. Por fim, o FC Porto entrava no D. Afonso Henriques conhecendo os resultados dos opositores na corrida ao título, mas acabou derrubado no Castelo (há mais de 10 anos que os azuis e brancos não perdiam em Guimarães). Os dragões voltaram a ser pouco incisivos na procura dos três pontos e, tirando um ou outro lance criado por Brahimi, raramente conseguiram apresentar argumentos para dar a volta ao texto. Para a história fica o golo de Bouba Saré e o frango de Casillas, que tornou a não demonstrar a segurança necessária. Em relação aos restantes jogos, o Braga foi vencer à Choupana por 3-2, agudizando a crise do Nacional, o Rio Ave foi surpreendido em casa pelo Belenenses e o Marítimo pagou cara a expulsão precoce (mais uma) de Raúl Silva com uma derrota. Por outro lado, o Moreirense venceu em Arouca e ganhou algum oxigénio, a Académica roubou dois pontos ao Paços (Gouveia continua sem perder em casa) e o V. Setúbal foi goleado no Bessa pelo aflito Boavista.

Equipa da Semana: Boavista – Na ressaca de duas derrotas diante do FC Porto, os axadrezados golearam o V. Setúbal no seu reduto, naquela que foi a primeira vitória de Erwin Sánchez. A qualidade nas bolas paradas fez a diferença, sendo que é notória a melhoria da equipa com a entrada de Rúben Ribeiro.

Equipa Desilusão: Sporting – Depois de um triunfo moralizador diante do Braga, os leões encaravam agora um desafio teoricamente mais fácil, tendo a oportunidade de jogar primeiro e de colocar pressão nos rivais. No entanto, pese a expulsão de Rui Patrício, o conjunto de Jorge Jesus foi anulado durante a maior parte do tempo por um Tondela agressivo e ambicioso, denotando uma apatia e uma descontração pouco habituais esta temporada. Além disso, a turma verde e branca fez o mais difícil, isto é, deu a volta ao marcador com apenas 10 unidades e sofreu num lance pouco admissível, perdendo assim mais dois pontos perante um adversário do fundo da tabela.

Melhor 11 da 18ª jornada da I Liga: João Miguel Silva (V. Guimarães), Oto’o (Tondela), Paulo Vinícius (Boavista), Jardel (Benfica), Filipe Ferreira (Belenenses), Fejsa (Benfica), Cafú (V. Guimarães), Renato Santos (Boavista), Pedro Santos (Braga), Danilo Dias (União da Madeira), Mitroglou (Benfica)

Jogador da Semana: Pedro Santos (Braga) – O extremo foi lançado por Paulo Fonseca na Madeira e teve uma importância vital na difícil vitória dos minhotos. Além da velocidade e qualidade técnica que oferece ao ataque, o ala acrescenta ainda qualidade nas bolas paradas, tendo apontado um golo na conversão de um livre directo (e noutro atirou à barra) e somado duas assistências.

Jogador Desilusão: Iker Casillas (FC Porto) – No melhor pano cai a nódoa. O espanhol entrou no Dragão pela porta grande, visto tratar-se de um dos grandes nomes do futebol mundial na última década, mas a verdade é que não tem acrescentado a segurança e a eficácia que lhe são exigidas. O nome de Casillas está umbilicalmente ligado à derrota em Guimarães, tendo ainda denotado intranquilidade em outros lances. E já não é a 1.ª vez este ano que isto acontece.

Jogador a Seguir: Romário Baldé (Tondela) – O avançado emprestado pelo Benfica apresentou-se desinibido em Alvalade e criou imensos problemas à defensiva leonina. Rápido, agressivo e forte no drible, o menino de 19 anos foi um diabo à solta, tendo desperdiçado a oportunidade de sair em ombros quando, depois de baralhar completamente os adversários, disparou por cima da baliza de Boeck.

Rodrigo Ferreira

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