17: Grito de revolta

Fecham-se as cortinas. A primeira volta chegou ao fim e o campeão de Inverno tem um novo nome. Após importantes vitórias sobre FC Porto e V. Setúbal, o Sporting sofreu, mas conseguiu somar mais três pontos e termina a primeira volta no primeiro posto da tabela. Há 14 anos que tal não acontecia, com os resultados na altura que se conhecem, sendo que apenas por duas vezes os leões não seguraram este lugar na segunda volta. Em relação ao jogo, esse foi novamente emotivo, tal como fora na partida da Taça. Paulo Fonseca perdeu pela primeira vez perante os verde e brancos, mas vendeu cara a derrota, tendo utilizado da melhor maneira os seus homens mais rápidos. Rafa foi um diabo à solta no palco de Alvalade, mas os comandados de Jorge Jesus superaram o teste e inverteram um resultado que parecia impossível de contornar ao intervalo. Adrien foi novamente o rosto da revolta, empurrando os seus companheiros juntamente com os adeptos, numa jornada que voltaria a ser decidida pelo mesmo de sempre: Islam Slimani. Uma palavra ainda para Rui Patrício, que com uma enorme intervenção impediu um balde de água fria perto do fim. De seguida, o FC Porto entrava em campo no Bessa, num confronto outrora de primeira água. Rui Barros assumia as rédeas da equipa depois da saída de Lopetegui e os azuis e brancos não tiveram dificuldades em aplicar uma pesada derrota a um frágil Boavista. Herrera abriu caminho, Brahimi e Corona voltaram a ser os abre-latas, Danilo encheu o campo e Aboubakar regressou (finalmente) aos golos. Estava consumada a reacção dos dragões, naquela que foi a primeira vitória de 2016 e a certeza de que estarão na luta pelo título como sempre se esperou. Mais tarde, o Benfica entraria na Choupana, mas o nevoeiro voltaria a fazer das suas. Partida adiada para segunda-feira, tendo Jonas aproveitado da melhor maneira o ar da hora de almoço para brilhar com um hat-trick. Os encarnados somaram assim a 9.ª vitória em 10 jogos, não vacilando perante os triunfos dos rivais na véspera. Nos restantes encontros, o Marítimo esmagou o Moreirense, o Estoril voltou a vencer várias jornadas depois, tendo Velázquez sofrido o seu primeiro dissabor em solo luso. Por outro lado, Guedes foi o homem do Rio Ave na vitória sobre o União, a Académica continua a somar no Cidade de Coimbra (2-1 sobre o Tondela), o V.Guimarães não segurou um 2-0 perante um Arouca com bastantes alterações e, por fim, o Paços de Ferreira impôs nova derrota ao V. Setúbal e colocou-se a um ponto do Braga, sendo que os sadinos ainda não triunfaram no novo ano.

Equipa da Semana: Benfica – Num contexto algo adverso e com alguma pressão após os triunfos dos rivais, a turma de Rui Vitória não se assustou com o desafio na Choupana e venceu de forma categórica. Jonas foi o homem do encontro, mas os encarnados realizaram uma excelente exibição e somaram inúmeras oportunidades de golo, podendo inclusive ter sujeitado os madeirenses a uma derrota mais pesada.

Equipa Desilusão: Boavista – Saiu Petit, entrou Sánchez, mas os resultados e o rendimento exibicional continuam sem se alterarem. Os axadrezados tentaram aproveitar a instabilidade do FC Porto, mas a superioridade inequívoca dos dragões ficou bem patente desde muito cedo, tendo Casillas acabado o encontro cheio de frio. A luta pela permanência promete ser intensa, mas com estes recursos será difícil inverter a tendência.

Melhor 11 da 17.ª jornada da 1ª Liga: Kieszek (Estoril), Anderson Luís (Estoril), Ricardo (Paços de Ferreira), Raúl Silva (Marítimo), Layún (FC Porto), Danilo (FC Porto), Adrien (Sporting), Corona (FC Porto), Marega (Marítimo), Jonas (Benfica), Bruno Moreira (Paços de Ferreira)

Jogador da Semana: Jonas (Benfica) – Acusado de não aparecer nos jogos ditos grandes, a verdade é que o brasileiro continua a vincar semana após semana que é o principal goleador em Portugal, e sem Gaitán a grande referência do Benfica. Técnica, inteligência e um poder de finalização brutais, numa exibição para mais tarde recordar. Após este hat-trick, o ex Valência soma 18 golos neste campeonato e 50 golos em 61 jogos oficiais com a camisola das águias.

Jogador Desilusão: William Carvalho (Sporting) – Prestação a roçar o medíocre por parte do médio leonino. Inúmeros passes falhados, muitas dificuldades na transição defensiva (algo que os adversários exploram cada vez mais) e a ausência daquela autoridade a que fomos habituados em tempos anteriores. Jorge Jesus retirou-o sem surpresa ao intervalo e, caso o seu rendimento exibicional não suba, será difícil ter os minutos que se esperava no Europeu ou mesmo até ser convocado.

Jogador a Seguir: Leandro Silva (Académica) – Desde a entrada de Filipe Gouveia, a Académica tem vivido tempos mais tranquilos, sendo que, além do treinador, há outro denominador comum neste percurso de sucesso: Leandro Silva. O médio emprestado pelo FC Porto conquistou o seu lugar a pulso, sendo o dínamo da equipa nesta nova versão dos Estudantes. Forte no passe e na pressão, com chegada à área e com uma boa leitura de jogo, é, sem dúvida, um indiscutível na Briosa por estes dias.

Rodrigo Ferreira

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