16: Brilho Real

Em noite de Reis, o Sporting proporcionou aos seus adeptos uma exibição de gala, passeando pelo Bonfim e exibindo uma qualidade e um domínio como há muito não se via no conjunto verde e branco. Na ressaca de uma vitória sempre importante sobre um rival directo, os leões cilindraram o V. Setúbal com seis golos sem resposta, uma proeza inalcançável desde 2001, o ano do último título. Jorge Jesus assistia da cadeira real a mais uma grande prestação dos seus pupilos, procurando respostas para um crescimento tão rápido, enquanto que, na relva, João Mário vestia o manto sagrado e conduzia a equipa à maior goleada da temporada. Bryan Ruiz era o pajem ideal, Adrien e William os fiéis escudeiros e Slimani o atirador de serviço, fulminando a melhor marca pessoal até à data. Por outro lado, Setúbal abençoara ainda a estreia de Bruno César, que, nada assustado, assinaria dois golos que o caracterizam exemplarmente, tornando-se no segundo jogador desta Liga a marcar por dois clubes distintos. Estavam assim dados os primeiros passos seguros com o leão ao peito, naquele que promete ser o verdadeiro reforço do mercado de Inverno do líder. Por outro lado, o trono da ronda poderia igualmente ser encarnado. Na Luz, o Benfica, atiçado pelas palavras do seu técnico, despachou o débil Marítimo sem grande dificuldade e com a mesma expressão no marcador que o rival lisboeta. Pizzi abriu a porta da baliza madeirense, Carcela fez de Gaitán e Jonas voltou a bisar. Estava assim consumado mais um triunfo fácil do melhor ataque do campeonato, numa jornada que permitiria uma subida na tabela. Para isso muito contribuiu o Rio Ave. O rei fez anos e os vilacondenses empataram no Dragão onze anos depois. A turma de Lopetegui voltou a apresentar um futebol muito pobre e, após o terceiro desafio consecutivo sem conhecer o sabor da vitória, caiu ao terceiro posto da tabela e viu o Sporting distanciar-se. Nos restantes encontros, o Sp. Braga ultrapassou a Académica sem problemas, num encontro em que Nuno Piloto foi expulso perto da meia hora e onde Hassan e os laterais bracarenses voltaram a exibir-se a grande nível. Já o rival V. Guimarães foi ao campo do vizinho Moreirense vencer por 4-3, naquela que foi a partida mais emocionante do dia, enquanto que o Paços de Ferreira conquistou os três pontos em Tondela, agudizando a crise do lanterna vermelha. Em zona de despromoção continua também o Boavista, que viu o estreante Toni Silva impor-lhe novo dissabor na Madeira. Por fim, Belenenses e Nacional não foram além de um empate no Restelo e o Arouca, que parece disposto a intrometer-se na luta pela Europa, saiu vitorioso do confronto com o Estoril.

Equipa da Jornada: Sporting – O conjunto de Jorge Jesus impôs uma pesada derrota à equipa sensação da Liga até ao momento. No Bonfim, os leões apresentaram o habitual rigor táctico, uma elevada pressão, a habitual qualidade na circulação e até a tão falada nota artística, aniquilando completamente as chances do Vitória. 

Equipa Desilusão: FC Porto – Terceiro jogo consecutivo sem vencer, nova exibição cinzenta e maior distância para o primeiro classificado. O campeonato ainda não chegou a meio, mas os azuis e brancos atravessam claramente uma má fase e parecem com dificuldades em ultrapassá-la. Neste momento, os dragões já não dependem de si para alcançarem o objectivo primordial da época, sendo que Lopetegui, apesar do voto de confiança de Pinto da Costa, acabou mesmo por cair.

Melhor 11 da 16.ª Jornada da 1ª Liga: Marafona (Paços de Ferreira), Baiano (Braga), Marcelo (Rio Ave), Naldo (Sporting), Marcelo Goiano (Braga), Luis Aurélio (Nacional), João Mário (Sporting), Pizzi (Benfica), Bruno César (Sporting), Hassan (Braga), Henrique Dourado (V. Guimarães)

Jogador da Semana: João Mário (Sporting) – Prestação imaculada do médio leonino. Personalidade, qualidade técnica, visão de jogo e, acima de tudo, muita classe. Não é tão mediático como outros, não aparece nas capas dos jornais, mas a sua presença é vital para a equipa e desta vez até introduziu um golo (um golaço melhor dizendo) na ficha de jogo, tendo somado ainda duas assistências. 

Jogador Desilusão: André André (FC Porto) – Regressou ao 11 frente ao Rio Ave, mas exibiu-se a um nível paupérrimo, muito longe do que havia feito no final de 2015. Chegou a ser um indiscutível de Lopetegui, mas, após a lesão, tem vindo a perder protagonismo progressivamente.

Jogador a Seguir: Nikola Stojiljković – O sérvio soma sete golos na Liga e, tendo chegado como um ilustre desconhecido, tem aproveitado da melhor maneira as oportunidades concedidas por Paulo Fonseca e conquistado o seu espaço num ataque marcado por uma concorrência feroz. Móvel, forte no choque e com um elevado poder de finalização, este dianteiro de nome quase impronunciável promete continuar a causar estragos nas defesas adversárias. 

Rodrigo Ferreira


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