15: Orgulho Ferido

Depois de ser eliminado da Taça e de ter perdido a liderança do campeonato na última jornada, o Sporting entrava em campo com algo a provar, pese embora a vitória a meio da semana para a Taça da Liga. Do outro lado, uma equipa acabada de chegar ao topo, mas que, em virtude de um desaire inesperado e penoso, diante do Marítimo no seu reduto, acabara de ver o balão esvaziar-se rapidamente. Ambos os conjuntos encontravam-se assim feridos no seu orgulho, dispostos a lutarem arduamente pela liderança. Em Alvalade, o dragão não cuspiu fogo, sendo uma presa demasiado fácil para o leão. Apesar de mais um momento de inspiração de Rui Patrício, a formação de Jorge Jesus foi mais forte em todos os momentos do jogo, revelando a habitual qualidade na circulação de bola, sobretudo em espaços curtos, uma racional e incessante pressão sobre o opositor e um “killer instinct” personificado no seu ponta de lança. No reino verde e branco, emergiu Adrien Silva, naquela que foi a melhor exibição da sua carreira em termos absolutos. Por outro lado, Naldo foi um muro na defensiva leonina, João Mário e Ruiz acrescentaram o critério habitual e Slimani voltou a fazer das suas em jogos para campeões (desde 1982/83 que um jogador do Sporting não marcava 2 golos ao FC Porto na Liga). No meio de tudo isto, o jovem Matheus Pereira teve a possibilidade de se estrear em Clássicos, enquanto que, do lado azul e branco, os pupilos de Lopetegui demonstravam uma crise de ideias gritante. Um misto de jogo directo com transições rápidas, numa equipa sem meio-campo e apática, onde Brahimi e Danilo Pereira tentavam, sem sucesso, sacudir a mediocridade. No fim, sorriu Jesus, em contraste com o seu homólogo, que veria a contestação aumentar exponencialmente. Por outro lado, duas horas antes o Benfica entrava em Guimarães, sabendo que poderia reduzir distâncias para o topo. No entanto, a prestação dos encarnados foi confrangedora, mesmo tendo em conta as oportunidades de golo somadas. Valeram os três pontos e o golo de Renato Sanches, que com a sua irreverência e qualidade continua a acrescentar muito à turma de Rui Vitória. Em relação aos restantes encontros, destaque para o empate entre Braga e o sensacional V. Setúbal, tendo Suk (outro golaço) e Goiano voltado a ser decisivos; para o triunfo da Académica sobre o União (3.ª vitória de Gouveia); para a primeira vitória do Tondela fora de casa, tendo o conjunto de Petit surpreendido nos Arcos; e, por fim, para os três pontos alcançados pelo Moreirense no Bessa por números expressivos, tendo Rafael Martins e Iuri Medeiros brilhado novamente. Por fim, o Belenenses sobreviveu na Mata Real alinhando quase toda a segunda parte com apenas 10 unidades (Carlos Martins foi expulso), enquanto que o Nacional evitou uma derrota caseira diante do Arouca nos minutos finais. 

Equipa da Semana: Sporting – No jogo grande da jornada, os leões superiorizaram-se de forma clara a um adversário directo, somaram a quarta vitória em partidas diante dos rivais (a segunda no campeonato) e ascenderam de novo à liderança da Liga. O trabalho de Jorge Jesus é notável até ao momento, tal é a qualidade dos processos colectivos da turma verde e branca. 

Equipa Desilusão: FC Porto – Exibição cinzenta, apática, atípica. Pede-se mais ao melhor plantel do futebol português. Os dragões não fizeram uso da habitual qualidade na gestão da posse, limitaram-se a despejar bolas na frente e viveram quase sempre das tentativas de drible de Brahimi. Aboubakar poderia ter dado outro rumo ao jogo, mas aquilo que se viu do conjunto de Lopetegui em Alvalade foi demasiado curto, sendo que em termos defensivos revelaram ainda problemas nas bolas paradas e uma grande incapacidade para pressionar o meio-campo adversário. 

Melhor 11 da 15ª jornada da 1ª Liga: Stefanovic (Moreirense), João Pereira (Sporting), João Real (Académica), Naldo (Sporting), Marcelo Goiano (Braga), Renato Sanches (Benfica), Adrien (Sporting), Vítor Gomes (Moreirense), Iuri Medeiros (Moreirense), Murillo (Tondela), Slimani (Sporting)

Jogador da Semana: Adrien (Sporting) – Slimani foi o homem do Clássico, mas o capitão leonino foi o rosto da vitória e da superioridade colectiva do conjunto lisboeta. Naquela que foi a sua melhor exibição da carreira, em termos absolutos, o centrocampista encheu o campo com a sua capacidade de pressão e critério no passe. Autoritário e combativo, reduziu a pó o meio-campo adversário e viu o poste negar-lhe a possibilidade de deixar uma marca ainda maior no encontro. 

Jogador Desilusão: Maicon (FC Porto) – O central brasileiro foi o rosto da crise de ideias do conjunto de Lopetegui. Displicente em vários momentos, incapaz de dominar a sua zona de acção e a abusar dos lançamentos longos sem nexo. Após um início de temporada fulgurante lesionou-se e desde que regressou tem apresentado um nível bastante mais baixo em comparação com o que vinha sendo habitual. 

Jogador a Seguir: Iuri Medeiros (Moreirense) – O jovem de 21 anos dos quadros do Sporting tem vindo a ganhar protagonismo na turma de Miguel Leal, e já soma quatro golos e três assistências. Frente ao Boavista apontou um golo que revela a sua qualidade técnica (brilhante chapéu) e assistiu Rafael Martins. O talento está lá, minutos de I Liga também já tem de sobra, veremos se reúne a competitividade que se exige para um patamar superior.

Rodrigo Ferreira


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