10 verdades que ficam do Sporting-FC Porto

Deu Sporting no Clássico, e de maneira clara. Os leões superiorizaram-se ao FC Porto conseguindo assim recuperar a liderança na Liga com mais 2 pontos que os azuis e 4 que o Benfica. Um duelo que permitiu vincar a qualidade de Jesus, que a cada jogo vai consolidando o seu estatuto, até pela maneira como até deixa rendidos os rivais, e agravou a situação de Lopetegui no Dragão, que poderá ter consequências a médio prazo. Mas ignorando a futurologia ficam 10 ideias sobre a vitória do Sporting frente ao FC Porto, na 15.ª jornada da Liga:

1 - Ir a Lisboa voltou a ser um pesadelo para os Dragões - Há muitas décadas, antes do FC Porto se erguer como potência dominante do futebol Lusitano, os Azuis e Brancos tinham clássicas dificuldades para jogar a Sul do Mondego, e nomeadamente na Capital do país. Agora essas dificuldades estão a ressurgir, como se prova pelo facto da última vitória dos Dragões em Lisboa datar da época 2011/2012, quando o Porto de Vítor Pereira derrotou o Benfica na Luz. Desde esse desafio, são já nove as deslocações a Lisboa sem conhecer o sabor do triunfo.
2- William Carvalho não só não deu o salto que se esperava (para um jogador capaz de encher o meio-campo e ser decisivo no curso das partidas), como parece ter regredido - Os sucessos que o futebol Leonino tem obtido recentemente não podem apagar o óbvio: William está num péssimo momento, contando-se pelos dedos das mãos as exibições claramente positivas que realizou nos últimos meses, talvez até 2 anos. Passes errados, recepções falhadas, displicência com bola e pouca capacidade de ser dominante na sua área de acção foram pecados que voltaram a ser visto no Clássico, começando a ser demasiado recorrentes para que sejam apelidados somente como consequência de um mau estado de forma. É caso para perguntar: o que se passa com William?
3 - Falta um organizador a este FC Porto - Os Portistas até podem ter o melhor plantel do campeonato, mas entre as lacunas do mesmo está, claramente, a falta de um organizador. No meio-campo há elementos musculados como Danilo, há homens com um raio de acção amplo e chegada à área como André André ou Herrera, há um médio com a capacidade de passe de Ruben Neves, nas alas há um driblador como Brahimi, mas não há nenhum homem com capacidade para pausar o jogo, para o pensar, que consiga perfumar o futebol da equipa e que faça todo o colectivo jogar melhor, de forma mais fluida. Recorde-se que a melhor versão do FC Porto de Lopetegui surgiu quando, na época passada, contou com Oliver, um futebolista que, justamente, possui as qualidades acima descritas.
4 - Super-Sli dá-se bem com Clássicos - O Argelino tem sido um dos nomes maiores da época em Portugal, juntando à sua capacidade de luta, de desgastar as defesas adversárias e inconformismo na frente a registos goleadores como ainda não tinha apresentando no nosso País (já marcou mais quatro golos que na época de estreia e está apenas a um do total alcançado na passada campanha). A acrescentar a isto, Slimani começa a tornar-se num papa-clássicos, tendo, nos últimos meses, tido papel essencial na Luz (ao marcar o segundo golo e participar no terceiro) em Alvalade contra o Benfica (ao marcar o golo decisivo no Prolongamento) e contra o FC Porto (ao bisar), o que faz com que tenha um registo (sem grandes penalidades) de  4 golos ao Benfica (em 7 jogos) e 3 golos ao FC Porto (em 6 jogos), o que se torna ainda mais impressionante se virmos se estes 7 golos em 13 Clássicos são, na verdade, 7 golos em 878 minutos de utilização, o que dá uma média de um tento a cada 125 minutos de jogo.
5 - FC Porto arrisca-se a perder a Liga por "falta" de Ponta-de-Lança? - No início da época chegou a parecer que os Dragões estavam muito bem servidos na Dianteira, já que contavam com um Aboubakar em estado de graça (6 golos nos primeiros 5 jogos) e tinham ainda Osvaldo, que parecia cotar-se como alternativa válida, e André Silva, que não parava de marcar na equipa B. No entanto, hoje a realidade da frente de ataque Portista é bem distinta: Aboubakar baixou bastante a média goleadora (5 golos nos últimos 17 golos) e tem-se distinguido mais pelos falhanços, Osvaldo foi-se embora e André Silva parece estar ainda um pouco "verde" para ser o Salvador (aliás, foi bastante surpreendente que Lopetegui promovesse a estreia do jovem na Liga num jogo de tamanha importância e num contexto adverso). Face a este cenário, não será de admirar que a SAD vá ao mercado em busca de um Ponta-de-Lança.
6 - Afinal João Pereira não é o patinho feio - Contratado pelo Sporting após uma época em que praticamente não jogou, o Internacional Português rapidamente foi visto como o elo mais fraco da equipa, somando prestações medíocres, nas quais pouco contribuía a atacar e era presa fácil para os rivais a defender. No entanto, JP tem dado muito bem conta do recado nos jogos grandes, fazendo valer a sua experiência para sair a ganhar nos confrontos frente a Gaitán ou Brahimi, numa clara subida de forma que tem sido bastante importante para JJ na luta pelo título.
7- A mediocridade dos centrais do FC Porto na construção - Os Dragões até parecem ter a intenção de sair a jogar através dos seus homens mais recuados, mas a verdade é que estes comprometem constantemente no momento com bola. Indi soma más decisões e imprecisões técnicas, Maicon bate quase sempre a bola na frente sem qualquer critério, Marcano está num péssimo momento e por aqui passam grande parte das dificuldades dos Azuis e Brancos na construção, que quase nunca conseguem servir em condições o seus homens mais perigosos, obrigando-os muitas vezes a jogar "sozinhos contra o mundo".
8 - Jesus continua a fazer História - O técnico é mesmo o Homem do momento do futebol Português, e depois do Bicampeonato conquistado na Luz, parece mesmo apostado em encher de glória a sua passagem por Alvalade, a qual vai já tendo vários registos que contrariam o passado recente do clube. Depois de liderar o Sporting a três vitórias consecutivas no Derby Lisboeta pela primeira vez desde 1954, Jorge Jesus iguala agora o feito de Cândido de Oliveira, que em 1948 também guiou os Leões a quatro vitórias consecutivas em Clássicos do Futebol Português.
9 - Adrien está no melhor momento da carreira - Muitas vezes criticado pela falta de precisão no passe, pela incapacidade em fazer a diferença no plano ofensivo ou por ser demasiado faltoso, a verdade é que desde que chegou às mãos de Jorge Jesus o médio formado no Sporting deu um salto de qualidade brutal, o qual teve o seu expoente máximo no Clássico em Alvalade. Rigoroso tacticamente, incansável na pressão, o Internacional Português rouba bolas, tem mais critério do que nunca na posse e consegue mesmo chegar ao último terço para finalizar (acertou no poste de Casillas), e toda esta exuberância tem ainda mais mérito se somada ao mau momento de William, que está longe de "ajudar" Adrien.
10 - Lopetegui tem falhado sempre nos momentos decisivos - O FC Porto até costuma ter como traço de identidade a contundência com que afrontava os momentos cruciais das temporadas, agigantando-se perante os mesmos. Mas com o técnico Espanhol no banco essa é uma realidade bem distante, já que a equipa falhou em todos os momentos chave, quer na temporada passada quer na presente campanha. Com efeito, veja-se como no ano transacto os Azuis e Brancos perderam com o Sporting, no Dragão, para a Taça, foram eliminados aos pés do Marítimo na Taça da Liga e não aproveitaram os deslizes do Benfica no campeonato (o caso mais flagrante deu-se na vigésima sexta Jornada, quando o Benfica perdeu com o Rio Ave e o FC Porto não foi além de um empate na Madeira frente ao Nacional). Já esta época, o cenário parece continuar idêntico, com os homens de Lopetegui a sucumbirem em casa frente ao Dynamo Kiev, quando bastava um empate para seguir em frente na Champions League, e agora, uma jornada depois de terem conquistado a liderança isolada pela primeira vez no consulado do Basco, ao invés de aproveitarem para consolidarem essa mesma liderança viram-no ser imediatamente perdida.

Pedro Barata

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