Sp. Braga volta a eliminar Jesus; Minhotos deram espectáculo; Leões aproveitaram quase tudo o que criaram mas a defesa comprometeu; Luiz Carlos encheu o campo, laterais fizeram a diferença, Wilson Eduardo voltou a marcar ao Sporting; William pecou muito no passe; meio campo quebrou mais cedo fisicamente, Ruiz foi novamente o destaque

Sp. Braga 4-3 Sporting (Wilson Eduardo 42’, Alan 54’, Goiano 84’ e Fonte 111'; Bryan Ruíz 10’,  Slimani 57’ e William 67’)

Deu Braga, podia ter dado Sporting, mas foi essencialmente um grande espectáculo de futebol, algo que numa época que tem sido tão pobre em termos exibicionais como esta ganha ainda mais importância e que não surpreende considerando a valia dos 2 treinadores. Os gverreiros, que assim vingam a final da Taça, pelo 2.º ano consecutivo voltam a eliminar Jorge Jesus da Taça, depois de um jogo de loucos, recheados de golos e reviravoltas. As duas equipas equilibraram-se, mas o conjunto de Fonseca teve um maior ascendente e criaram mais lances ofensivos e acabaram por justificar a passagem perante um Sporting que concretizou praticamente tudo o que criou, mas que não teve capacidade para segurar as vantagens, quebrou demasiado cedo fisicamente e pesou em excesso na defesa. Ruiz foi novamente a figura dos verde e brancos; William esteve no pior (péssima 1.ª parte e vários passes errados ao longo da partida) e no melhor (belo golo), Aquilani durou pouco, jogadores que saíram do banco (ao contrário do que aconteceu no Braga) não conseguiram fazer a diferença; Nos minhotos, Luiz Carlos esteve em todo o lado, Rafa foi o que mais desequilibrou, Wilson Eduardo manteve a tradição e voltou a marcar ao Sporting, sendo que os laterais acabaram por ser decisivos ao garantirem a vitória.

Quanto à partida, o Sporting entrou com a intenção de pressionar a saída de bola do adversário, com Adrien e Aquilani em destaque nessa missão. Depois dos irmãos Eduardo (João Mário e Wilson) terem sido os primeiros a ameaçar as balizas adversárias (o Bracarense com mais perigo), foi o Sporting a abrir o activo logo aos 10 minutos, quando, após lançamento longo de João Pereira, a bola chega a Ruiz que enche o pé e bate Matheus. Depois do golo, a tónica do jogo manteve-se, com muito pouco espaço para se jogar dada o fervor que cada equipa colocava na pressão. Com efeito, tirando um lance em que Aquilani não chega a tempo à bola para se isolar e outro em que Baiano falha a recepção quando também poderia ficar só perante Patrício, não havia ocasiões. Até que, ao minuto 42, mais uma perda e bola de William Carvalho permite a Rafa isolar Wilson Eduardo, que perante Patrício não falha e faz o empate com que o jogo foi para o descanso. A segunda parte começou praticamente com uma grande acção de Ruiz, que tira um adversário do caminho e remata colocado, com Matheus a responder bem. Até que aos 54' o Braga conseguiu mesmo a Remontada: cruzamento de Goiano na esquerda e Alan, sem deixar a bola cair, dispara contra o chão e bate Patrício pela segunda vez. No entanto, a vantagem minhota durou pouco e, 3 minutos depois, Ruiz e Aquilani trabalham na esquerda e o Italiano cruza para Slimani que ganha a toda a defesa rival nas alturas e cabeceia para o empate. O jogo estava de loucos e, logo aos 67', William tenta tabelar com Aquilani, mas a bola ressalta em Ricardo Ferreira e acaba por ir parar ao médio Internacional Português que, com classe, remata colocado, sem chance para Matheus. Depois do golo, a pressão do Sporting foi caindo (notou-se a quebra física do meio-campo) e passou a haver mais espaço para o Braga, que ia definindo os lances mal, mas aos 83' Baiano e Alan combinaram bem pela direita, com o capitão a cruzar para Rafa, que recebe muito bem dentro da área e assiste Goiano que remata para fazer o 3-3 (a bola desviou em Paulo Oliveira e tornou impossível a defesa de Rui Patrício) e levar o jogo para Prolongamento. Logo aos 5 minutos do tempo extra, Rui Fonte, descaído para a direita da área, chuta com a bola a bater no poste esquerdo da baliza dos leões. Aos 110', o avançado Português chegaria mesmo ao golo, dando a melhor sequência a um cruzamento da direita de Baiano (os centrais estavam fora do lance e João Pereira não conseguiu evitar o cabeceamento), em novo lance em que os laterais do Braga foram decisivos. Até final, a equipa de Fonseca conseguiu ir queimando tempo e o chuveirinho final do Sporting não surtiu efeito, confirmando-se a passagem dos gverreiros.

Sporting Braga - Os minhotos são o único clube que, desde 2014, conseguiu tirar Jorge Jesus de um título doméstico e, sem Benfica e Sporting em prova, quererão agora conquistar o troféu que por pouco escapou na época passada. Individualmente, Matheus não teve culpas nos golos sofridos e no resto do jogo esteve competente, sendo que os centrais, apesar de terem estado bem em quase todo o jogo, não conseguiram travar Slimani no lance do segundo golo. Já os laterais foram chave no triunfo: Baiano combinou com Alan no terceiro golo e cruzou para o quarto, ao passo que Goiano fez a assistência para o segundo tento e marcou o terceiro. No meio-campo, Luiz Carlos teve o papel habitual na pressão e na posse, enquanto Rafa, apesar de ter sido intermitente, acabou por fazer duas assistências. Alan (o melhor jogador da história do Braga) voltou a dar outra lição de futebol: toma sempre a decisão certa (Gelson deveria ver alguns jogos seus), dá qualidade na posse, e desequilibra em zonas interiores e ainda marcou um belo golo. Na frente, Wilson Eduardo voltou a denotar as suas limitações técnicas mas fez o empate numa fase decisiva (já marcou ao Sporting por Olhanense, Académica e agora Braga) e o suplente Rui Fonte foi decisivo, fazendo o golo da vitória já depois de ter acertado no poste.

Paulo Fonseca - O seu conjunto está num nível muito alto e com isso a sua cotação vai voltar a subir. Uma equipa personalizada, bem trabalhada, com comportamentos de "grande" (convicção na sua ideia, vontade de ter posse e de dominar o jogo, linhas subidas, etc) e que valoriza o futebol português. PF, ao contrário de Jesus, foi fiel às suas ideias (manteve os 2 avançados na frente), e a sua equipa deu espectáculo, jogou no risco, foi sempre mais incisiva, e mesmo estando a perder por duas vezes, soube contrariar o jogo do líder e mereceu ser feliz.

Sporting - Primeira derrota interna, primeiro grande revés da temporada desde Agosto (altura da eliminação da Champions) e possibilidade de defender o título conquistado a época passada gorada. Jorge Jesus voltou a ser eliminado pelo Braga e hoje, quando o meio-campo perdeu gás, pareceu não haver soluções para contrariar o crescimento do adversário, com a entrada de "agitadores" a não surtir efeito. Os Leões não criaram muitas ocasiões mas uma vez tiveram uma eficácia tremenda, mas desta feita a defesa não esteve à altura e isso foi fatal. Rui Patrício sofreu 4 golos em que teve poucas culpas, tendo os maiores culpados estado à sua frente: a dupla Paulo Oliveira - Ewerton teve dificuldades com o ataque Bracarense (Naldo quando entrou também não melhorou o nível) e os laterais sofreram com os companheiros de posição do adversário. William Carvalho, para além do golo de classe que marcou, fartou-se de errar, falhando inúmeros passes e recepções e tendo dificuldades para controlar a sua área de jurisdição. Adrien e Aquilani foram importantes na primeira hora de jogo na pressão (o Italiano ainda fez uma assistência), mas não só quebraram cedo como com bola não acrescentaram muito, tendo Ruiz sido de novo o homem que mais qualidade individual deu: um belo golo, participação noutro e um dos poucos (ou o único) remate perigoso dos Verde e Brancos. Slimani voltou a deixar a pele em campo e a marcar praticamente na única oportunidade que teve, enquanto Gelson entrou com muita vontade mas definindo terrivelmente mal (não deu boa sequência a um único lance).

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