Sacked One

Imagem: Sky Sports
No futebol, tal como em todos os outros campos da vida, para além dos momentos marcantes, há as pessoas que assim os tornam. Figuras que extravasam os parâmetros comuns de mediatismo, seja para o bem ou para o mal. Umas são mais especiais, outras são mais felizes. Uma, José Mourinho, coaduna ambas as vertentes. Mas não hoje. Nem durante os últimos meses. Neste momento, ganha o rótulo de "despedido". A sua equipa, que praticamente passeou na última edição da Premier League, passou por uma viagem, neste início de temporada, demasiado turbulenta para ser verdade. Não houve tática, não houve motivação, não houve união, não houve nada. A derrota perante o líder e o Championship a apenas um ponto de distância tornaram fatal o veredito de Abramovich. Mais os milhões da praxe.

Foi-se o agora "Sacked One", ficam as questões: Quem será o seu sucessor? Interino ou definitivo? Irá o Chelsea melhorar a partir de agora? A Champions, numa perspetiva à Di Matteo, será possível? E claro, o que se segue para o agora ex-treinador dos Blues após um período que se espera sabático? Sendo que esta última pergunta encontra-se intrinsecamente relacionada a uma outra: Terão estas semanas apenas arranhado o estatuto do português ou este foi completamente arrasado? É que apesar de tudo não se pode ignorar grandes feitos registados ao longo da sua carreira - foi campeão europeu, por duas vezes, ao comando de outsiders; e é, entre outras coisas, o treinador com a melhor % de vitórias da Premier League. Se considerarmos a hipótese dum simples arranhão, então uma permanência em Inglaterra deverá significar uma mudança para Old Trafford. Van Gaal também já viveu melhores dias e este casamento - Mourinho/ United - já esteve para acontecer antes. Por outro lado, a relação do Liverpool com Klopp está ainda nos seus primeiros dias, no Emirates "divórcio" é uma palavra proibida, enquanto que no Etihad não faltarão mimos para conquistar Guardiola. Fora de portas, e à exceção de um ingresso no PSG ou Bayern, qualquer projeto (bem-sucedido) se revelaria propício ao readquirir de algum do valor que parece ter perdido ultimamente. A Premier League é que fica (temporária e) ligeiramente mais pobre por tudo aquilo que o setubalense significava em Londres.

Esta é a quinta "chicotada" em cinco meses, apenas menos uma do que todas as registadas no decorrer da época passada. Notável, contudo, é perceber que nomes como Ranieri ou Quique Flores não se encontram no lote. Com uma dinâmica ofensiva mortífera e uma defesa incrivelmente coesa, voltaram a triunfar, e se o primeiro é mesmo líder, o segundo bate às portas da Europa. McClaren é que esteve na calha para saír, até alcançar duas impensáveis vitórias - ao Liverpool e em White Hart Lane. O Bournemouth foi quem também viveu uma semana de sonho, batendo agora o Manchester United no seu terreno, já após ter travado o campeão. Inesperado foi igualmente o empate entre Liverpool e West Brom em Anfield. Klopp continua a não somar os pontos teoricamente mais fáceis ao passo que Machester City e Arsenal não vacilaram, assim como não descolaram dos Foxes. De resto, e em embates entre equipas de valia semelhante, só o Palace somou os três pontos e merece destaque pela presença no Top 6.

Onze Ideal da Jornada 16 da Premier League: Butland (Stoke); Nyom (Watford); Olsson (West Brom); Wollscheid (Stoke); Ward (Palace); Kanté (Leicester); Ramsey (Arsenal); Cabaye (Palace); Mahrez (Leicester); King (Bournemouth) e Ighalo (Watford).
MVP: Butland. Uma autêntica máquina de fazer defesas. Diante do West Ham, deu mais uma amostra de tudo aquilo de que é capaz, com um leque de intervenções ditas "do outro mundo". O Stoke, muito graças a si, somou cinco clean sheets na última dúzia de rondas e o mesmo já começa a exigir a titularidade em França.
Jogador a Seguir: Origi (Liverpool). É caso para dizer "Finalmente!". O belga, que, levantou enormes expetativas após o Mundial 2014, parecia ter desaparecido desde então mas com o golo do empate frente ao WBA nos últimos suspiros do encontro revela que que não quer ver furado o hype que se criou à sua volta. Klopp tem "mexido" com alguns jogadores e pode perfeitamente tornar-se no clique que o avançado precisava para finalmente explodir.
Treinador da Jornada: Steve McClaren (Newcastle)
Melhor Jogo: Sunderland vs Watford (0-1)
A Desilusão: Tottenham. Terminou da forma menos ortodoxa a fantástica série de 14 jogos sem perder dos Spurs. É que ver cessada essa mesma série pelos Magpies, e em casa, é muito mau. Embora o castigo acabe por ser algo merecido. Os pupilos de Pochettino tiveram a faca e o queijo na mão mas perderam várias oportunidade de setenciar o desafio. Não o fizeram, e acabaram por sofrer da síndrome da vantagem mínima. Não apenas perderam pontos como não somaram qualquer um, com os dois tentos algo tardios a serem também algo consentidos pela sua defensiva, passando as culpas tanto pelo guarda-redes como pelos defesas.
Menção Honrosa: Alan Curtis. "Quem é este homem?", perguntarão alguns de vocês. Trata-se do treinador interino do Swansea, que na ressaca do afastamento de Monk, tomou as rédeas da uma equipa que se encontrava na mó de baixo, tanto em termos exibicionais, como em termos psicológicos e de resultados. O objetivo imediato não era fácil - sobreviver na casa do candidato número 1 ao título. E a verdade é que não foi possível regressar ao País de Gales com pontos, mas por aquilo que os Swans demonstraram, se houvesse justiça no futebol ela ordenaria que tal acontecesse. O confronto deste domingo será essencial para perceber se o "efeito chicotada" funcionou mesmo embora mais tarde ou mais cedo, deva chegar alguém com maior bagagem ao Liberty. Bielsa é um dos nomes cogitados. Depois de Klopp, e supostamente antes da chegada de Guardiola, seria mais um reforço de peso para os bancos do campeonato inglês.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Marco Rodrigues

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