Melhor treinador do Mundo em 2015

Vivem-se tempos triunfais em Madrid. O Atlético vem de uma inacreditável vitória na Liga BBVA, ultrapassando os colossos espanhóis que, em épocas anteriores, tinham vindo a repartir entre si as conquistas domésticas. O Real, por seu turno, está na ressaca da ambicionada "Décima" Liga dos Campeões. Em dezembro, no fecho da jornada 15, e antes do Mundial de Clubes, os "merengues" lideram destacados a Liga, com mais 4 pontos que o segundo classificado. Simultaneamente, os comandados de Carlo Ancelotti batem o recorde de vitórias consecutivas, em todas as provas, por um emblema castelhano: são 20, a 12 de dezembro. Não é de estranhar, portanto, que o Santiago Bernabéu se ilumine com alegria e felicidade – e está tudo muito bem encaminhado para terminar, de vez, com a hegemonia do Barça.

A sensivelmente 600 Km de distância nordeste, a história é outra. Em Barcelona, Luis Enrique tarda em afastar o fantasma do seu antecessor, o malfadado "Tata" Martino, que havia deixado os blaugrana no caos. Após 15 jogos na Liga, os 4 pontos de distância para o grande rival não abonavam a favor do técnico, que não encontrava rumo. Aliás, toda a equipa se vê sob "fogo cruzado". Questionavam-se os 12 Milhões de Euros desembolsados por Claudio Bravo, a permanência do "efeito Shakira" em Piqué, o envelhecimento de Xavi, o absurdo que fora o dinheiro gasto por um jogador problemático e que tardava em impor-se no trio ofensivo. Em Camp Nou, sonhava-se com Pep Guardiola, o filho pródigo, ao mesmo tempo que se falava abertamente em despedimento do treinador principal.

Porém, 2015 foi o ano de viragem. Desde a derrota em casa da Real Sociedad, a 4 de janeiro, até ao empate em Sevilla, a 11 de abril, o Barcelona, nos 21 jogos que realizou, em todas as competições, somou 19 vitórias e 1 desaire – derrotou o Atlético de Madrid por 3 vezes, bisou contra o Manchester City e ainda triunfou ante o Real. Daí até ao final da temporada, os da Catalunha foram igualmente avassaladores. Na reta final, nos momentos decisivos, o conjunto barcelonista não baqueou – ao todo, nas 11 partidas restantes, foram 10 vitórias, que asseguraram o "triplete" (Liga, Taça e Champions) e apenas uma derrota, em Munique. Como ironia final, alguns dos elementos mais criticados assumiram-se como peças basilares. Suárez integrou-se como poucos conseguiriam no trio MSN; Piqué regressou ao nível que apresentava com o agora timoneiro do Bayern; Bravo foi o keeper titular ao longo de toda a campanha na Liga.

É certo que a qualidade individual ajuda – e muito – ao sucesso coletivo, e a verdade é que quem tem Messi, Neymar e Suárez arrisca-se a vencer tudo. Contudo, bons jogadores não fazem uma boa equipa e se os blaugrana se tornaram numa "máquina" quase perfeita, em muito o devem a Luis Enrique, o treinador do ano, que superou a pressão e as dúvidas inicias para se converter no "arquiteto" do segundo "triplete" da história do Barça, associando às conquistas um futebol requintado, de posse e muito tiki-taka, que se tem mantido mais ou menos constante no segundo semestre do ano.

Vários outros técnicos também merecem menção. Massimiliano Allegri conquistou o Scudetto, a Taça de Itália e ainda alcançou a final da Champions ao serviço da Juventus; Unai Emery deu nova Liga Europa ao Sevilla; Jorge Sampaoli, com um futebol ofensivo, nos limites, venceu a Copa América com o Chile; Guardiola e Laurent Blanc continuam o passeio em, respetivamente, Alemanha e França; Diego Simeone continua a tornar o Atlético num "oásis" espanhol; José Mourinho, pese a terrível nova temporada, conquistou a competitiva Premier League; Mauricio Pochettino vai levando o Tottenham a bom porto; Claudio Ranieri acaba o ano em 1.º na Liga Inglesa, ao comando do... Leicester; Jorge Jesus triunfou no campeonato português e protagonizou a transferência do ano em Portugal.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): António Hess

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