Melhor Treinador do Ano em Portugal

Gaitán, Bruno de Carvalho, Nani, Carrillo, Brahimi, Lopetegui, Pinto da Costa, Vieira, Jonas, todos foram "engolidos" por Jorge Jesus. 2015 a nível nacional foi essencialmente o ano do Mestre da Táctica. Ninguém teve tanto protagonismo, ninguém brilhou tanto como JJ.

Quando há um treinador que dá um bicampeonato a uma equipa que não o conseguia há 31 anos, terá de ter algum factor que o torna especial. Jesus saiu do Benfica com a certeza de que, nos 6 anos que esteve na Luz, conseguiu a missão de devolver os títulos ao clube encarnado e, mais do que isso, de deixar o clube com a hegemonia (ou, pelo menos, a caminho dela) no futebol português. Era preciso consolidá-la nesta temporada, mas o técnico não se sentiu desejado e decidiu rumar ao rival lisboeta. Se pusermos o parte o argumento de que o Sporting é o clube do coração de Jesus, essa mudança podia ser apelidada de loucura. Afinal, estava a trocar uma equipa feita, moldada à sua imagem e com mentalidade vencedora, por outra que tinha tido mais um ano de falhanço do principal objectivo e sem a capacidade financeira que permita grandes reforços, como sempre teve na Luz. Mas Jesus gosta de desafios e, para já, vai dando aos leões coisas que anteriormente não tinham. Uma delas, provavelmente a mais importante para os adeptos verde e brancos, é a capacidade de derrotar o rival. A normalidade dos últimos anos tinha sido o Benfica ganhar ao Sporting, agora parece ser precisamente o inverso. Jesus é o rei dos derbies, conseguindo bater recordes impensáveis há um ano atrás: desde 1948 que os leões não venciam por 3 golos na Luz e há 60 anos que não derrotavam os encarnados 3 vezes consecutivas. Numa delas, conquistou um troféu. Goste-se ou não da postura, JJ tem indiscutíveis qualidades como treinador e o Sporting vai passar o Natal bem metido na luta pelo título, tendo passado a maior parte do campeonato na liderança. Mesmo com o falhanço na Champions, um revés nas aspirações leoninas, o objectivo prioritário dos leões é totalmente alcançável, até porque os rivais não estão a atravessar períodos de grande fulgor. Com um plantel menos vasto do que aqueles que teve no Benfica e com a agravante de ter perdido Carrillo, um dos melhores jogadores do clube, Jesus tem tentado fazer uma gestão que permita o foco no campeonato (embora sem abdicar dos restantes troféus), pois sabe que o elenco verde e branco não tem profundidade suficiente para jogar na máxima força em todas as competições. JJ tem os adeptos do Sporting do seu lado, tem Bruno de Carvalho completamente crente de que o "all-in" que fez tem tudo para dar certo e o próprio treinador campeão, como se nota pelo seu discurso, parece plenamente confiante de que os leões podem conquistar o título que lhes foge há 13 anos.

T. Cunha

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