Melhor sub-21 do Ano em Portugal

“Trinco”, “número 6”, “volante”, “pivot”, médio defensivo. Várias palavras para definir a mesma posição no terreno de jogo que, para muitos entendidos, é a mais importante no esquema  duma equipa. Há, também, diversos modos de interpretar a mesma, em função das caraterísticas dos jogadores que a ocupam. Uns, utilizam a imponência e disponibilidade física como trunfos, como em tempos Patrick Vieira e Claude Makélélé mostraram. Outros, fazem-se valer da rigidez e perfeita compreensão tática, ao exemplo de Paulo Sousa, Fernando Redondo e, mais recentemente, Sergio Busquets. Numa análise superficial compreende-se, desde logo, as enormes distinções entre os dois estilos de “6” mencionados. Porém, apesar de tudo, há algo que os une, algo que qualquer jogador que atue nesta zona possui, obrigatoriamente: maturidade. Se analisarmos a idade com que alguns dos melhores “trincos” das últimas duas/três décadas se impuseram nos respetivos clubes, atingimos uma conclusão deveras interessante, a de que é necessária uma enorme capacidade mental para o fazer. Não é por obra do acaso que Paulo Sousa, Redondo e o melhor “pivot” da atualidade assumiram as rédeas dos seus emblemas com 20 anos. Pois bem, Rúben Neves, o melhor jovem de 2015 em Portugal, consegui-o com 17.

Se o ano passado foi de revelação, este foi de confirmação. Ao ceticismo inicial, Neves respondeu com firmeza. De janeiro a maio, apesar do fracasso que foi a época do FC Porto, ficam na retina uma série de boas exibições, mesmo em cenário adverso, como na derrota em Munique, ante o Bayern, na qual o português, no centro da desordem geral, demonstrou uma tranquilidade e liderança assinalável. Para 2015/16 , o “miúdo maravilha” surgia com estatuto renovado, maior preponderância e exigência igualmente superior. Porém, nem por isso o centrocampista se deixa pressionar. Aliás, bem pelo contrário. Em outubro tornou-se no mais jovem de sempre a capitanear a sua equipa na Champions, enquanto que no mês seguinte se estreou pela seleção nacional. Sem surpresas, também a este nível Rúben se superiorizou aos médios supramencionados.

Classe, rigor, inteligência, maturidade. Tudo consumado no corpo de um jovem entusiasta de 18 anos. Não é exercício simples descobrir exemplo semelhante a nível mundial, ainda para mais considerando a exigência e especificidade da posição que ocupa. A capacidade de decisão, de simplificar todos os processos do jogo, de interiorizar e explanar o que cada situação pede, de entregar a bola bem “redondinha”, enfim, de ser líder é um caso ímpar a uma escala nacional e raro a nível europeu. Como tal, a distinção de melhor jovem do ano em Portugal (para a qual apenas são considerados elementos sub-21) assenta bem ao portista.

Contudo, vários outros atletas, entre os que nasceram até 1994, merecem menção. Diogo Jota tem dado espetáculo, sendo um dos destaques de um Paços de Ferreira em boa forma; Gonçalo Guedes conquistou a titularidade no Benfica de Rui Vitória, somando três golos na Liga; Carlos Mané, apesar de ter perdido importância com Jesus, teve um primeiro semestre interessante com Marco Silva; Léo Bonatini, mesmo com as fragilidades do Estoril no momento ofensivo, tem dado boa conta do recado, com 7 tentos (os “canarinhos” somam apenas 11) na Primeira Liga ao cabo de 14 jornadas; Danilo, não obstante o facto de ter feito somente meio ano no nosso país, esteve irrepreensível em Braga; e Fábio Sturgeon foi indiscutível com Lito Vidigal, Jorge Simão e Ricardo Sá Pinto.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): António Hess

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