Melhor 11 de 2015 a nível nacional

Num ano marcado pelo bicampeoanto do Benfica, pelo regresso do Sporting  aos títulos, interrompendo assim um jejum que durava desde 2008, pela boa campanha do FC Porto na Liga dos Campeões, por uma série de bons trabalhos ao nível dos clubes com menores ambições e por um defeso escaldante, marcado por uma série de trocas e transferências inesperadas, o Visão de Mercado apresenta aquele que foi o melhor 11 de 2015, conjugando aqueles que obtiveram um melhor rendimento nas respectivas posições:

Guarda-redes: Júlio César (Benfica) – Na baliza, o melhor guardião da Liga em termos absolutos e que foi determinante na conquista do título encarnado. Apesar dos 36 anos, o brasileiro continua com reflexos apuradíssimos e com uma agilidade invejável, sendo de destacar as enormes defesas que faz quase em todos os jogos. No presente campeonato tem tido momentos menos bons, mas responde quase sempre com uma grande estirada logo de seguida, sendo que a expressão “guarda-redes que dá pontos” encaixa-lhe perfeitamente. 

Lateral Direito: Maxi Pereira (Benfica/FC Porto) – À direita da defesa, um uruguaio que cometeu a proeza de trocar o clube campeão em Maio pelo maior rival das últimas décadas. Em Portugal desde 2007, Maxi conhece como poucos o nosso campeonato e denota uma regularidade assinalável, tão impressionante como a sua entrega ao jogo. Autor de 10 assistências e 3 golos em 2015, este titular da selecção celeste continua a assumir um grande protagonismo no clube que actualmente representa, tal como já acontecia ao serviço das águias.

Central Lado Direito: Paulo Oliveira (Sporting) – No eixo defensivo, um elemento que tem marcado a sua carreira pela estabilidade e pelo crescimento sustentado. Mal amado pelas lacunas técnicas que possui, é muito competente no capítulo puramente defensivo, estando cada vez mais preciso na antecipação e no desarme. Foi igualmente importante na final da Taça de Portugal e, quando muitos o apontavam como possível descartável por parte de Jorge Jesus, a verdade é que o antigo central do V.Guimarães tem sido indiscutível na defesa leonina. Todavia, importa referenciar Luisão, peça nuclear do Benfica na conquista do título, naquela que foi provavelmente a sua melhor temporada em Portugal. Ainda assim, a irregularidade e a lesão na presente temporada retiram algum brilho ao ano do brasileiro.

Central Lado Esquerdo: Jardel (Benfica) – Ao lado do famalicense, o melhor defesa do Benfica em 2015. Tido como “patinho feio” do plantel há algum tempo atrás, o brasileiro fixou-se no centro da defesa após a saída de Garay e desde aí tem actuado a um nível muito elevado. Fortíssimo nos duelos, no jogo aéreo defensivo e ofensivo (4 golos marcados, sendo um deles – o de Alvalade - absolutamente crucial no título) e rápido, o antigo central do Olhanense parece melhor do que nunca aos 29 anos.

Lateral Esquerdo: Alex Sandro (FC Porto) – A fechar o quarteto defensivo, o melhor lateral esquerdo que esteve em Portugal neste século, algo que o ajuda a entrar neste 11, apesar de só ter cumprido 5 meses do ano em solo luso. Defensivamente é praticamente perfeito e no apoio ao ataque é igualmente competente, sendo que o impacto que teve quando comparado com os concorrentes internos (Layún esteve apenas 4 meses e teve poucos adversários de alto nível no caminho, Jefferson e Djavan foram irregulares, Eliseu nem sempre acrescentou o que se pedia, sobretudo nesta segunda metade) foi superior.

Médio Defensivo: Danilo Pereira (Marítimo/FC Porto) – Despoletou uma luta directa entre leões e dragões no último defeso, sendo o único português indiscutível no 11 de Lopetegui. No Marítimo já se evidenciava como um dos melhores 6 da Liga, sendo particularmente impressionante a sua capacidade de ocupação do espaço, poder físico e velocidade, tendo também evoluído bastante ao nível do passe, mas na Invicta ganhou outra dimensão (é um titular da Selecção nesta fase) e tem apresentado um rendimento bastante satisfatório. Por outro lado, Samaris vinha sendo o melhor médio defensivo da Liga, mas perdeu protagonismo na nova época.

Médio Centro: André André (V.Guimarães/FC Porto) – No miolo do terreno, uma unidade que foi pedra basilar na boa temporada do V.Guimarães e que assumiu um protagonismo pouco expectável no Dragão durante certa altura, tendo mesmo merecido uma atenção especial por parte de Fernando Santos. Autor de 11 golos por equipas portugueses no respectivo ano civil (com destaque para o tento diante do Benfica), o filho de uma antiga glória dos portistas teve o melhor ano da sua carreira, superando assim a fraca concorrência nesta posição.

Extremo Direito: Marega (Marítimo) – Na faixa direita, o único jogador sem qualquer tipo de ligação a um grande do nosso futebol. Foi diversas vezes associado a Benfica e, sobretudo, Sporting no defeso, mas permaneceu na Madeira e, tirando alguns episódios menos felizes a nível disciplinar, tem sido a unidade mais desequilibradora dos maritimistas neste período. Em 2015, soma 11 golos e 8 assistências no total, números que esmagam a concorrência, principalmente devido à novela Carrillo e à lesão de Salvio, que seriam os principais candidatos ao lugar.

Extremo Esquerdo: Gaitán (Benfica) – Do lado esquerdo, o elemento mais desequilibrador e com mais qualidade técnica do nosso campeonato. 5 golos e 15 assistências são os números de Nico em 2015, o que demonstra a sua grande qualidade de último passe. É talvez o elemento que melhor cruza em Portugal, sendo também forte nas bolas paradas e dotado de uma capacidade de aceleração e habilidade brutais. É anunciada a sua saída ano após ano, mas por cá continua a espalhar magia e neste posto não há concorrência interna que lhe resista.

2º Avançado: Jonas (Benfica) – No apoio ao ponta de lança, o jogador mais concretizador do futebol português em 2015. 36 golos e 16 assistências ajudam a explicar a preponderância do brasileiro no Benfica, sendo o melhor marcador da actual Liga até ao momento. Dotado de uma grande qualidade técnica, habilidade, poder no jogo aéreo e uma frieza extraordinária na finalização, Jonas acaba por ser o abono de família das águias, correspondendo praticamente sempre com golos, mesmo quando as exibições não são tão auspiciosas. 

Ponta de Lança: Slimani (Sporting) – Na frente de ataque, o goleador de serviço dos leões. A sua entrega sempre foi enorme, mas com Jesus o argelino ganhou outra dimensão, sendo cada vez mais indiscutível para o treinador dos verde e brancos. Possui algumas lacunas técnicas evidentes e nem sempre toma a melhor decisão, mas a sua eficácia (19 golos), sobretudo nos jogos grandes, combatividade e capacidade de pressão sobre os adversários causam muita mossa e tornam-no assim no melhor avançado centro da Liga, superando nomes como Jackson Martínez, Aboubakar, Suk ou Hassan. 

Rodrigo Ferreira

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