Lopetegui manteve a tradição e o FC Porto caiu; Dragões, sem avançado e com três centrais, foram a presa que o Chelsea precisava; Marcano pecou na defesa; Brahimi tentou fazer tudo; Danilo foi o único destaque positivo

Chelsea 2-0 FC Porto (Marcano 12' p.b. e Willian 52')

Terminou mais cedo o percurso do FC Porto na Champions esta época, num dia histórico pela negativa para Casillas que pela 1.ª vez na carreira vai jogar a Liga Europa. Os dragões foram derrotados pelo Chelsea e com a vitória do D. Kiev frente ao Maccabi (1-0, golo de Garmash) acabaram a fase de grupos apenas no 3.º lugar do grupo G. Lopetegui, como manda a tradição, inventou (os técnicos portistas gostam sempre de inovar em Inglaterra, como foram disso exemplo as apostas em Costa e Nuno A. Coelho), apostando numa táctica com 3 centrais e sem um avançado centro, algo que não resultou: a defesa (com Marcano em destaque pela negativa) deu muito espaço e o ataque não existiu (Courtois praticamente não foi chamado a intervir). A contrastar com um conjunto portista sem ideias, apesar de Brahimi ter dado tudo para se evidenciar na maior montra do futebol, apareceu um campeão inglês apostado em salvar a época, que mesmo sem ser brilhante (apesar de ter tido oportunidades mais do que suficientes para alcançar um resultado mais expressivo), com unidades como Willian, Óscar e Diego Costa em destaque, fez o suficiente para segurar o primeiro lugar.

Quanto à partida, o FC porto entrou num sistema diferente do seu habitual, com Lopetegui a apostar em 3 centrais e com Brahimi e Corona soltos na frente. O encontro teve um início intenso e Brahimi foi o primeiro a testar Courtois num cruzamento-remate. No entanto, no minuto 12 surge o primeiro golo do jogo. Perda de bola dos dragões, com Diego Costa a ganhar sobre Marcano (péssima abordagem) e isolar-se perante Casillas, o guardião espanhol ainda defendeu mas a bola ressalta em Marcano e entra (Maicon ainda tentou evitar, mas a bola ultrapassou a linha). A partida continuou na mesma toada, muito disputada e intensa, mas foi novamente o Chelsea a estar perto de marcar. Grande jogada dos Blues, com Willian a dar de calcanhar para Oscar, que vê o seu remate desviado em Marcano e a rasar o poste. Até ao fim do primeiro tempo poucos motivos de interesse, à excepção de um remate de Diego Costa que Casillas desviou para canto. A segunda parte começa com mais uma oportunidade para os homens da casa, mas o guarda-redes portista voltou a estar à altura ao defender um remate de Willian. No entanto, num lance de “déjà vu” os londrinhos chegaram mesmo ao 2.º. Ataque rápido, Hazard solta para Willian na direita, que, com um autêntico míssil, desta vez não perdoou. Em desvantagem por dois golos, Lopetegui lançou Rúben Neves e Aboubakar, voltando ao sistema táctico habitual. À passagem do minuto 63, os dragões dispuseram da primeira real oportunidade de golo, com Brahimi em boa posição a rematar mas a bola a desviar num defesa dos Blues e a sair ao lado. No entanto, o Chelsea parecia ter o encontro controlado, explorando o contra-ataque. Tello ainda pôs à prova Courtois, mas foi de novo a formação da casa a estar muito perto do golo, quando Hazard viu um remate seu bater no poste numa dessas transições rápidas. Diego Costa também falhou uma recepção que o deixava isolado. Até ao final, o FC Porto ainda tentou reduzir, mas Courtois nos poucos lances que teve de intervir mostrou-se muito seguro e já no período de descontos Brahimi (o mais inconformado) remata um pouco ao lado, num lance de grande nível.

FC Porto - 10 pontos até seriam suficientes na maior parte dos grupos mas neste era impossível errar e a derrota com o D. Kiev foi fatal. Um desaire que certamente irá pesar em termos financeiros, não ignorando que este plantel tem muitos elementos "modo Champions", que agora podem perder alguma motivação.

Lopetegui - o treinador portista voltou a "inventar" com a ausência de Aboubakar no 11 e com a utilização de um 3-5-2 inédito na sua passagem pelos Dragões. O esquema falhou a toda a linha com o melhor período portista (esquecendo a parte final do jogo em que o Chelsea entrou em descompressão) a ser nos minutos iniciais da partida em que a equipa conseguia circular no meio campo adversário, ainda que sem o materializar em oportunidades. O trio de centrais teve imensas dificuldades com Diego Costa, Maxi e Layún pouco fizeram como alas e a melhor unidade do meio-campo foi Danilo, somando uma exibição de excelente nível num contexto de grande exigência. Fartou-se de recuperar bolas e fechar espaços, apelando constantemente à dimensão física para fazer impor o seu futebol. Mais à frente, Brahimi e Corona apareceram soltos e voltaram a ser dos mais inconformados nos Portistas, tentando sempre a criação de desequilíbrios individuais em situações de inferioridade numérica, mas raramente fizeram a diferença, até porque quando isso acontecia faltava sempre uma unidade referência na frente. Até final do jogo, Lopetegui lançou Aboubakar, Tello e Rúben Neves e os azuis e brancos ganharam mais poder de fogo na frente, muito embora a partida já tivesse numa fase em que o Chelsea pareceu consentir o domínio ao adversário.

Chelsea - Vida fácil para Mourinho, que com a passagem aos oitavos de final da Liga dos Campeões alivia alguma pressão. O Português, ao contrário de Lopetegui, não inventou e, após o primeiro golo, o seu conjunto dominou o encontro. A forma como Matic e Ramires impediram o Porto de circular por dentro do bloco dos londrinos foi decisiva para que a equipa se mostrasse forte sem bola. E quem tem Hazard e Willian (hoje o Brasileiro esteve mais activo, não só pelo golo) sente-se sempre confortável nas transições, ainda para mais com Diego Costa que deixou clara a diferença de velocidade/potência face aos centrais do Porto.  Ainda assim, e nos momentos mais críticos a equipa nunca abanou e a aposta de Mourinho em Zouma voltou a ser ganha, com o Francês a dar velocidade a última linha do Chelsea.

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