«Hoje em dia, tirando duas ou três equipas, não conseguimos ver futebol. Vemos outra coisa»; «Defesas baixos? O ideal era que fossem de 1m90, mas no nosso modelo prefiro médios a centrais»

Concorda com o seleccionador chileno? O futebol, com esta onda de treinadores pragmáticos, que tem dificuldades em valorizar o jogo com bola e o momento ofensivo, está a perder interesse?

Jorge Sampaoli é um dos técnicos do momento, o argentino, que venceu a última Copa América, concorre com Guardiola e Luís Enrique pelo título de melhor do Mundo em 2015, e tem sido associado a varias equipas europeias e sul-americanas. Numa entrevista à Cadena Cope revelou que ainda não sabe se vai continuar ao serviço da selecção chilena, depois das eleições na federação do Chile marcadas para Janeiro, e abriu um pouco o livro sobre a maneira como vê o desporto Rei. «O que quero é encontrar o futebol do passado para melhorá-lo, para que tenha mais alegria, para que os adeptos desfrutem mais e não se conformem apenas em ganhar. Gostaria de estar num lugar em que se valorizasse a vontade de jogar melhor. Hoje em dia, tirando duas ou três equipas, não conseguimos ver futebol. Vemos outra coisa. Se quero ver bons jogadores vejo o Barcelona. Se quero ver uma boa equipa vejo o Bayern. Mas a conclusão a que chego, quando termina o fim de semana, é que vi muito pouco», referiu. Quanto às suas referências, e apesar de ser uma espécie de discípulo de Marcelo Bielsa, Sampaoli elogia Diego Simeone, por «ter conseguido que a equipa mate pela sua ideia de jogo», mas reconhece que é Guardiola que o fascina. «Vai evoluindo de acordo com o que precisa. É alguém que está sempre a evoluir, que tem jogadores comprometidos com a sua ideia, sobre a qual pode refletir, e que pode modificar facilmente pela crença que gera. Tentamos evocar este Bayern. Aquilo que não negociamos é o protagonismo desmedido, que nos permite dominar e não ser dominados, defendermos muito com bola.» No que diz respeito à selecção do Chile, o argentino assume a sua obsessão pela posse de bola, revelando que essa também é uma das razões porque adapta médios a centrais, mesmo que isso fragilize a equipa defensivamente, principalmente nos lances de bola parada (por norma Vidal, com 1m80, é o jogador mais alto do Chile). «Se jogarmos bem e tivermos sempre a bola, não haverá canto, livre ou coisa alguma que nos afete». Acrescentando: «Aqueles que renunciam à posse de bola dizem que são as equipas com mais posse de bola que mais perdem. Se não transformas o domínio em situações de golo acabas por ser uma equipa que ganha pouco mais do que uma ideia.» Quanto à defesa:«O ideal seria ter centrais de 1m90 que joguem bem. Mas tendo em conta as nossas prioridades precisamos de médios a jogar como centrais, para que o início de construção de jogo seja bom. Se o início não for bom o final será pior

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