FC Porto consegue reviravolta apesar do desperdício de Aboubakar; Mexicanos voltaram a resolver; Paços apresentou bom futebol mas erro de Baixinho deitou tudo a perder; Marafona esteve em destaque

FC Porto 2-1 Paços de Ferreira (Corona 28', Layún 64' g.p.; Bruno Moreira 7')

Não foi fácil, a exibição na 1.ª parte até mereceu alguns assobios do Dragão, mas o FC Porto cumpriu frente ao Paços e colocou assim pressão no Sporting. Um resultado (2-1), consumado através de uma reviravolta, que espelha bem as dificuldades dos portistas, que, perante um conjunto pacense organizado e sempre com muita qualidade na transição, tiveram de se agarrar às individualidades (principalmente Brahimi) para chegar ao empate e a um erro do adversário para conseguir os 3 pontos. Aboubakar, que falhou golos de todas as maneiras e feitios (até completamente isolado), também não ajudou; Já Corona (6.º jogo em 7 jogos para a Liga) e Layún, que não param de aumentar as estatísticas, voltaram a ser decisivos, num jogo em que Lopetegui, como tanto queria, deu finalmente a conhecer o marcador de penaltis do FC Porto. No Paços (que quebrou um jejum de 16 jogos dos portistas sem sofrerem golos no Dragão), Marafona, com várias defesas de bom nível (tirou golos cantados a Tello e Aboubakar), foi a grande figura, Edson e Jota nas transições também estiveram em evidência, mas Marco Baixinho, com um duplo erro grave no lance do 2-1 (mau atraso e penalti displicente) acabou por ser o principal destaque.

Quanto à partida, o FC Porto até começou perigoso,e logo aos 4 minutos Maicon corresponde de cabeça a um canto da esquerda de Layún, com Marafona a realizar uma boa defesa, mas foi o Paços a fazer algo que ninguém conseguia há 16 jogos para a Liga (quase um ano): canto na direita, com a defesa do FC Porto a cortar mas Ricardo consegue assistir Bruno Moreira que, solto no coração da área, bate Casillas. Os Dragões tentaram reagir e aos 13’ Corona aproveitou um mau passe dos Castores para isolar Aboubakar, tendo Ricardo evitado que o remate chegasse à baliza. A equipa de Lopetegui, apesar de, naturalmente, ter mais posse e domínio, estava algo imprecisa ao nível do passe, o que levava a dificuldades na construção que iam gerando assobios do público. Assim, a segunda vez que os locais testaram Marafona foi, novamente, de bola parada, com Maicon a voltar a ganhar nas alturas para que o guardião Português defendesse. Mas aos 28’ as Individualidades do FC Porto surgiram a fazer a diferença: condução de Brahimi da esquerda para o meio, com o Argelino a encontrar Corona que se isolou e picou sobre Marafona para estabelecer o empate. Depois do golo o Paços conseguiu adormecer o ritmo de jogo (cada paragem era prolongada ao máximo) e até subir algumas vezes no terreno, tendo os Dragões só voltado a estar perto do golo aos 44’, com Corona, isolado após perda de bola de Andrezinho, a não conseguir bater Marafona, e mesmo no último lance do primeiro tempo, quando Aboubakar serviu, com o peito, Herrera, mas o mexicano atirou por cima. Os segundos 45 minutos voltaram a mostrar um conjunto Portista dominador, mas com dificuldade para criar perigo (a excepção nos 15 minutos inicias foi um remate de Aboubakar por cima), até que aos 63’ um erro ridículo comprometeu a exibição dos homens de Jorge Simão: Baixinho faz um atraso com pouca força para Marafona e, na sequência da bola dividida entre o guardião e Herrera, o central varre o Mexicano, numa grande penalidade absolutamente desnecessária (o médio estava de costas para a baliza), que Layún não desperdiçou. Pouco depois, Marafona voltou a brilhar, ganhando um duelo com Aboubakar com uma grande mancha aos pés do Camaronês. Na parte final, o Paços colocou mais homens na frente, tentou subir no terreno, mas nunca esteve verdadeiramente perto do golo, ao contrário do FC Porto, que, em transição, desperdiçou a oportunidade de matar o jogo, primeiro Tello encontrou o muro Marafona e depois Aboubakar atirou por cima, praticamente de baliza aberta, terminando a partida no 2-1.

Destaques:

FC Porto - Ainda não foi desta que a equipa de Lopetegui fez um jogo com nota muito alta (o golo sofrido muito cedo, o qual quebrou uma incrível série, também não ajudou a isso) mas, antes da decisão do futuro na Champions, estes 3 pontos são muito importantes, até pela forma como pressionam o Sporting antes do jogo dos Leões com o Marítimo. Os Dragões foram dominantes, mas a sua circulação foi, por vezes, imprecisa e não criaram muitas situações claras de golo, tendo as individualidades sido chave para a vitória. Com efeito, Corona voltou a marcar (são já 6 golos na Liga), num lance em que mostra a sua qualidade técnica, sendo que Brahimi, com as suas conduções interiores (como no primeiro golo) foi a forma primordial de penetração no bloco rival. Aboubakar desperdiçou as ocasiões de que dispôs, fosse por perder o duelo com Marafona (completamente isolado) ou por falta de pontaria (falhando a baliza a 3 metros do golo), ao passo que Herrera teve um jogo de altos e baixos, com vários erros ao nível do passe (castigados pelo Dragão com assobios) mas tentando sempre procurar movimentos de ruptura, tendo ainda ganho a grande penalidade. Maxi não apareceu tanto no ataque como é seu apanágio e Layún acrescentou a sua qualidade no cruzamento nas Bolas paradas, tendo batido com eficácia o castigo máximo.

Paços de Ferreira - Os Castores ficarão, certamente, a lamentar-se pela infantilidade de Baixinho, que com um duplo erro deitou por terra grande parte do trabalho do conjunto da Capital do Movel, o qual, tal como em Alvalade, deixa uma boa imagem. Após o golo obtido no começo do encontro, a equipa de Jorge Simão mostrou-se organizada a defender, dando poucas veleidades aos locais em ataque posicional (esteve longe de ser um massacre). Faltou uma maior capacidade para dar continuidade às boas transições feitas (houve qualidade na posse) para incomodar Casillas. Individualmente, o melhor jogador da equipa (e do desafio) foi Marafona, que foi um autêntico muro, com um vasto conjunto de defesas de grande nível, para lá de ter estado sempre muito seguro. Na defesa, os laterais sofreram com Corona e Brahimi (mas ainda assim não comprometeram), tendo o veterano Ricardo sido o melhor do sector recuado. Pelé e Andrezinho deram qualidade na posse, tendo Jota e Edson voltado a deixar boas indicações (elementos rápidos e com técnica), enquanto Bruno Moreira não desperdiçou na única bola de golo de que dispôs.

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