Benfica escorrega na Madeira e fica mais mais longe dos rivais; Encarnados deram a 1.ª parte e na 2.ª também pouco incomodaram André Moreira; Sanches e Pizzi foram os mais influentes; Jonas esteve discreto, Mitroglou foi demasiado lento; União (que vinha de um 0-6) nunca se desmontou

União 0-0 Benfica

Águias atrasam-se e a distância já começa a ser considerável. O Benfica não foi além do nulo frente ao União, em jogo em referente à sétima jornada, que tinha sido adiado devido ao nevoeiro, e está agora a 7 pontos do Sporting e a 5 do FC Porto. Na teoria o jogo até era acessível para o campeão nacional, que vinha de uma boa vitória em Setúbal e media forças com um adversário em crise, que na última jornada foi goleado pelo Paços (0-6), mas os encarnados, apesar de terem dominado, nunca criaram o suficiente para chegar ao golo. Na 1.ª parte o conjunto de Rui Vitória nem incomodou André Moreira e apesar de no 2.º tempo ter apertado, circulado a bola com mais velocidade, à excepção de um lance logo no 1.º minuto, em que Mitroglou desperdiça, e de um bom remate de Carcela, também nunca testou verdadeiramente o guardião dos insulares. Mérito do agora 15.º classificado da I Liga, que apresentou sempre uma boa organização defensiva e nunca se desequilibrou perante o melhor ataque do campeonato.

Quanto ao jogo, Rui Vitória voltou a lançar Fejsa no 11 inicial (em detrimento de Samaris), apostando também novamente na dupla de avançados Jonas-Mitroglou. O União entrou atrevido na partida e conseguiu mesmo as primeiras jogadas de perigo. Cádiz esteve perto do golo num lance em que Júlio César teve uma saída fora de tempo e depois foi Shehu a cabecear à figura do guardião encarnado, quando estava livre de oposição e em excelente posição. O Benfica denotava muitas dificuldades para articular jogadas de ataque (muitos passes falhados) e, à excepção de dois remates de Guedes e Pizzi, não conseguiu criar reais ocasiões de golo no 1.º tempo. Como tal, o nulo ao intervalo acabou por ser um resultado natural. O 2.º tempo começou logo com uma oportunidade de golo para os visitantes, que aproveitaram uma desatenção dos homens da casa tendo Mitroglou, a passe de Pizzi, "acertado no boneco” quando estava cara-a-cara com o guarda-redes do União. Os encarnados começaram então a estar mais pressionantes no encontro, imprimindo também uma circulação de bola mais rápida e eficiente. Pizzi, sempre ele, foi, juntamente com Sanches, o mais inconformado, mas a formação madeirense ia conseguindo fechar os caminhos da baliza. As alterações de Rui Vitória trouxeram pouco ao jogo e o Benfica começou a jogar mais com o coração do que com a cabeça. No minuto 84, André Moreira brilhou com uma grande defesa a remate de Carcela, mas os pupilos de Norton de Matos conseguiram mesmo conquistar alguns cantos e livres perto da área nos minutos finais, que inviabilizaram o último “cerco” benfiquista. Já no último minuto de descontos, Talisca teve oportunidade para ser o herói, mas o seu remate, já dentro da área, saiu ao lado. Em suma, um resultado justo, que premeia a atitude do conjunto da casa, que soube sofrer, apesar de ter abusado das perdas de tempo no 2.º tempo, e que castiga a péssima primeira parte do Benfica, e principalmente a falta de capacidade das águias em desequilibrar no último terço.

União da Madeira - Numa fase em que o destino de Norton parecia traçado os insulares travam o campeão em título e o melhor ataque do campeonato, algo que pode baralhar o que parecia óbvio. Uma exibição defensivamente a roçar a perfeição (a equipa nunca se desequilibrou), apesar do ataque não ter existido. André Moreira quando foi chamado a intervir disse presente; Paulo Monteiro (central que merece mais atenção) esteve imperial na defesa, e o trio de médios - Soares, Shehu e Gian - fez a diferença no meio campo. Na frente Amilton (que deu muito trabalho a Eliseu), Eloi e Cádiz foram importantes na maneira como anularam a saída de bola das águias.

Benfica - O tri complicou-se. Os encarnados, que somaram o 1.º empate na Liga, escorregaram onde não podiam e numa fase em que até tinham tudo para embalar, o que até em termos anímicos não só ao nível da equipas mas mesmo adeptos poderá levar a uma quebra, que poderá ser dificil de contornar. Mas quando o campeão nacional praticamente não consegue criar uma acção de desequilibrio (sem Gaitán e com Jonas a anos Luz de 2014-15 é complicado) frente a um adversário que vinha de 10 golos sofridos nos últimos 2 jogos não se pode esperar mais do que um nulo. A nível individual, Lisandro esteve imperial na defesa, Sanches foi o motor das águias no 2.º tempo, mas a equipa viveu quase sempre do que Pizzi ia fazendo, sendo que o internacional português também só criou perigo quando apareceu na zona central. Já Guedes, novo jogo algo apagado, e principalmente Jonas, pouco acrescentaram. Mitroglou podia ter sido o "herói", mas nas duas vezes em que teve tudo para resolver definiu mal: na 1.ª perdeu tempo quando podia ter isolado Pizzi, na 2.ª foi lento na hora de bater André Moreira. Sendo que os laterais (André Almeida esteve péssimo no cruzamento) também não fizeram o que se pede neste tido de jogos frente a conjuntos tão fechados.

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