Atlético teve vida fácil na Luz durante 70 minutos; Benfica reagiu na fase final mas já não foi a tempo; Jonas não rendeu a 9; Vitória voltou a abdicar de Samaris; Sanches foi dos mais inconformados; Mitroglou o principal destaque; Substituições deram novo ânimo aos encarnados

Benfica 1-2 Atlético (Mitroglou 75'; Saúl 33' e Vietto 55')

O Atlético "devolveu" o resultado que o Benfica tinha conquistado no Vicente Calderón (2-1) e terminou no primeiro lugar do grupo, confirmando o favoritismo no Estádio da Luz. O jogo teve duas partes: a primeira durou 70 minutos e foi de domínio total do Atlético, sem que o Benfica criasse nenhum lance de perigo; e a segunda trouxe uma reacção interessante dos encarnados, que quase chegaram ao empate. Renato Sanches fez um jogo algo inconstante mas foi o motor da equipa na fase final do encontro, mas foi Mitroglou, que veio dar outra presença na área, a fazer a diferença. Com o segundo lugar no grupo, os encarnados poderão agora encontrar tubarões como o Bayern, o Barça ou Real, o que dá poucas hipóteses de sonhar.

Muita posse de bola, zero oportunidades. O Benfica assumiu as despesas iniciais do encontro, perante uma atitude expectante - embora pressionante - do Atlético, mas nem sequer incomodou Oblak. A equipa espanhola foi crescendo com o decorrer da primeira parte, de forma bastante mais objectiva que os encarnados. Saúl testou Júlio César, Godín também obrigou o guardião brasileiro a aplicar-se, mas só uma bela combinação do ataque colchonero desfez o nulo. Griezmann, sempre ele, fez um movimento de ruptura entre Eliseu e Lisandro e ofereceu o 1-0 a Saúl. Em vantagem, a turma de Simeone instalou-se no meio campo contrário, controlando a posse de bola até ao intervalo. A segunda parte começou de maneira idêntica (apesar de um lance perigoso de Mitroglou) e trouxe o ampliar do resultado. A passividade da defesa encarnada permitiu que Vietto fizesse o golo, desviando com um toque ligeiro um cruzamento de Ferreira-Carrasco. A equipa espanhola continuava a ter muitas facilidades, mas as substituições vieram dar novo ânimo ao Benfica, que reduziu diferenças numa combinação entre Jiménez e Mitroglou, com o grego a fazer o 2-1. Os minutos seguintes foram de grande pressão das águas, que viram o avançado mexicano cabecear um pouco ao lado da baliza de Oblak. Ainda assim, não houve capacidade para chegar ao empate e aproveitar a quebra física do conjunto de Simeone.

Destaques:

Benfica - Um jogo que vale pelos minutos finais, em que os encarnados demonstraram novamente capacidade de ombrear com uma das melhores equipas da Europa. Até aí, a equipa teve dificuldades para se superiorizar ao Atlético, muito por culpa das facilidades a meio campo para os espanhóis. Fejsa esteve longe de fazer um bom jogo e Renato Sanches deixou patentes durante grande parte do jogo as dificuldades (naturais) que ainda tem no posicionamento defensivo, de nada valendo as movimentações de Pizzi para equilibrar as contas no corredor central. Com Jonas completamente alheado a jogar sozinho no ataque e sem que Gaitán conseguisse criar desequilíbrios, o Benfica não criou uma ocasião de perigo na primeira parte. As substituições de Rui Vitória, que lançou Mitroglou e Jiménez, deram resultado e as águias passaram a ter outra presença na área, conseguindo finalmente incomodar a defesa do Atlético. O grego fez um golo à ponta-de-lança e provou que deveria ter sido aposta como titular, mas há que destacar também a subida de rendimento de Renato Sanches na recta final do encontro. O jovem, ciente de que estava a mostrar-se num palco europeu, corrigiu as falhas no capítulo do passe e, com uma grande atitude, levou o Benfica para a frente. Lisandro também realizou uma excelente exibição, demonstrando o seu forte poder de antecipação. Pelo contrário, André Almeida e Eliseu tiveram dificuldades com as movimentações dos extremos do Atlético.

Atlético - A parte final do encontro veio pôr a nu algumas fragilidades da equipa espanhola. Se é certo que controlaram grande parte da partida, muito por culpa da habitual consistência defensiva e de uma excelente actuação do meio campo, também o é que se viram aflitos para suster o ímpeto encarnado. Não parece ter muitas hipóteses de surpreender novamente e repetir o sucesso de 2014. Os colchoneros demonstraram a objectividade e a matreirice do costume, utilizando a força do colectivo para levar a melhor sobre o Benfica. Saúl, que esteve em destaque (não só pelo golo mas também pelo critério no passe e pela capacidade no transporte), Gabi e Koke dominaram as operações no meio campo, mas, à excepção de Griezmann, há poucos elementos na equipa que criem desequilíbrios. O francês voltou a ser o único que deu criatividade ao ataque, já que Ferreira-Carrasco e Vietto só apareceram com qualidade para construir o segundo golo. Destaque também para a participação de Filipe Luís, sempre muito activo pela esquerda. 

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