11: Agradeçam à Cornélia

A sorte faz parte da vida e no futebol isso ainda é mais evidente. E se há uma jornada em que esse adágio fez sentido foi nesta. Na ressaca de mais uma ronda europeia, os três grandes entravam em campo com o mesmo objectivo de sempre, mas acabaram por consegui-lo com muita felicidade. O FC Porto, depois de um resultado manifestamente negativo na Liga dos Campeões, foi salvo em Aveiro por Casillas. Lopetegui, tal como já acontecera a meio da semana, voltou a tomar algumas opções que poderiam ter comprometido a vitória. No meio daquele marasmo que estava a ser a exibição dos dragões sobressaiu Brahimi, qual génio da lâmpada, que com um remate delicioso decidiu a partida. Mas não fosse Iker a travar uma penalidade já perto do fim, e o destino do técnico portista podia estar comprometido. Apesar da má exibição dos dragões, a verdade é que Sporting e Benfica não fizeram muito melhor. Os leões voltaram a evidenciar as habituais dificuldades perante adversários mais fechados e não fosse a mão de Tonel e podiam ter permitido a aproximação dos rivais. Já o campeão, entrou na Pedreira consciente da valia do adversário e sabendo que não existia outra solução que não vencer. Mitroglou, que voltou a ser aposta, abriu caminho a uma vitória garantida nos primeiros 12 minutos, através de um belo trabalho na área bracarense, enquanto que Lisandro garantiu alguma tranquilidade pouco depois. Todavia, a felicidade voltaria a estar presente em mais um encontro a envolver os grandes, vestindo Júlio César a pele de D. Sebastião e a barra funcionando como escudo ao maior domínio do Sp. Braga. Nos restantes jogos, o Nacional superiorizou-se no derby madeirense, sendo Willyan a grande figura dos alvinegros e o Vitória de Guimarães garantiu mais uma vitória importante no Bessa, tendo Sérgio Conceição feito nova revolução no 11. Isto numa jornada em que o Boavista viu o seu treinador bater com a porta. Por fim, o Moreirense causou surpresa nos Arcos, voltando Iuri Medeiros a ser actor principal, o União da Madeira deixou fugir uma vitória crucial no Sado nos últimos instantes, o Arouca deu sequência à fase de menor fulgor em Coimbra e o Paços de Ferreira continua a sua campanha discreta, mas muito eficaz. 

Equipa da Semana: Moreirense – Os resultados da formação de Moreira de Cónegos não têm correspondido à qualidade do plantel, sendo previsível que esta retoma chegasse mais tarde ou mais cedo. No entanto, o desafio era complicado, visto que o Rio Ave tem sido uma das equipas mais consistentes na Liga e no seu reduto tinha apenas perdido diante do líder, pelo que este triunfo assume uma proporção maior. 

Equipa Desilusão: Arouca – Empate feliz em Coimbra. A verdade é que a formação de Lito Vidigal começou bastante bem o campeonato, tendo o ponto alto sido a derrota imposta ao campeão nacional, mas a verdade é que a partir daí o desempenho da equipa tem vindo sempre a decrescer e os arouquenses nunca mais obtiveram os três pontos numa partida. Por outro lado, o nível exibicional, tendo em conta os activos presentes no plantel, tem deixado igualmente a desejar.

Melhor equipa da Jornada 11: Iker Casillas (FC Porto), André Almeida (Benfica), Paulo Oliveira (Sporting), Lisandro López (Benfica), Sequeira (Nacional), Cafú (V.Guimarães), Renato Sanches (Benfica), Willyan (Nacional), Arnold (V.Setúbal), Diogo Jota (Paços de Ferreira), Henrique Dourado (V.Guimarães)

Jogador da Semana: Iker Casillas (FC Porto) – Numa exibição cinzenta do conjunto azul e branco, o espanhol acabou por ser decisivo ao efectuar uma defesa vital nos últimos minutos do jogo, parando uma grande penalidade. Depois de um erro grosseiro a meio da semana, o guardião dos dragões deu a resposta que se espera de um elemento com a sua qualidade e experiência, conseguindo assim salvaguardar o posto de quem o trouxe para a Invicta. 

Jogador Desilusão: William Carvalho (Sporting) – O médio defensivo acabou por ser o herói de Alvalade, mas o seu golo, o primeiro nesta temporada, não apaga a má exibição realizada frente ao Belenenses. O médio foi facilmente ultrapassado pelos adversários em diversas ocasiões, errou demasiados passes e revelou a lentidão que o tem caracterizado nas suas piores actuações. 

Jogador a Seguir: Renato Sanches (Benfica) – O menino de 18 anos, lançado em Astana a meio da semana, foi novamente aposta de Rui Vitória e voltou a corresponder. É certo que ainda não é um jogador totalmente formatado, mas parecem não existir dúvidas de que é a melhor opção, para a posição de segundo médio, que Rui Vitória tem à disposição. Dotado de uma grande capacidade física, técnica e de um poder de aceleração notável, o médio formado no Seixal tem tudo para deixar a sua marca já nesta temporada, acabando assim por ser mais uma solução ao dispor do treinador e mais um elemento da formação que o mesmo lança na alta roda do futebol.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Rodrigo Ferreira

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