Adrien deixa tudo na mesma; Leões resolveram numa grande jogada colectiva; Marítimo, com Marega em destaque, criou mais perigo mas não ultrapassou Patrício (o guardião do Sporting foi a figura do jogo)

Marítimo 0-1 Sporting (Adrien 54')

Tudo igual no topo da Liga. O Sporting, que somou a 4.ª vitória consecutiva por 1-0 (o que diz bem das dificuldades que tem tido), passou na Madeira, mantendo assim a vantagem para FC Porto e Benfica. Adrien Silva, deu sequência a uma bela jogada colectiva, e derrotou um Marítimo que foi melhor na 1.ª parte e que ao longo da partida criou mais perigo que o líder do campeonato. Valeu aos leões um super-Patrício, que com duas intervenções de alto nível deixou a sua baliza inviolável. Marega, que esteve na mira do clube leonino no Verão, foi uma dor de cabeça para Jefferson; João Diogo também deu muita profundidade no corredor direito; Dyego Sousa criou igualmente muitas dificuldades à defesa leonina; Ghazaryan acrescentou critério mas a sua saída, por lesão, ainda na 1.ª parte, diminuiu a qualidade de jogo dos insulares; No Sporting, a ausência de Slimani fez-se sentir (Montero esteve pouco em jogo), mas os problemas foram os do costume: falta de velocidade e qualidade no sector ofensivo; Gelson esteve quase sempre desastrado nas suas acções, Ruiz também definiu pior que é habitual, numa partida em que a defesa se desequilibrou com demasiada facilidade. Valeu um lance genial de João Mário e a finalização de Adrien.

Em relação ao encontro, o Marítimo entrou melhor, de forma muito intensa e pressionante, e foi acumulando lances ofensivos nos primeiros 25 minutos. Marega, que fez a cabeça em água a Jefferson, teve uma grande oportunidade num canto, mas não conseguiu superar Patrício. A seguir foi Fransérgio a cabecear com muito perigo ao lado do poste direito do guardião leonino. Pouco depois, Ghazaryan perde a bola de forma infantil, a bola chega a Ruiz e o costa-riquenho atira forte, mas Salin evita o golo. Na 2.ª parte o jogo mudou, o Sporting começou a controlar melhor a partida e aos 55 minutos, na melhor jogada do encontro, Ruiz solta para João Mário, o médio senta Patrick (que entrou à queima) e serve de bandeja Adrien Silva, que faz o 1-0 (marcou pelo terceiro ano consecutivo nos Barreiros). A equipa da casa tentou reagir através de um jogo mais directo, onde Dyego Souza e Marega fazem valer o seu físico, sendo que o brasileiro dispos de uma grande chance aos 77 minutos, tendo Patrício efectuado mais uma grande estirada. Até final, Tanaka tentou aumentar a contagem, mas sem sucesso, enquanto que do outro lado Patrício viria a brilhar mais uma vez após um cabeceamento de Dyego, mas o avançado da turma de Ivo Vieira encontrava-se em fora-de-jogo.

Marítimo - entrada de leão, com muita pressão e agressividade sobre a saída de bola do líder do campeonato, mas pouca eficácia. A defesa facilitou, com algumas perdas de bola em zona crítica, e após o golo leonino faltou força e cabeça para voltar a encostar o adversário atrás. A lesão de Ghazaryan não ajudou, mas falta a esta equipa alguma criatividade no miolo (os três médios raramente fazem a diferença, limitando-se à recuperação), muito abaixo da qualidade do trio da frente. Marega foi um constante perigo, impondo o seu físico nos confrontos directos, Dyego Sousa também incomodou o último reduto leonino (e permitiu a Patrício brilhar), e o lateral João Diogo deu muita profundidade ao flanco, para lá de ter ganho o duelo com Gelson. Fransérgio mostrou pouca capacidade em sair a jogar, mesmo que pouco pressionado.

Sporting - mais uma vitória pela margem mínima, mais uma exibição medíocre, mas para a contabilidade contam é os três pontos e daqui a uns meses ninguém se vai lembrar das dificuldades e falta de notas artísticas. Desta vez não houve oferta divina, mas as luvas de Patrício pareciam benzidas. O Sporting voltou a mostrar pouco futebol, a falhar muitos passes, raramente houve desequilíbrios nas acções individuais, mas foi altamente eficaz; na única jogada colectiva com princípio, meio e fim, João Mário ofereceu a Adrien um golo que este não desperdiçou. Os primeiros 25 minutos foram penosos, com os leões encostados atrás e a cometerem imensas faltas, e mesmo depois de equilibrar a contenda, nunca mostraram acutilância no ataque. No segundo tempo dominaram territorialmente e tiveram posse, mas sempre de maneira inofensiva, com excepção do lance do golo. Depois, mesmo com o Marítimo a tentar o empate e a dar espaço, nunca conseguiram incomodar seriamente Salin, optando antes por trocar a bola sem progressão. De realçar mais um jogo sem sofrer golos, embora a defesa tenha sido apanhada várias vezes descompensada, e o meio-campo dado demasiado espaço. A figura do jogo foi claramente Rui Patrício, que valeu pontos, com duas defesas de grau de dificuldade elevado. O guarda-redes da selecção deu sempre segurança a uma defesa que tremeu mais que o habitual, mostrou reflexos e elasticidade, bem como domínio completo no jogo aéreo. Adrien decidiu a partida, e de entre os médios foi o mais agressivo na recuperação, em contraponto com William, amarelado desde cedo, e que alternou boas recuperações com momentos de passividade. Jefferson esteve ausente do ataque, e nunca conseguiu domar Marega, enquanto João Pereira voltou a participar no momento ofensivo, mas sem eficácia. Montero não fez esquecer Slimani, Gelson esteve desastrado, e Ruiz esteve intermitente, embora seja de longe o elemento com maior leitura de jogo da equipa, sendo que muitas vezes os colegas nem conseguem interpretar as jogadas que o costa-riquenho desenha. Aquilani entrou muito mal, perdendo demasiadas bolas para quem deveria dar capacidade de posse.

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