‘A a Z do Desporto Nacional’ – 2015

Chegados ao epílogo do ano, é a altura de rever de A a Z alguns dos acontecimentos e personalidades mais marcantes do desporto em 2015 a nível nacional.

Arbitragem, provavelmente a palavra mais proferida no ano futebolístico de 2015. Sorteio, nomeações, classificações, penalties, intensidade, compensação, houve de tudo um pouco. Marco Ferreira ajudou a apimentar um prato já de si quente, num ano em que aqueles que foram acusados de colinho passaram a sentir-se prejudicados, e em que as acusações e queixas tiveram forte sotaque basco.

Bi-campeonato vencido pelo Benfica, que finalmente quebrou a hegemonia portista das últimas décadas. Desde cedo se viu o empenho neste feito, e Jorge Jesus não teve problemas em colocar a Liga dos Campeões em segundo plano, em prol deste objectivo, pois poucos acreditavam ser possível lutar nas duas frentes.

Cristiano Ronaldo, terceira Bota de Ouro. Ame-se ou odeie-se o madeirense, é difícil argumentar contra alguém que conta com três galardões deste calibre. Por mais política que possa estar envolvida, haverá algum mérito pelo meio.

Direitos televisivos entraram em força no debate futebolístico. Finalmente a guerra dos conteúdos chegou a Portugal, e os clubes começam a lucrar com esse facto. Sporting, Benfica e Porto já asseguraram contratos com números impressionantes e nunca antes vistos no panorama nacional, mas que bem vistas as coisas, ainda são insuficientes para resgatar um banco.

Ecletismo, ou de como o Benfica dominou (quase que) por completo o panorama nacional no que respeita a modalidades colectivas de pavilhão. O voleibol esteve perto de juntar a glória europeia às conquistas internas, mas nem a final perdida apaga uma época épica a todos os níveis.

Fernando Pimenta foi de Bronze nos Mundiais de Milão, no seu K-1, distância de 1000 metros. O canoísta de Ponte de Lima foi o cabeça de cartaz numa participação positiva da comitiva nacional, que promete pagaiar em força no próximo Verão.

Guerra. Nunca um apelido encaixou tão bem no futebol lusitano. Pedro entrou pelos ecrãs adentro, subversivo, corrossivo, agressivo, para nos divertir ou indignar, ninguém ficou indiferente ao jornalista que, literalmente, defende a sua Dama, e que trouxe o que de melhor e pior há nos métodos de debate político para o futebol

Heptacampeões de andebol, o Porto continuou a fazer História na modalidade. Com Obradovic ao comando, foram precisos cinco jogos, mas os dragões mantiveram o título na Invicta. E a amostra de 2015/16 indica que vai ser muito complicado inverter a tendência.

Impostos. Algo que boa parte dos portugueses conhece, entrou na discussão do mercado de transferências. Ou de como a elevada carga fiscal é um entrave à competitividade dos clubes nacionais, no que respeita às ofertas salariais.

Jorge Jesus, a figura do ano. Pelo tumulto que provocou, e pelas ondas de choque que se fazem ainda sentir passado meio ano. Um misto de policial (com roubos e hacking) com literatura de cordel (acusações de traição e amores não correspondidos), terá continuidade no relvado, e em tribunal.

Leaks, football. Não há prova de que Assange jogue à bola, mas tem seguidores por aqui. Um projecto polémico, com impacto súbito a todos os níveis, que fechou, reabriu, mas que na realidade foi abordado com mais mediatismo que seriedade por todos.

Miguel Oliveira foi uma das figuras de 2015, conseguindo um brilhante segundo posto no Mundial de Moto 3, ao mesmo tempo que se tornou o primeiro piloto português a vencer uma prova em mundiais de motociclismo.

Naide Gomes retirou-se da competição, perdendo o atletismo nacional uma das suas figuras mais relevantes do passado recente. Lesões recorrentes limitaram e terminaram prematuramente uma carreira a que só faltou a medalha olímpica.

Olimpíadas. O ano de 2015 foi aquele em que diversos atletas de variadas modalidades carimbaram o passaporte que lhes permite ir veranear ao Rio de Janeiro em 2016.  Who cares... Entretanto em Baku, nos Jogos Europeus, a comitiva portuguesa conquistou 10 medalhas, num evento em que Telma Monteiro aproveitou para juntar mais um título europeu (o seu quinto) ao seu currículo.

Pedro Proença, de melhor árbitro do Mundo a Presidente da Liga de Clubes. Posto esse onde ainda está longe de alcançar o protagonismo que obteve de apito na boca.

Quinta presença em Jogos Olímpicos alcançou o atirador João Costa, cuja pistola coleccionou medalhas em 2015, incluindo um título Europeu.

Regresso aos títulos do Sporting aconteceu no Jamor. Um treinador demissionário (ou demitido) e um guarda-redes ao pé coxinho foram duas das figuras de uma reviravolta impensável, quando tudo indicava que a Taça iria para Braga.

Santos da casa fizeram milagres. Resultados sofridos e exibições sofríveis, mas os números não enganam, e Portugal fez a mais calma fase de apuramento em anos. Mérito ao Engenheiro Fernando.

Triplo salto nos mundiais de Pequim marcaram o regresso de Nelson Évora aos grandes resultados ao ar livre. Marcado por graves lesões, o campeão olímpico fez algo que alguns pensavam ser impossível, ao obter o bronze. Boas perspectivas para o Rio.

Um despedimento Especial foi o que sucedeu a José Mourinho. O Not-So-Special não comeu as broas (ou scones, ou muffins) de Natal em Londres, caindo ao fim de uma série de resultados desastrosos e deixando o Seu Chelsea mais perto da Championship do que do título.

Vídeoárbitro, outro dos pontos de discórdia. Ficção científica ou má vontade de quem pode e manda, as opiniões dividem-se. E os erros continuam a acontecer, e a serem dissecados e analisados... em vídeo.

X, das cruzinhas do novo jogo da Santa Casa, que tenta chamar a si o público dos jogos de apostas online. Ou a certidão de óbito do Totobola.

Zero títulos para o Porto em 2015, que completou duas temporadas em branco. Vida difícil para Lopetegui, que ainda por cima se viu relegado para a Liga Europa, isto depois de ter o apuramento quase que garantido.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Nuno R.

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