‘A a Z do Futebol’ – 2015

Chegados ao epílogo do ano, é a altura de rever de A a Z alguns dos acontecimentos e personalidades mais marcantes do futebol em 2015 a nível internacional.

A - Allegri
Massimiliano Allegri não foi escolha consensual na Juventus, na hora de substituir Antonio Conte. Mas o ex-técnico do Milan, não só esteve à altura dos acontecimentos, como superou todas as expectativas, colocando a Juventus a vencer com classe internamente, e principalmente chegando à final da Champions, recuperando para a alta roda não só a grande Vecchia Signora, como todo o futebol italiano. Esta época a sua Juve começou periclitante e a concorrência mostrou os dentes, mas numa recuperação notável, Allegri e os bianconeri já olham para a revalidação do título.

B - Barcelona
Não fosse o Atlethic de Bilbao inscrever o seu nome como vencedor da Supertaça Espanhola, e o Barcelona teria tido o 2015 perfeito. A máquina refinada por Luís Enrique, conquistou a Liga Espanhola, a Taça do Rei, a Liga dos Campeões, a Supertaça Europeia e finalizou neste fim de semana com a conquista do Mundial de clubes. Um ano absolutamente inolvidável para os culés.

C - Cristiano Ronaldo
No início do ano, Cristiano recebia mais um Bola de Ouro em Zurique, feito esse que celebrava um ano de 2014 absolutamente fantástico. Neste ano, o craque português do Real Madrid já admitiu que não é favorito à reconquista do galardão. O ano colectivamente foi ofuscado pelos feitos de um grande Barcelona, e esta época uma relação tensa com Benitez também não tem ajudado, naquele que é o pior dos últimos 5 anos individualmente. Mas no final do ano contar com 57 golos marcados não é para qualquer um.

D - Doyen
No início deste ano, iniciou-se mais vincadamente e por toda a Europa, uma luta sem paralelo contra os fundos de investimento. Na grande maioria das Ligas (onde não se inclui Portugal…), os detentores de participações em passes de jogadores passaram a ser proibidos, mas a polémica sobre os benefícios e efeitos nocivos dos fundos no futebol continua activa. O Sporting perdeu em Tribunal o processo sobre a licitude dos fundos, mas na Holanda o FC Twente acabou fora das competições europeias por decisão superior, devido à sua parceria com a Doyen. Legal ou prejudicial uma das questões do ano.

E - Emery
Se uma Liga Europa incomodava muita gente, duas Ligas Europa incomodavam muito mais. E de forma inédita o técnico espanhol arrebatava para si e para o seu Sevilla o título de bicampeão da segunda prova mais importante do calendário de clubes da Uefa. Muito se discutiu sobre o destino de Emery no verão, mas ele acabou fiel ao Sevilla, com a perspectiva de disputar a Liga dos Campeões. Não garantiu o acesso via classificação na Liga, mas a vitória na Europa League deu-lhes esse estatuto. Acabou fora, mas a possibilidade de conquistar a sua prova preferida é de novo real.

F - FIFA
Rebentou a bomba no organismo máximo que tutela o futebol, e em 2015 levantou-se mais do que a ponta do véu. Escândalo após escândalo, a FIFA desceu aos infernos. Corrupção, tráfico de influências, prisão de elementos, Blatter e depois Platini… Não restou pedra sobre pedra, e a até então inatingível FIFA vê-se a braços com uma situação sem precedentes, que pôs em causa a sua organização, os seus patrocínios e toda uma visão.

G - Guardiola
Quando assumiu a seu novo vínculo com o Bayern de Munique, todos esperavam vitórias, títulos e a magia vinda do banco através do mago catalão. O que é certo é que a relação com os bávaros nunca foi pacífica, sendo mesmo acusado de destruir uma identidade cultural. As vitórias continuaram a aparecer, os títulos também, mas só nesta segunda metade de 2015 o efeito Guardiola se fez sentir em toda a sua plenitude na grande máquina germânica. No auge desse mesmo efeito, Pep anuncia que esta será a sua última época na Alemanha, e neste momento o seu nome é o mais cobiçado para 2016/2017. A Premier League deverá ser o seu destino naquele que será o seu grande teste.

H - Holanda
Perder o acesso ao Euro 2016, o tal que é o mais democrático de sempre, terá que ser considerado porventura o maior fracasso colectivo de 2015. Num dos maiores viveiros de talentos do futebol europeu e mundial, numa Selecção habituada a marcar presença nas grandes competições, este fiasco holandês fez apodrecer uma laranja que deixou de ser mecânica.

I - Islândia
A Islândia chega ao final deste ano qualificada pela primeira vez para uma grande competição internacional de futebol. No Euro 2016 a decorrer em França, os islandeses terão a companhia de outros estreantes como a Albânia. O encontro com Portugal já se encontra marcado.

J - Jamie Vardy
Se há conto de fadas que merece ser contado em 2015, foi o da meteórica ascensão do goleador inesperado da equipa inesperada. Jamie Vardy começou a época de pé quente batendo o recorde detido por outro goleador de excepção, Ruud Van Nistelrooy, de jogos consecutivos a marcar na Premier League. Vardy apareceu que nem uma seta e entrou directo no coração dos empolgantes adeptos ingleses. O Leicester actual líder surpresa da liga bem pode agradecer.

K - KAA Gent
O clube sensação de 2015. Campeão belga pela primeira vez na sua história, o conjunto orientado pelo experiente técnico belga Hein Vanhaezenbrouck, aliou bom futebol a um colectivo forte. Chegados também pela primeira vez à Champions League, os búfalos não só não mostraram ao que vinham, como acabaram por se apurar para surpresa de toda a Europa.
O clube sensação continua a fazer das suas.

L - Luis Enrique
Se o Barcelona foi a equipa do ano, a Luis Enrique se deveu. Muitas foram as comparações que se teceram ao longo de 2015 sobre a verdadeira influência do técnico espanhol na conquista de todos os títulos. Se para alguns ainda era a herança e o piloto automático de Pep Guardiola, o que realmente se viu em campo, foi um Barcelona mais vertical, menos dominador em posse, mas dominador de mais registos de jogo. O MSN ajudou, mas Luis Enrique criou o Barcelona mais agradável à vista sem prejuízo dos títulos. O técnico do ano.

M - Mourinho
O Special One regressou aos blues de Londres com a ideia de permanecer em comunhão quase eterna com a cidade, os adeptos e os títulos. Passou a ser o Happy One. Em meados de 2015 essa felicidade foi quase total com a conquista da Premier League pelo Chelsea. No final de 2015, o Happy One, passou a Sacked One… E os 6 meses mais turbulentos da carreira de José Mourinho, incluíram uma médica influente, um balneário destruído e minado, sub rendimento propositado de alguns jogadores (motivo para dizer é H azar D…), um clube campeão a lutar pela despromoção, mas também muitos erros de julgamento que pela segunda vez lhe custaram o lugar nos blues. Depois do blue do Porto, do blue do Inter e do blue do Chelsea, tudo indica que o próximo desafio seja em tons diferentes…

N - Neymar
Num ano em que Messi foi espalhando magia sem carácter permanente, coube ao menino da Vila Belmiro carregar às costas a melhor equipa do Mundo da actualidade. Ter claro um parceiro como Luis “Canibal” Suarez ajuda e muito, mas Neymar jogou em 2015 a um nível superlativo, com muitos golos, muitas assistências e dando sempre muito espetáculo para gaudio dos fãs de futebol de todo o mundo e excesso de agressividade dos adversários. A sua influência na Selecção Brasileira não pode ser menosprezada e agora no Barcelona também não.

O - Otamendi
Na primeira metade de 2015, o antigo jogador do Porto deu um verdadeiro workshop de defesas centrais ao serviço do Valencia. Melhor defesa da La Liga a larga distância de nomes de referência como Piqué ou Sérgio Ramos, e provavelmente o melhor defesa central da época passada, o argentino recuperou prestígio e mercado no futebol internacional e também ao serviço da sua Selecção. A transferência para o colosso City e para a Premier League foi natural. Na segunda metade de 2015 e numa equipa que teima em não crescer, Otamendi estagnou, mas ele como a equipa só podem evoluir.

P - Pogba
Figura maior da Juventus, dominadora em Itália e vice-campeã europeia, o médio francês já tinha prometido agitar o mercado. Tal não aconteceu, e Pogba permaneceu na Vecchia Signora. Com o Euro 2016 em casa, e com o dinheiro a abundar nos cofres dos principais clubes, Pogba será com toda a certeza o alvo nº1 dos tubarões no próximo mercado.

Q - Quanto queres?
Ordenados em crescimento galopante, transferências quase megalómanas, novos contratos de direitos televisivos renegociados em alta, digressões de pré-época para o agrado dos novos e endinheirados públicos e contra todo o senso comum na preparação técnica e física das equipas, agentes super poderosos e que conseguem influenciar a gestão directiva e técnica de uma equipa, fundos de participação… Quanto queres, ou o lado negócio do futebol vs. o lado paixão.

R - River Plate
O histórico River Plate viveu tempos conturbados nos últimos anos que os levaram a uma quase impossível viagem pela segunda divisão argentina. A equipa apoiou-se na sua excitante massa adepta, reagrupou-se e deu a volta por cima. Com Marcelo Gallardo ao leme, o River reconquistou a Argentina, para este ano conquistar o título maior na América do Sul, a Libertadores, com o bónus de ter eliminado de permeio o grande rival Boca Juniors e o grande candidato Cruzeiro. E ainda deu para revelar para a alta roda nomes como Ramiro Funes Mori, Matias Kranevitter ou Emannuel Mammana.

S - Sampaoli
Se retirarmos desta equação o cada vez mais europeu Diego Simeone, o efusivo Seleccionador do Chile, Jorge Sampaoli é de longe o melhor treinador sul americano da actualidade. Com métodos de treino inovadores e acima de tudo com uma visão muito refrescante sobre o futebol actual, Sampaoli transformou o Chile numa potência sul americana que culminou com a conquista merecida da Copa América. O futebol europeu anseia por Sampaoli, mas o próximo destino deverá passar pela sua Argentina. Messi e companhia agradecem.

T - Tevez
El apache teve uma época 2014/2015 recheada de brilhantismo. A sua importância nas várias conquistas da Juventus foi decisiva e quando se esperava que ou permanecesse em Itália ou desse um passo ainda maior, Carlitos surpreendeu e resolveu regressar ao grande amor da sua vida desportiva, o Boca Juniors. Numa altura em que se questionam cada vez mais as decisões dos jogadores de futebol, cada vez mais movidos a cheques, Tevez faz acreditar que a paixão e o amor pela camisola e pelo jogo ainda não morreram.

U - USA
E como o futebol não é só para homens, convém destacar a Selecção Feminina dos Estados Unidos, que foram ao seu país vizinho reclamar o título de campeãs do mundo de 2015. Depois de fase após fase, irem confirmando a sua categoria e também o seu favoritismo, as americanas chegaram à final para defrontar as temíveis japonesas, e brindaram os presentes com uma grande exibição e um resultado a condizer (5-2). Pelo meio ainda levaram o prémio para melhor guarda-redes (Hope Solo) e para melhor jogadora (Carli Lloyd).

V - Valbuena
Se existisse um prémio para o jogador mais em foco neste ano por critérios extra-futebol, este iria direitinho para Valbuena. O internacional francês teve um daqueles anos para não recordar. Primeiro porque depois de ser um ídolo no clube com a massa adepta mais exigente e apaixonada da França (o Marselha), resolve ir atrás do cheque russo e quando resolve regressar não só não regressa ao Velodróme, como vai parar a um dos grandes rivais, o Lyon, passando a conhecer a ira dos marselheses. Segundo, porque é preciso catalogar bem os vídeos caseiros e não ter amigos tão chegados como Benzema ou Cissé…

W - Wolfsburg
Quando se tem na mesma liga um clube que se chama Bayern Munique, as esperanças de ter uma época de sucesso reduzem para 20%. E em 2015, aproveitando uma fase de menos fulgor do Borussia de Dortmund, os verdes patrocinados pelo maior império automóvel alemão, não aldrabaram nas emissões de gases, mas foram a única equipa com gás para impor respeito ao colosso bávaro. Os comandados de Dieter Hecking (treinador muito sub valorizado) já são uma força reconhecida na Alemanha e querem sê-lo também na Europa.

X - Xavi
Num ano de muitas emoções e títulos para os blaugrana, uma das maiores emoções foi certamente a despedida de Xavi. Um jogador que espalhou classe, liderança e a cultura catalã ao longo de vários anos, separava-se do clube que o viu nascer para o futebol e que sempre representou, para abraçar uma nova aventura no Médio Oriente. Chorou Xavi, e chorou a nação barcelonista, mas um português ficou a rir. Jesualdo Ferreira terá o prazer de orientar o antigo capitão catalão no fim da sua carreira.

Y - Yaya Toure
Novamente o melhor jogador africano do ano de 2015, muito provavelmente repetirá a façanha. O marfinense é aquele médio completo que enche o campo quer a defender quer a atacar, e que é figura incontornável dos azuis de Manchester. A juntar a tudo isso, Yaya juntou ao seu portefólio um dos títulos que mais ambicionava, assim como todos os marfinenses, o CAN 2015, onde para não variar foi um jogador instrumental na caminhada para o título dos “elefantes”.

Z - Zlatan Ibrahimovic
Não pode haver grande competição sem Zlatan Ibrahimovic. De forma não literal, as palavras foram do próprio. Depois de ter ficado a ver o mundial do Brasil pela televisão (ou não), o irascível sueco terá a sua última oportunidade em território que conhece bem, depois de ter liderado a sua Suécia ao apuramento para o Euro 2016. Entretanto foi a tempo de bater todos os recordes no campeão francês, ganhando títulos, e continuando apesar do temperamento, a deliciar os adeptos de futebol com grandes golos.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Flávio Trindade

Etiquetas: