A revelação de 2015 a nível nacional

O Paços de Ferreira é conhecido por ser um dos clubes mais estáveis do futebol português, sendo famoso na valorização activos, sejam eles jogadores ou treinadores. Após uma época negativa, em que a reacção à melhor temporada da história do clube não foi a melhor, Paulo Fonseca regressou à Capital do Móvel disposto a relançar a sua carreira e a revitalizar os pacenses. O resultado, apesar de não ter sido tão bom como o da primeira passagem (feito que parece irrepetível nos próximos anos), foi positivo, tendo a qualidade de jogo reaparecido na Mata Real, embora o apuramento para as competições europeias tenha sido falhado na última jornada. Face a mais um bom campeonato, Paulo Fonseca deu o salto para Braga e o seu sucessor chegaria de Belém. Jorge Simão era agora o novo timoneiro, trazendo como referências um bom trabalho no Mafra e no Belenenses, onde conseguiu fazer esquecer Lito Vidigal nos últimos meses, algo que não se afigurava fácil em face do trabalho do angolano ao serviço dos Azuis do Restelo. Feita a troca, a qualidade exibicional e os resultados têm-se mantido, sendo necessário destacar a coqueluche da equipa: Diogo Jota.

Aparecido na equipa principal em Fevereiro de 2015, ainda sob o comando de Paulo Fonseca, numa partida diante do V.Guimarães, o menino de, na altura, 18 anos começava a desenhar a sua história no clube que o formou e que o começava a lançar no principal escalão do futebol português. O ponto áureo deu-se a 17 de Maio de 2015, na última partida em casa para o campeonato, onde o avançado brilhou com um bis perante a Académica. Estavam lançados os dados para aquilo que seria o seu futuro. Na nova época, um novo papel ser-lhe-ia confiado. A missão de principal desequilibrador da equipa. O início, a nível pessoal, nem foi o melhor, visto que foi expulso na vitória frente ao clube onde tinha sido mais feliz até então, a Académica. No entanto, rapidamente regressaria à turma, sendo uma das peças que Jorge Simão já não prescinde. Dotado de uma capacidade pouco habitual para jogar entrelinhas, é sobre o corredor esquerdo que se tem destacado, muito embora percorra permanentemente zonas interiores, tendo somados 6 golos e 6 assistências até à data em todas as competições (15 jogos ao todo). Na verdade, estamos perante 1,78 cm de talento puro. Rápido, inteligente, bom tecnicamente e com um bom poder de finalização, parece evidente que o jovem “revelação do ano”, que tem brilhado na alta roda do futebol profissional, não tardará a ser associado a clubes de outra nomeada.

Por outro lado, 2015 foi um ano pródigo em jogadores que surpreenderam na nossa Liga. No Benfica, os meninos do Caixa Futebol Campus passaram a ter mais oportunidades, tendo Nélson Semedo, Gonçalo Guedes e, mais recentemente, Renato Sanches deixado água na boca aos amantes da modalidade; por fim, olhando para o Sporting, Gelson Martins tem merecido a atenção de Jorge Jesus e aproveitado algumas oportunidades. Além dos 3 principais clubes, existem outros nomes que vale a pena destacar, sendo que vários eram meros desconhecidos há bem pouco tempo. Entre eles, realçar o possante Marega, que tem sido o principal desequilibrador do Marítimo neste ano e que, por várias ocasiões, já foi associado aos rivais de Lisboa; o médio montenegrino Vukcevic, um elemento que já estava em Braga há muito tempo sem jogar, mas que, após a chegada de Paulo Fonseca, assumiu um papel preponderante, ao ponto de ser um dos melhores 6 da temporada até à data; Kritciuk, o bloco de gelo russo que tem sido o melhor guarda-redes da Liga neste 1º terço, relegando Matheus para o banco de suplentes, e que, na última Taça de Portugal, brilhou na Luz e na final; e elementos oriundos dos escalões secundários que têm dado muito boa conta de si, tais como André Sousa, um médio todo-o-terreno muito forte na pressão, no passe e nas bolas paradas; Arnold, o velocista do conjunto de Quim Machado; ou Luisinho, o principal agitador do Boavista. Por fim, falar ainda em Zeegelaar, um lateral/extremo formado no Ajax, que, pelas boas exibições em Vila do Conde já garantiu um contrato com o Sporting; Léo Bonatini, o bombardeiro do Estoril, de 21 anos, ou o organizador do jogo do Paços, Andrezinho, também ele muito jovem.

Rodrigo Ferreira

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