14: A primeira

Foi preciso esperar 48 jornadas para Lopetegui conseguir um feito outrora bastante comum no FC Porto. Com a vitória frente à Académica, os dragões, aproveitando o deslize do rival quando menos se esperava e tendo realizado uma das exibições mais convincentes da temporada, isolaram-se no primeiro lugar, algo que não acontecia desde Novembro de 2013. Danilo Pereira voltou a encher o campo, Herrera e Corona acrescentaram brilho ao triunfo, Layún juntou-se a Gaitán como melhor assistente da Liga e Aboubakar voltou aos golos no Dragão. Depois de um período algo conturbado, os azuis e brancos entrarão em Alvalade na frente, algo que parecia improvável há uns dias, e com a moral em cima. Este cenário tornou-se possível quando uns minutos antes o Sporting abandonava a relva sem nenhum ponto no bolso. Danilo Dias foi o herói do União, naquela que foi a primeira derrota dos leões neste campeonato, a primeira de Jorge Jesus no comando técnico dos verde e brancos para a Liga. Na partida emergiu um herói, André Moreira, que, num misto de grandes intervenções e ineficácia dos opositores, conseguiu manter a sua baliza inviolável. Era o culminar de uma semana de sonho para os insulares e de pesadelo para a turma de Alvalade, que, na semana em que Bruno de Carvalho cumpriu 1000 dias na presidência do clube, saía da Choupana com um estado de espírito totalmente inverso. Jesus afirmara que a diferença desta época residia no facto do Sporting ser líder, mas essa situação inverteu-se rapidamente e a pressão no Clássico será maior, até porque o rival do Norte é agora a única formação invicta nesta Liga. Por outro lado, o Benfica diminuiu a distância para o primeiro posto, num triunfo suado diante do Rio Ave. Jonas foi novamente o bombardeiro de serviço, bisando pela 5.ª vez na prova (sempre na Luz), de nada valendo o grande golo de Bressan. Nos restantes encontros, o Moreirense, com um Rafael Martins inspirado, somou novamente os três pontos, o Vitória de Setúbal tornou-se no melhor ataque da Liga em jogos fora de casa ao vencer em Tondela, sendo que André Claro igualou Bruno Moreira no topo dos artilheiros lusos, enquanto que o Vitória de Guimarães impôs a primeira derrota caseira ao Estoril (não perdiam na Amoreira desde Fevereiro), graças a um tento de Otávio. Por fim, o Arouca conseguiu a sua maior vitória de sempre no campeonato (4-1 ao Marítimo), Filipe Ferreira ofereceu o primeiro triunfo em solo nacional a Julio Velázquez perante o Boavista, naquele que foi o jogo mais pobre da jornada, enquanto que o Paços de Ferreira voltou a alcançar um novo brilharete, parando o Sp. Braga no seu reduto.

Equipa da Semana: União da Madeira – Depois do 6-0 em Paços, a cabeça de Norton de Matos foi colocada na guilhotina, mas, num ápice, o União teve uma das melhores semanas da sua história, empatando com o Benfica e derrotando o líder do campeonato. Foi a primeira vitória dos insulares perante um grande do futebol português e estes pontos acabam por ser o balão de oxigénio que o conjunto madeirense precisava nesta fase.

Equipa Desilusão: Nacional – No polo oposto, outra equipa da Madeira. Depois de um mau arranque na temporada passada, os insulares pareciam estar de volta às boas exibições mas caíram em Moreira de Cónegos de maneira clara. A Europa era o objectivo, mas essa missão, apesar de ter ficado perto no último ano, em face da grande 2.ª volta da turma de Manuel Machado, tende a ser cada vez mais complicada e certamente que serão necessários alguns retoques em Janeiro. O investimento tem sido reduzido progressivamente e esse menor fluxo financeiro tem-se reflectido nas classificações dos últimos campeonatos.

Melhor 11 da 14ª jornada da I Liga: André Moreira (União da Madeira), Paulinho (União da Madeira), Velázquez (Arouca), Marco Baixinho (Paços de Ferreira), Layún (FC Porto), Danilo Pereira (FC Porto), Nuno Valente (Arouca), Otávio (V.Guimarães), André Claro (V. Setúbal), Rafael Martins (Moreirense), Jonas (Benfica)

Jogador da Semana: André Moreira (União da Madeira) – Um muro na baliza do conjunto de Norton de Matos. Apesar de alguma insegurança no jogo aéreo, sobretudo no primeiro tempo, o guardião da última geração sub-20 da Selecção nacional demonstrou uns reflexos apuradíssimos e, com pelo menos três defesas de grande nível, foi determinante na vitória dos madeirenses.

Jogador Desilusão: Samaris (Benfica) – Rui Vitória tem prescindido do grego ultimamente e neste confronto diante do Rio Ave, o antigo médio do Olympiakos deu razão ao seu treinador. Desastrado, demasiado faltoso e sem dar a segurança necessária ao sector, acabou por ser substituído ao intervalo sem grande surpresa. Ainda assim, não deixa de ser curioso que o melhor médio defensivo da Liga na 2.ª metade da última temporada esteja a exibir um nível tão pobre nesta fase. 

Jogador a Seguir: Otávio (V.Guimarães) – Aterrou no Dragão a troco de 2,5 milhões de euros, mas, após ter oportunidades apenas na equipa B, acabou cedido ao Vitória por ano e meio, envolvido no negócio Hernâni. Os primeiros seis meses no Castelo não correram da melhor maneira, assim como o início da nova temporada. No entanto, a chegada de Sérgio Conceição parece ter sido a reviravolta que o brasileiro necessitava para sobressair e, sendo-lhe concedida a batuta da equipa, o jovem de 20 anos tem sido a unidade mais desequilibradora do conjunto vimaranense nesta fase de retoma. O golo na Amoreira acabou por ser o culminar desse crescimento, embora fique a sensação que ainda tem muito para mostrar em Portugal.

Rodrigo Ferreira

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