Se não for o Carrillo que seja o …

17 de Setembro de 2015. André Carrillo, extremo direito da equipa, é afastado da lista de convocados do Sporting para a recepção ao Lokomotiv Moscovo. Jorge Jesus deparava-se com um problema inusitado, visto que estávamos, no fundo, a falar do principal ala do plantel e, sobretudo, do jogador mais desequilibrador do conjunto leonino. Peça basilar no 11 de Marco Silva na última temporada, onde apontou 5 golos e assistiu por 15 ocasiões os seus companheiros, o peruano entrava agora no último ano de contrato. Confiante na renovação, o novo timoneiro dos leões montou a equipa em torno de “La Culebra”, tendo o mesmo sido fundamental no primeiro desafio oficial da época, onde o vencedor da última edição da Taça de Portugal se impôs diante do campeão nacional. Acontece que poucos dias depois o clube de Alvalade falhava a entrada na Liga dos Campeões e isso traduzir-se-ia naturalmente num menor número de euros nos cofres leoninos. A outrora difícil renovação passaria, num ápice, a problemática e, se num primeiro momento o jogador até se manteve nas opções de Jesus, rapidamente recolheria à bancada. Do desaparecimento da relva ao processo disciplinar foi um instante, tornando-se a relação entre jogador e direcção insustentável. No entanto, a bola já rolava e a equipa não podia esperar por Carrillo. Tentou-se a contratação de Cervi em cima do fecho de inscrições, mas o argentino escolheu o rival Benfica e com isso o Sporting deparava-se com uma lacuna nas faixas. Gorada a contratação do jovem do Rosario Central, cabia agora a Jesus encontrar soluções. Ele que tantas vezes o conseguiu no passado. A sorte sorriu ao menino Gelson Martins, que após alguns testes na pré-época teve a felicidade de cair no goto do treinador da equipa principal e de ser a opção número um para ser a “Nova Cobra”. No entanto, apesar da sua velocidade e competitividade, a verdade é que a titularidade se revelou um fardo demasiado pesado. Além disso, é um elemento que não tem a mesma predisposição para o um contra um e a mesma qualidade no cruzamento (tem até grande dificuldade neste capítulo).  Por outro lado, havia ainda Carlos Mané, que, após o assédio do Mónaco no Verão, poderia ver nesta temporada o momento para a sua afirmação. Todavia, acabaria ultrapassado na hierarquia pelo já referido Gelson e pela ascensão da pérola Matheus Pereira. O brasileiro, que noutros tempos havia tido problemas burocráticos com a direcção leonina, começou a época na equipa B, mas as suas exibições rapidamente convenceram o “Mestre da Táctica”. Lançado na Turquia, foi na Amoreira que se exibiu pela primeira vez a grande nível frente ao modesto Vilafranquense. Dois golos, algo que voltaria a repetir dias depois frente ao Skenderbeu, e a promessa de mais no futuro. 

Ainda assim, o futebol não é um jogo de computador e a exigência de lutar pelo título obrigou Jesus a repensar de novo sobre qual a melhor opção a tomar para a equipa, recaindo em João Mário a escolha para preencher o lado direito do meio-campo, lugar que havia ocupado (com sucesso, diga-se) no último Europeu sub-21. Tecnicamente evoluído, com uma leitura de jogo acima da média e culto tacticamente, o médio formado em Alcochete respondeu da melhor maneira, sendo o melhor em campo no derby da Luz. No entanto, continuava a faltar algo a este Sporting. O modelo de jogo, já em si lento nos momentos de transição, acabou por se tornar ainda mais centralizado e previsível, havendo um grande fluxo de elementos no corredor central e uma incapacidade gritante para criar desequilíbrios pelos flancos. Este factor negativo é exacerbado perante adversários mais fechados, algo que já custou pontos no Bessa e que poderia igualmente ter causado dissabores em Arouca. No fundo, Jefferson é o único que, com a sua velocidade, consegue disfarçar um pouco esta situação (algo que os opositores já perceberam), mas parece evidente que é necessário alguém para dar outra largura e poder de aceleração à turma verde e branca. Esse “Manel” não mora actualmente nas paredes de Alvalade, pelo que uma investida no mercado em Janeiro se afigura como indispensável para o alcance do objectivo delineado no início da temporada.

Rodrigo Ferreira

Etiquetas: