Sanches, o caminho para a protecção de Vitória

E ao terceiro round, o Benfica voltou a cair. A pressão era já elevada, mas tende a subir com esta eliminação da Taça frente ao grande rival, isto quando a vida no campeonato não está também sorridente. No epicentro da questão encontra-se Rui Vitória, um estreante nestas andanças e que até ao momento não se tem dado nada bem com jogos desta exigência. Acontece que desta vez os encarnados até conseguiram dar alguma réplica durante o primeiro tempo, sobretudo no que diz respeito à redução de espaços concedidos ao oponente, mas, posteriormente, o poderio do adversário, sobretudo do meio-campo, sobressaíram e, somando isso ao desgaste de alguns jogadores como Pizzi ou Gonçalo Guedes, o resultado voltou a desiludir as hostes encarnadas. Frustrado com a situação, Vitória colocou o ónus na arbitragem, encarando-a como a explicação total para o estado de coisas. O discurso mudou, a expressão facial manteve-se cáustica e os adeptos continuaram sem obter uma explicação sobre futebol em si. Tendo em conta que em Alvalade apenas alinharam três jogadores que não eram peças habituais no campeão nacional (e mais um por opção, pois Jonas foi suplente), o caso sobe de tom e a surpresa é ainda maior. A tendência natural será para considerar que o actual técnico das águias não dispõe dos mesmos meios que o adversário em campo e que o seu antecessor. A tese poderá ser verdadeira em parte, mas não explica tudo, pois existe matéria-prima para fazer melhor, até porque, numa analogia directa com o adversário, diríamos que apenas no meio-campo (mais concretamente num jogador, pois Samaris tem estado ao nível de William e Ruiz não é superior em nada a Gaitán) existe verdadeira superioridade do oponente. 

Olhando precisamente para o miolo do terreno, é notória a dificuldade que Vitória tem tido em encontrar um parceiro para o grego. Fejsa, André Almeida, Pizzi e, finalmente, Talisca já passaram pela sala de máquinas (ainda se lembram de Cristante?), mas nenhum convenceu ainda. Os primeiros colocam o meio-campo demasiado destrutivo e aumentam a distância para o sector ofensivo. Os segundos garantem outra qualidade com bola, mas estão longe de corresponder nos restantes momentos do jogo. Deste modo, a solução poderia passar por uma incursão cirúrgica no mercado, mas estamos apenas em Novembro. Assim, existe uma última via para o sucesso, uma alternativa com um nome, Renato Sanches. Formado no Seixal, o jovem com uma aparência semelhante a Edgar Davids poderá ter aqui uma oportunidade para aparecer e certamente que não fará pior do que aqueles que têm jogado. Robusto fisicamente, bom tecnicamente, forte na condução de bola e com uma grande capacidade para chegar à área contrária, o menino de 18 anos poderá ao mesmo tempo servir de escapatória para o timoneiro encarnado. Tendo em conta que pouco há a perder nesta altura com a sua chamada ao 11, à excepção do risco que é lançar um miúdo numa equipa pouco sólida (mesmo assim há os exemplos de sucesso relativos como Nélson Semedo e Guedes), Rui Vitória passaria a contar com mais um elemento “made in Caixa Futebol Campus” no escalonamento inicial e a tónica voltaria a ser colocada na diminuição do investimento e na falta de matéria-prima que outrora existiu. É fácil de verificar que muita dessa matéria-prima foi criada e potenciada no treino, mas não parece existir a mesma capacidade neste momento e como tal urge encontrar soluções. Os adeptos tenderiam a aceitar com mais facilidade uma hipotética época negativa, Vitória e Vieira ganhariam outra margem que desde Agosto se tem esvaziado progressivamente.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Rodrigo Ferreira

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