Quem chega a protagonista de um Blockbuster não quer passar a actor secundário

No Pacífico, todos os anos há brutais tempestades, as quais arrasam tudo por onde passam. Apesar da periodicidade destes fenómenos, os mesmos não deixem de impressionar quando surgem, por muito que a sua existência, que a sua aparição, fosse já esperada. Ora, a Catalunha não é uma região conhecida por este tipo de fenómenos, mas a verdade é que, no Verão de 2013, aterrou naquela região espanhola uma bomba que, mais tarde ou mais cedo, era expectável que fosse explodir. Depois de uma longa disputa (cujas consequências ainda nem são plenamente conhecidas) com o Real Madrid, Neymar Júnior chegou ao Barcelona com enormes expectativas depositadas em si, como consequência de diversas temporadas arrasadoras no Brasil. Após uma primeira temporada onde, apesar do talento ser inegável, a instabilidade provocada pela sua contratação e o próprio momento conturbado do clube levaram a várias críticas, e uma segunda onde foi uma espécie de "papa-estatísticas", não participando tanto na construção mas sendo incrivelmente eficaz na finalização, esta temporada, com a lesão de Messi, Neymar dissipou quaisquer dúvidas sobre o que é capaz de fazer, assumindo, com 23 anos, as rédeas de um dos maiores colossos Mundias. A bomba explodiu, o furacão está a arrasar tudo.

Ora, este passo em frente dado pelo brasileiro foi, nestes meses sem Messi, uma autêntica benção para Luis Enrique, tendo muito peso (tal como a excelente performance de Luis Suàrez) no momento feliz dos Culés, que têm já 6 pontos de vantagem para o Real Madrid. No entanto, quem chega a protagonista de um blockbuster não quer passar a ser actor secundário. Isto é, Neymar já mostrou que tem todas as condições para ser figura principal de um grande filme de Hollywood. Mas o problema é que, na produção Blaugrana, há um actor que é incontestado. O seu brilhantismo, naturalmente, acaba por ofuscar os outros, por melhores que sejam. Neste sentido, Neymar, depois de ter "tomado o gosto" a ser actor principal, pode não gostar de voltar ao lugar secundário, não por um mau relacionamento com Messi mas pela ordem natural da vida, em que os mais talentosos acabam por ter direito ao seu próprio pedestal. E não há dúvidas de que haverá realizadores de outros filmes sedentos para seduzir tamanha figura.

Pedro Barata

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