Penalti nos descontos salva o Sporting

Imagem: José Sena Goulão
Sporting 1-0 Belenenses (William 90'+3 g.p.)

Isto é mesmo estrelinha! Leões mudaram o chip, foram lentos, previsíveis, não tiveram qualidade individual na frente mas com um golo, de penalti, seguraram a vantagem para os rivais. Uma vitória sofrida, mais uma (o Sporting, este ano, ao contrário do que aconteceu com Marco Silva, está  dar-se bem com o minuto 90), perante um Belenenses organizado defensivamente, mas que também não criou perigo. Bryan Ruiz foi dos poucos a acrescentar algum talento na zona ofensiva. Equipa de Jesus deu a 1.ª parte e no 2.º tempo fez tudo mais em esforço do que com jeito - encontro com demasiadas faltas e maus passes, curiosamente muitos protagonizados pelo marcador do único golo, o médio William Carvalho. No conjunto de Sá Pinto, Luís Leal foi dos poucos a remar contra a maré, sendo que a defesa também se superiorizou quase sempre. Pecou Tonel, que com um penalti nos descontos tirou 1 ponto aos azuis do Restelo.

Quanto ao jogo, Jorge Jesus sentou Naldo em detrimento de Paulo Oliveira e manteve Freddy Montero no onze, com o lesionado Teo ainda de fora, ao passo que Ricardo Sá Pinto apresentou um meio-campo povoado e compacto que tentava dificultar a circulação e as combinações ofensivas dos Leões. E a verdade é que, apesar de logo aos 3 minutos os leões terem estado perto do golo (quando Montero serviu Ruiz para que o Internacional pela Costa Rica fizesse um cruzamento atrasado para Adrien, mas o remate do Português foi travado pela barreira defensiva Azul), durante os primeiros 45 minutos foram poucas as acções de perigo junto das balizas. O Sporting tinha a iniciativa mas não conseguia penetrar no bloco rival. Assim, os Verde e Brancos só voltaram a estar perto de abrir o marcador aos 38’, quando Ruiz, numa jogada espectacular, foi progredindo e tirando adversários do caminho até se isolar, mas Ventura evitou o golo e manteve o nulo no marcador. O segundo tempo não foi muito diferente, mantendo-se as dificuldades do líder da Liga. Aos 60’, já com Gelson em campo (Tanaka também entrou), Montero, num belo gesto remata perto do poste, tal como o também saído do banco Matheus aos 75’ e aos 79’. O Belenenses não passava do meio-campo mas também poucas veleidades defensivas concedia, até que, numa fase em que o Sporting já pouco discernimento tinha (muitas más decisões e passes falhados) Tonel, nos descontos, toca com o braço na bola dentro da área e, na conversão da respectiva grande penalidade, William não treme e dá os 3 pontos ao Sporting.

Sporting - Voltou a ser difícil encontrar o caminho do golo, já no último jogo para a Liga, frente ao Arouca, só no minuto 90 é que os leões tinham desbloqueado o marcador. Sem Téo Gutiérrez disponível, Jorge Jesus voltou a apostar em Montero (que fez talvez o melhor jogo da época em Moscovo), com a disposição táctica habitual, descaindo João Mário para o corredor lateral direito. Mas o jogo fica marcado pela incapacidade individual dos elementos da frente do Sporting, acentuado pela pouca participação dos laterais no jogo ofensivo (Jonathan praticamente não se viu; João Pereira subiu em quantidade, mas não em qualidade), sendo que só Bryan Ruiz lutou contra esta inércia. Nesse sentido, e ao ver os minutos passar, Jesus procurou a velocidade e irreverência de Gelson e Matheus que, pelos poucos minutos que tiveram em campo, pouco conseguiram produzir (ainda assim, mais Gelson que Matheus, muito activo no jogo e a procurar constantemente o drible). Noutro âmbito, fica a excelente exibição de Paulo Oliveira (claramente o elemento defensivo com melhor prestação neste jogo) a ganhar imensos lances na antecipação e entregando a bola com critério na frente. Pela negativa a má prestação de William (falhou imensos passes de grau de dificuldade simples, para além de ser facilmente ultrapassado no drible por Kuca e Leal) e o pouco jogo que João Mário conseguiu produzir.

Belenenses - Desfecho ingrato para a equipa de Sá Pinto que soube sempre ficar organizada e sair no momento certo no contra-golpe. Os azuis apresentaram 3 linhas de pressão atrás da linha da bola, procurando a velocidade do trio da frente, constituído por Kuca, Sturgeon e Luís Leal e, não tendo criado um número de chances digno de registo, foi incomodando a equipa do Sporting principalmente na primeira parte. Para aproveitar esse momento sentiu-se a falta de Carlos Martins no lançamento de jogo em profundidade (o trio do meio campo era demasiado homogéneo e virado para o momento sem bola), ausência que causou estranheza, já que o ex-Benfica foi poupado para a Liga Europa. A título individual, destaque para Ventura (irrepreensível durante os 90 minutos e atento nas saídas), Luís Leal (o elemento mais agitador do ataque do Belém) e, pelo contrário, para Tonel que manchou uma exibição segura com um erro que não combina com a experiência do internacional Português.

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