O futebol não é só para os jogadores perfeitos

O futebol tem várias faces. A estrofe rimada contemplaria Messi, Maradona ou (Gerd) Muller que, para além da primeira letra do sobrenome, se compaginam pelas pautas harmoniosas. A melodia do piano inebria e tranquiliza, despoletando o estranho sentimento de conectar paradoxos. Belo, esplêndido e espetacular! Mas não deixa de ser um de vários preâmbulos, pois o futebol vai além da poesia lírica. O véu destapa-se e entram em cena os artistas alternativos.

O atrativo dos exemplos costuma estar presente, pelo que ilustrar com um servirá de mote ao que vem a seguir. Islam Slimani é o nome de um dos avançados ‘alternativos’ do momento. O ponta de lança, que ainda há bem pouco tempo substituía o LCD de 70 polegadas pelo cinema “de rua”, parece capaz de escrever algumas páginas na história do Sporting. Chegado em 2013 – ano em que se estreou pela seleção - pela módica quantia de 400.000 euros, o magrebino viu-se privado da titularidade pelo então goleador, Fredy Montero. De forma progressiva, o rótulo de ‘suplente’ passou a ‘arma secreta’ e, posteriormente, a ‘titular indiscutível’. A chegada de Jesus aumentou-lhe a preponderância, sendo um dos ‘fetiches’ do técnico. Os números que subiram, desde então, não foram apenas os da conta bancária. «Super Sli» tem feito vários golos (média de 1 tento a cada dois jogos) e parece relevar apetência para faturar frente ao Benfica. A progressão do jogador é uma evidência: capaz de desgastar fisicamente qualquer central, baralha as marcações defensivas com constantes movimentos exteriores, funciona como elo de ligação com a equipa, não se limitando a montar a tenda na área adversária. Apesar do estilo pouco ortodoxo – apresenta dificuldades nítidas na receção e, por vezes, no passe – o argelino tem vindo a ganhar algo de Liedson (com as devidas diferenças) e a aprimorar um jogo aéreo que, não sendo possível clonar, traz à lembrança Jardel.

Slimani é, por estes dias, um dos assuntos de momento. Com JJ, o dianteiro parece mais afoito, leva a agressividade aos limites – chega a ultrapassá-los – funcionando como um autêntico tanque de combate. Da Argélia chegou com um único projétil, hoje prime o gatilho e continua com munição para a guerra.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Renato Santarém

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