O futebol hoje é o menos importante, mas...

Imagem: Daily Mail
Novo ataque terrorista em França, o segundo do ano. Embora ainda não reivindicado, é natural ligar este acontecimento ao atentado que vitimou o Charlie Hebdo, e pensar na França como alvo preferencial dos extremistas islâmicos. Em noite de jogo com a Alemanha (duas potências europeias a nível político defrontavam-se em Paris), coincidência ou não, e sendo a França o país organizador do próximo Europeu de Futebol, é também natural que se coloquem reservas quanto às necessidades de segurança do evento.

É certo que os receios, devido à violência e criminalidade, aquando do Mundial na África do Sul, nunca se concretizaram. E que o Mundial do Brasil, pesem alguns percalços, não teve os contornos de guerra civil que muitos auguravam. Mas a verdade é que Paris está em estado de emergência, com militares nas ruas, e de fronteiras encerradas. As imagens que vemos neste momento não são de Beirute ou Bagdad, não são de uma zona de guerra, são da cidade que vai acolher a final do Europeu.

No Euro, iremos assistir a um fluxo de pessoas difícil de controlar, os espaços públicos, que hoje foram o alvo de eleição, e que serão encerrados devido ao Estado de Emergência, estarão repletos de indivíduos de diversas nacionalidades, ainda por cima porque falamos do Europeu em que estarão representadas mais nacionalidades. Digamos que é um cenário ideal para um ataque em larga escala, tanto em termos de baixas, como em termos de impacto mediático. Claro que este temor advém do choque, e que estas palavras não farão tanto sentido daqui a um ou dois meses, mas tanto organizadores como potenciais espectadores não podem deixar de estar apreensivos.

Conceitos como livre circulação, estado securitário, ou direito à privacidade vão regressar ao debate. Isto, ao mesmo tempo que a Europa recebe um inédito fluxo migratório vindo de uma zona do globo fértil em extremistas. O futebol é hoje o menos importante, mas podemos bem discutir se vale a pena arriscar a organização de um evento destes num país que apresenta falhas de segurança (não se sabe ao certo se ou quantas existem redes organizadas estão montadas dentro do próprio país, a que escala, e quão integradas estão na própria sociedade) e parece permeável a acções desta natureza. Ou se por outro lado, o facto de alguém sequer colocar a hipótese do Euro não se realizar com total normalidade e naturalidade significa que os terroristas venceram.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Nuno R.

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