Não há duas sem três ou à terceira é de vez?

Coincidências da vida, que depois daquela que foi a mais polémica transferência de um treinador de que há memória, os dois clubes envolvidos, Sporting e Benfica, se voltem a defrontar entre si, naquele que será o terceiro confronto em menos de meio ano. Um derby é sempre um derby, sendo que o primeiro decidiu um troféu (menor, mas ainda assim um título), e o segundo pouco ou nada definiu em termos de campeonato, mas teve grande impacto nos índices de confiança (por todo o ambiente que o antecedeu, e devido ao resultado final e modo como este foi obtido). O de Sábado tem contornos decisivos em termos desportivos, pois trata-se de uma partida a eliminar, para aquela que é a segunda prova mais importante do calendário interno. E de certeza que tanto Rui Vitória como Jorge Jesus não quererão desperdiçar a chance de serem os primeiros a receber a Taça das mãos do Professor Marcelo. Como não podia deixar de ser, os dois treinadores são cabeças de cartaz. Jesus, o Cérebro, volta a defrontar Vitória, o Navegador. O treinador do Sporting mostrou nos dois confrontos anteriores que sabe bem como a sua ex-equipa funciona, e quais as fragilidades a explorar. Esta é uma situação natural, pois a maior parte dos atletas usados pelo Benfica foram treinados por Jorge Jesus (apenas Jimenez, Mitroglou e Semedo fogem a esta regra), pelo que não surpreende que o Sporting, por exemplo, tenha na Luz pressionado as saídas de bola de André Almeida, ou explorado o espaço entre Jardel e Eliseu. Jogando perante o seu público, é possível que a abordagem ao jogo por parte dos leões seja algo diferente, aparecendo mais pressionantes desde o apito inicial, em contraponto com a postura expectante mostrada na Luz. Já quanto a Rui Vitória, tem um teste que pode bem determinar o seu futuro enquanto timoneiro da armada encarnada. É certo que uma derrota não irá provocar o seu despedimento sumário, mas três derrotas em três jogos frente ao histórico rival são um lastro demasiado pesado. No encontro para a Liga, o colectivo mostrou dificuldades em furar a muralha verde e branca, e vacilou em questões básicas como a saída de bola ou recuperação defensiva. O Benfica dispôs as suas embarcações em modo de ataque, mas três tiros certeiros afundaram a frota encarnada, deixando apenas uma equipa à deriva, e cujas debilidades ficaram claramente expostas. Portanto, ao Benfica cabe não só vencer, mas também convencer, e a Rui Vitória provar que as duas derrotas anteriores foram mera coincidência.

Dúvidas
Do lado do Sporting, a grande dúvida prende-se com a utilização de Jefferson. O brasileiro é pedra basilar no processo ofensivo, e as recentes movimentações só vêm provar que Jonathan não merece total confiança. Do lado do Benfica, há três questões a responder: se Jonas vai jogar, caso esteja apto quem joga ao seu lado (sendo que não será surpreendente que seja Gaitán, num sistema de 4-2-3-1, com Carcela numa ala), e quem fará dupla com Samaris. O mexicano Jimenez tem sido opção, mas a sua ineficácia é inversamente proporcional ao seu espaço de manobra no onze. No meio-campo, o grego tem sido indiscutível, mas ainda não encontrou parceiro certo. Talisca ou Pizzi podem ser opção, mas a natureza da partida aconselha uma prudência que bem se pode traduzir na presença de André Almeida como segundo médio, o que acrescenta coesão defensiva, mas retira poder na transição ofensiva. Outro aspecto a considerar é o desgaste de vários jogadores vindos de compromissos internacionais ao serviço das suas selecções. Já se sabe que os lusitanos se cansaram por terras longínquas, mas é preciso não esquecer que Gaitan e Jimenez andaram por terras para lá do Atlântico, tal como Ruiz e Gutierrez, enquanto que Slimani regressa após meter 4 lanças em África.

Ás de trunfo
Benfica é Gaitan, e o mau jogo para a Liga também se deveu ao menor rendimento do argentino. Como um raio não cai duas vezes no mesmo sítio, é natural que desta vez ele se coloque do lado de João Pereira, que tem mostrado claras dificuldades defensivas esta temporada. Muitas das esperanças encarnadas recaem naquilo que o extremo possa fazer, quer em termos de criação de jogo, quer em termos de arrancar faltas e sanções disciplinares. Quanto ao Sporting, é indiscutível o papel
fundamental de Slimani, hoje em dia o centro de decisão do ataque leonino. Presença imponente na área, o modo como se movimenta e ataca a bola fazem dele um alvo difícil de marcar. Na Luz, desfeiteou Júlio César com uma cabeçada bem colocada, e participou num golo em que cavalgou meio campo perante a apatia contrária.

Joker
João Mário deve continuar à direita, embora claramente renda mais no centro do terreno. Mas Jesus não deve querer abdicar da pressão de Adrien sobre os médios contrários, nem expôr demasiado a sua equipa ao utilizar dois extremos aberto, isto porque Ruiz, caso esteja em condições, será titular. Mitroglu pode ser a surpresa de Rui Vitória. O grego não tem a capacidade de movimentação e luta de Jimenez, mas é muito mais forte dentro da área, e tem um jogo aéreo que pode fazer mossa.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Nuno R.

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