Melhor 11 português da I Liga até ao momento

Ao fim de 10 jornadas, já é possível fazer um primeiro balanço sobre o campeonato. E um dos pontos mais interessantes é a afirmação do jogador luso, algo que merece destaque numa Liga que é acusada de ter um excesso de estrangeiros. Neste sentido, o VM indica aquele que tem sido até ao momento o melhor 11 português da I Liga. Não descurando que o Sporting segue em primeiro lugar e conta com vários elementos portugueses no 11, o FC Porto também fez uma maior aposta no mercado interno este ano e o próprio Benfica inverteu parcialmente a tendência e lançou alguns elementos da formação na equipa principal. Por outro lado, conjntos como o Belenenses merecem sempre apreço, pelo que os passos que, actualmente, por opção ou falta de liquidez financeira, vão sendo dados no sentido da valorização do produto nacional são manifestamente animadores em relação ao que se assistiu nos últimos anos. 

Melhor 11 português da I Liga nas primeiras 10 jornadas:

Marafona (Paços de Ferreira) – Depois de uma boa temporada em Moreira de Cónegos, o guardião chegava à Capital do Móvel com o estatuto de aquisição sonante, visando terminar com a instabilidade que se viveu no respectivo posto na época transacta. Não demorou a afirmar-se e tem rubricado excelentes exibições ao serviço dos pacenses, tendo sido mesmo decisivo em alguns encontros, ao ponto de muitos já terem pedido a sua chamada à Selecção.
João Aurélio (Nacional) – O polivalente dos madeirenses continua a ser um dos mais influentes do conjunto de Manuel Machado. Dotado de uma elevada propensão ofensiva e de uma grande entrega, o capitão dos rubro-negros tem marcado mais uma vez a sua temporada pela regularidade e pela excelente leitura de jogo que lhe permite desempenhar qualquer missão com eficácia.
Paulo Oliveira (Sporting) – No eixo defensivo do líder do campeonato, o central proveniente do V. Guimarães continua a solidificar a sua posição no clube e merecia já um olhar diferente por parte de Fernando Santos em face do seu rendimento em campo. Tecnicamente tem lacunas, mas compensa com a sua lucidez no momento defensivo, nomeadamente ao nível do desarme e do posicionamento, sendo, até ao momento, um indiscutível para Jesus.
Hugo Basto (Arouca) – O Arouca tem sido uma das equipas que menos oportunidades de golo concede aos seus adversários, sendo para tal muito importante o desempenho do eixo defensivo. Um dos elementos da dupla de centrais é Hugo Basto, um defesa de 22 anos e que se tem afirmado este ano na I Liga. Discreto e sereno, tem primado as suas exibições pela boa capacidade de marcação e pela eficiência no processo defensivo.
Hélder Lopes (Paços de Ferreira) – Muito se falou da saída do antigo lateral do Beira-Mar, mas a verdade é que o defesa de 26 anos acabou por permanecer na Mata Real e, deste modo, o Paços segurou um dos elementos com melhor rendimento na última época. Rápido e de grande propensão ofensiva, voltará certamente a ser associado a clubes com ambições superiores ou com outro poderio financeiro.
Afonso Taira (Estoril) – Na posição 6, uma das agradáveis surpresas deste campeonato. Formado em Alvalade, o médio era um habitual suplente na temporada transacta, sendo catapultado para a titularidade por mão de Fabiano Soares. Crucial na equipa da Linha, Taira tem revelado qualidades ao nível do desarme, da leitura de jogo e na primeira fase de construção, sendo que também já marcou por uma ocasião. Tem como pecha a sua baixa estatura para a missão em causa, mas a sua inteligência tem-lhe permitido disfarçar essa situação, sendo até de realçar a sua considerável capacidade de impulsão.
André Sousa (Belenenses) – No centro do meio-campo, um cão de caça à imagem do seu treinador. Após épocas de sucesso na II Liga, o médio deu o salto para a I Liga para se afirmar ao mais alto nível e a verdade é que é um elemento fundamental na manobra dos Azuis do Restelo. Fortíssimo na pressão, com boa qualidade de passe e nas bolas paradas, o atleta de 25 anos está também a ser uma das revelações deste campeonato.
André André (FC Porto) – A fechar o miolo do terreno um elemento que, tendo em conta a concorrência interna, ninguém no início da temporada daria como hipótese provável. Filho de uma antiga glória dos dragões, André chegou de Guimarães e não tardou a encarnar a nova pele. Dotado de um espírito guerreiro que, por vezes, faltou na última época, uma leitura de jogo assinalável e uma polivalência que muito agrada a Lopetegui, já que lhe oferece uma panóplia de soluções considerável, o português tem sido o médio mais consistente dos vice-campeões nacionais. O ponto alto deu-se no clássico frente ao Benfica, onde apontou o golo da vitória dos azuis e brancos.
João Mário (Sporting) – No corredor direito, um falso ala. Tecnicamente muito evoluído e com perfeita noção do espaço, Jesus tem utilizado o médio formado em Alcochete na faixa, embora actue quase permanentemente em zonas interiores. Perfeito a gerir os tempos do jogo, forte no passe e na decisão, o jogador lançado por Marco Silva na equipa principal tem sido uma espécie de patrão na equipa leonina, tendo esse protagonismo sido exacerbado no derby da Luz.
Rafa (Braga) – Depois de uma temporada pouco sucedida, o “Hazard português” parece estar de volta, tendo estado presente neste último duplo compromisso internacional da Selecção portuguesa. Muito rápido e com uma grande capacidade nas transições, o jogador proveniente do Feirense tem sido o abre-latas dos bracarenses, estando perfeitamente identificado com o modelo de jogo de Paulo Fonseca, onde lhe é permitido aparecer em várias zonas do campo. Além disso, leva já 4 golos marcados, tendo o ponto alto acontecido em Guimarães, onde ofereceu a vitória perante o eterno rival dos gverreiros.
André Claro (V. Setúbal) – Na frente de ataque, um avançado revitalizado por Quim Machado. O Vitória tem sido uma das equipas com futebol mais atractivo neste campeonato, algo que ganha ainda maior destaque tendo em conta as limitações financeiras do clube e o desconhecimento por parte da crítica de vários jogadores no início da época. Fora desse contexto estava André Claro, proveniente do Arouca. Formado no FC Porto, o extremo/2.º avançado tem revelado a sua técnica, mobilidade e poder de finalização ao serviço dos sadinos, tendo já somado 6 golos esta temporada.

Rodrigo Ferreira

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