Rússia castiga mais um jogo "à Fernando Santos"; Guedes marcou pontos na estreia (Neves, Ricardo e Lucas João também se estrearam); João Mário foi dos mais esclarecidos; Patrício segurou o nulo na 1.ª parte; William errou no golo; André André pouco acrescentou numa equipa que praticamente não teve futebol ofensivo

Rússia 1-0 Portugal (Shirokov 89')

No primeiro amigável de preparação para o Euro'2016, Portugal foi derrotado na Rússia por 1-0. Depois de mais uma exibição praticamente nula em termos ofensivos, a equipa de Fernando Santos foi castigada com um golo de Shirokov já nos últimos minutos. Para além das estreias de Gonçalo Guedes, Rúben Neves, Ricardo e Lucas João, sobram poucos destaques positivos e a certeza de que é preciso melhorar muito para chegar nas condições ideais ao Europeu. 

Portugal entrou de forma algo desconcentrada e permitiu que a Rússia tivesse ascendente no período inicial, com Dzyuba a conseguir transportar a boa forma do Zenit para a selecção. O gigante foi um problema constante e esteve perto de marcar, mas Rui Patrício e a barra mantiveram o nulo. A equipa de Fernando Santos equilibrou o jogo a partir dos 20 minutos, aumentando o critério na posse de bola. Ainda assim, faltou qualidade na definição dos lances no último terço, sobrando uma ocasião perigosa de Gonçalo Guedes. A segunda parte foi bastante monótona, disputada num ritmo baixo e com as duas equipas a mostrarem poucos argumentos para desequilibrar a defesa contrária. Shirokov ameaçou logo a abrir, mas a partir daí praticamente não houve oportunidades para desfazer o 0-0, embora a Rússia tenha estado sempre por cima. Portugal teve um volume ofensivo muito pobre, e quando chegou perto das imediações da área russa não conseguiu dar a melhor sequência às jogadas. Habituada a ganhar jogos nos últimos minutos, desta vez a turma de Fernando Santos sofreu com o próprio veneno. Um erro de William permitiu que a equipa da casa saísse rápido para o ataque e, depois de uma excelente jogada, Shirokov, a passe de Dzyuba, apareceu na grande área e bateu Rui Patrício para dar uma vitória justa aos russos. 

Destaques: 

Portugal - Uma exibição na senda daquilo que tem acontecido na era Fernando Santos, mas sem a mesma consistência defensiva (Dzyuba foi um quebra-cabeças constante e as penetrações dos médios russos também criaram muitas dificuldades) e sem a eficácia ofensiva que ia dando vitórias. Seria difícil sair com um triunfo hoje, já que a equipa nacional praticamente não teve volume de ataque e oportunidades de golo nem vê-las. O técnico português, por muito que se queira enaltecer os aspectos positivos (nomeadamente a qualificação tranquila), continua a demonstrar pouco em termos de ideias de jogo e como se sabe não há muito tempo para preparar competições como o Europeu. Sem Ronaldo e Moutinho a equipa perde duas das principais referências e as limitações notam-se ainda mais. André André esteve longe de substituir com qualidade o médio do Mónaco, passando ao lado do jogo, e no ataque Nani, para não variar, mantém o lugar cativo mesmo sem nada produzir. Nélson Oliveira foi mais vítima do que culpado, sofrendo com a falta de critério de quem o servia. João Mário foi a excepção, conseguindo, em alguns momentos, fazer a diferença através do transporte, embora nem sempre decidindo bem no último passe. William teve um bom período no final da primeira parte, mas pautou a sua exibição pela irregularidade e sai com culpas no lance do golo. Na defesa,  Cédric e Eliseu foram pouco fiáveis e voltaram a demonstrar as suas limitações, ao passo que Bruno Alves e Pepe também não tiveram um dia fácil perante Dzyuba. Foi valendo Rui Patrício, com boas defesas que foram adiando o golo. O mais importante a reter deste jogo acabou por ser as estreias de Gonçalo Guedes, um dos melhores de Portugal em termos ofensivos e sempre disponível para apoiar o lateral, Rúben Neves, Lucas João e Ricardo Pereira, embora não tenha havido tempo para tirar grandes ilações.

Rússia - As melhorias com Slutsky são claras e os russos são uma selecção a ter em conta para uma boa prestação no Europeu. Dzyuba está numa super forma e é nesta fase a principal referência da equipa. O avançado do Zenit impressiona sobretudo pela forma como consegue aliar alguns recursos técnicos à sua dimensão física, sendo um perigo constante na grande área. O ataque da equipa da casa conseguiu criar grande parte dos desequilíbrios através das entradas dos médios Samedov, Dzagoev e Shirokov, todos com bom toque de bola e muita inteligência na procura dos espaços. A dupla de meio campo deu liberdade aos homens mais ofensivos e permitiu que os laterais também se pudessem integrar no ataque. Apesar de Portugal ter atacado pouco, notou-se que a defesa não esteve particularmente coesa, nomeadamente no espaço entre Zhirkov e Berezutsky.

Etiquetas: ,