FC Porto complica; Brahimi arrastou-se, Casillas deu um "frango", Imbula complicou, André só entrou na 2.ª parte, mas ainda foi a melhor unidade; Dragões (que ainda não tinham perdido esta época) praticamente não tiveram uma oportunidade de golo; Yarmolenko e Derlis desmontaram a defesa portista

FC Porto 0-2 D. Kiev (Yarmolenko 35' g.p. e Derlis González 64')

Do nada, o FC Porto passou de um cenário em que o 1.º lugar no grupo G, e o apuramento, parecia garantido, para estar "obrigado" a vencer no terreno do Chelsea. Os azuis e brancos, quando só precisavam do empate, foram derrotados, no Dragão, pelo D. Kiev e complicaram bastante a passagem na Champions: tem agora 10 pontos, os mesmos da equipa de Mourinho, mas apenas mais 2 que o rival desta noite. Um resultado (0-2), a 1.ª derrota da época, que nem traduz o que foi o encontro, já que o campeão ucraniano foi claramente superior, tendo, além de mais oportunidades, tido o mérito de ter conseguido castigar os erros individuais e a pobre exibição colectiva dos portistas. Numa noite para esquecer do conjunto de Lopetegui - que à excepção de um remate fraco de Tello, de uma bola ao poste, mas enviada por um defesa do D. Kiev, e outra à barra no minuto 93, praticamente não criou um lance ofensivo, quanto mais uma oportunidade - foram vários os elementos a ter nota negativa: Casillas deu um "frango" no 2-0, Imbula cometeu um penalti infantil, Brahimi foi o espelho da prestação azul e branca, com o seu futebol lento e inconclusivo. No meio desta mediocridade individual, salvou-se André André que, apesar de surpreendentemente só ter entrado ao intervalo, esteve nos poucos lances de destaque dos anfitriões. 

Quanto à partida, Como era de esperar, o FC Porto entrou a assumir. Os dragões conseguiam ter posse, com os laterais a envolverem-se no ataque e com boas movimentações de Imbula. No entanto, os homens da casa não conseguiam materializar esse domínio em ocasiões de golo, com algumas falhas na definição no último terço. O Dinamo começou a crescer na partida, com os seus médios a pressionarem alto e a importunarem a saída de bola dos portistas. O primeiro aviso surgiu por Derlis González, com Casillas a defender para canto um remate do ex-Benfica. À passagem do minuto 28, a primeira grande oportunidade de golo. Excelente jogada de Yarmolenko pela direita, que cruzou para Garmash cabecear ao poste e Moraes rematar para fora na recarga, quando tinha a baliza aberta. Yarmolenko ia causando muitos estragos pelo seu flanco (Layún sofreu muito com ele) e à passagem do minuto 34, penalti para a formação ucraniana. Imbula derruba Rybalka e o Yarmolenko não perdoou da marca dos 11 metros. O Porto voltou a ter mais bola a seguir ao golo, mas sem conseguir efeitos práticos. Quem criou perigo novamente foi Yarmolenko, com Casillas a corresponder bem a mais uma bela jogada do ucraniano. Ao intervalo, Lopetegui colocou em campo André André e tirou Maxi Pereira, provocando uma mini-revolução (Danilo recuou para central, Indi foi para lateral esquerdo e Layún passou para a direita). Os portistas entraram mais pressionantes e com uma circulação mais rápida e agressiva, mas o melhor que conseguiram foi um remate fraco à figura de Tello, quando se encontrava em boa posição. A equipa ucraniana voltou a subir as linhas e começou a provocar muitos erros por parte da equipa da casa. Num deles, Marcano tem uma perda de bola em zona proibida, com Casillas a safar novamente numa defesa com os pés. No entanto, adivinhava-se o golo e pouco depois o Dinamo faz o 2-0. Mais uma perda em zona proibida, com Derlis a pôr em prática a sua velocidade e a rematar para o fundo das redes, com a ajuda de Casillas, que ficou muito mal na fotografia, com uma defesa incompleta para a própria baliza. Pouco depois, Derlis (grande 2.ª parte) voltou a aparecer, mas o seu tiraço de fora da área saiu pouco ao lado. Com uma desvantagem de dois golos, Lopetegui lançou Corona e Osvaldo (saíram Imbula e Brahimi), embora a equipa portista não tenha conseguido uma reacção forte (sentiram bastante o 2.º golo). Numa bela jogada de André, Garmash quase faz auto-golo (a bola foi ao poste), mas essa foi a primeira oportunidade dos dragões até à altura. Até ao fim, os visitantes congelaram o encontro, conseguindo ter bola, embora os dragões tenham estado perto de marcar já em períodos de compensação, com André André a ser novamente infeliz num remate (que sofreu um desvio) à barra.

FC Porto - exibição apagada, desinspirada, e com demasiados erros individuais, que saíram caro. Os dragões tiveram muita posse de bola, mas sempre inconsequente, e as acções atacantes no último terço limitaram-se quase exclusivamente a jogadas individuais, que raramente resultaram num lance de perigo. O meio campo teve muita dificuldade em parar as trocas de bola do Dínamo, e os avançados nunca impediram os ucranianos de saírem a jogar desde a sua área. Muitos foram os duelos individuais perdidos, passes falhados, e bolas que invariavelmente caíam na zona de jurisdição dos homens que vestiram de azul. E embora a exibição tenha sido frouxa e muito aquém do exigível, o FC Porto acaba por ser penalizado pelas gaffes, em especial a de Imbula, que cometeu um penalty escusado, e a de Casillas, que abordou o remate de Derlis de modo displicente. Individualmente, o suplente André André foi o menos mau, conseguindo aparecer com perigo em zonas de finalização, mas tudo o resto foi uma desgraça. Danilo nunca conseguiu impôr o seu jogo, e só piorou com a descida para o centro da defesa, sendo ultrapassado com facilidade, mesmo quando tentava impôr o físico. Imbula conseguiu ser pior, não pressionou a defender, não ajudou no ataque, e ainda ofereceu uma grande penalidade. Aboubakar esteve pouco acompanhado, até porque Brahimi se limitou a andar por ali, e Tello foi inconsequente. O espanhol teve nos pés a melhor oportunidade azul e branca, mas não fez melhor que passar a bola ao guardião contrário. Na defesa, Layun sofreu perante Yarmolenko, e Marcano acumulou erros de abordagem (alguns deles salvos pelo apito) consecutivos, obrigando Martins Indi a trabalhos redobrados. E se o Senhor 20 milhões esteve ausente, a presença do Mr. Champions fez-se sentir: Casillas, que até teve algumas intervenções complicadas, enterrou as esperanças da sua equipa ao mandar uma sapatada displicente num remate perfeitamente defensável.

Dínamo Kiev - o campeão ucraniano veio com a lição estudada, e executou-a na perfeição. Começando encolhidos, foram-se estendendo no terreno, e acima de tudo, tentaram sempre sair a jogar com critério, sendo que até o guarda-redes evitava os passes longos. Com os jogadores muito juntos, conseguiram sempre defender em bloco, e quando com bola, avançar no terreno através de jogo apoiado. As melhores jogadas de ataque foram dos visitantes, que ganharam a maior parte dos duelos individuais (muito bem os ucranianos a colocar o corpo nas divididas e a correr para o sítio onde a bola ia cair) e mostraram um forte colectivo. Yarmolenko dinamitou o lado esquerdo portista, usando de uma técnica apurada aliada a força e velocidade; do outro lado Derlis perdeu mais bolas, mas acabou por beneficiar com a chegada da dupla Layun-Danilo, impondo finalmente o seu drible em progressão. Junior Moraes colocou muitas dificuldades à defesa, funcionando como apoio para os colegas que vinham de trás, tais como Garmash, que cabeceou uma bola ao poste, e ainda apareceu mais vezes com perigo perto da baliza. Antunes esteve seguro na defesa, embora pouco afoito no ataque.

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