Eis a Magia

Às vezes, perguntam-me o porquê de gostar tanto da Premier League. Outras vezes, questiono-me sobre se valerá realmente a pena despender tantas horas com o futebol, seja a acompanhar partidas, seja a elaborar o rescaldo semanal da jornada. Por momentos, conformo-me com o facto de não encontrar respostas nas palavras, tal a mescla de sensações que me invadem, e limito-me a contemplar o belo - o real motivo. Era tão fácil desistir de tudo, pôr a cabeça noutro lado qualquer e esquecer-me que um dia cheguei a gostar disto. Todavia, é tão difícil passar um fim-de-semana sem tê-la ao meu lado, largar esta que já é uma parte de mim. Porque o futebol, mais do que uma ciência, tem as suas essências no espetáculo. E este campeonato é indubitavelmente o mais contagiante. Aquele que apresenta uma maior oferta de momentos que nos fazem venerar tanto este desporto.

A ronda número 13 da Premier League apresenta contornos históricos, inesquecíveis, mágicos. O Leicester é líder da Liga Inglesa.  Adjetivos é o que escasseia para descrever esta trajetória, depois de há um ano estarem praticamente na posição inversa na Premier League. Para não variar, Vardy marcou (e igualou o recorde de jogos consecutivos a faturar de Van Nistelrooy), Mahrez assistiu, o ataque esteve irresistível e Ranieri continua a dar lições a muito boa gente. O 0-3 nem é tão surpreendente, tendo em conta que do outro lado encontrava-se o (mais do que) medíocre Newcastle que voltou assim a naufragar. Por falar em naufrágios, e aqui sim residem as grandes surpresas, o que dizer das derrotas de Arsenal e City? Os Gunners, caíram aos pés do West Brom, comandado por Tony Pulis. Ou melhor, pelo Manuel Machado britâncio. Incrível a consistência que oferece às suas equipas! Do lado contrário, o maior destaque vai mesmo para Özil, uma espécie de Vardy das assistências, tendo feito passes para golo em 8 dos últimos 10 encontros do Arsenal. No Etihad, mais uma fantástica vitória para Klopp. A pressão ao portador da bola contrário foi primordial e alguns elementos, uma vez mais, mostram clara subida de rendimento. O alemão, que parece ter andado na mesma escola que Bilić frequentou, volta a pôr os adeptos dos Reds no mundo da Lua. Manchester United e Tottenham foram outros dos emblemas a aproximar-se a passos largos do topo. Se em Watford foi necessário arrancar uma vitória a ferros mesmo sem pontas-de-lança, em White Hart Lane houve fartura e mais um bis do "velho" Kane. Está de volta.

Kane e Vardy que juntam-se a Lukaku no trio de melhores 9 da Premiership até ao momento. O belga também voltou aos melhores momentos esta temporada e molhou o bico duas vezes igualmente. Os outros dois foram de Barkley na Chapa 4 imposta ao Aston Villa. Villans muito frágeis a defender não deram assim seguimento ao bom resultado obtido na jornada anterior. Quem aproveitou para respirar foi o Sunderland ao obter o seu primeiro triunfo fora graças a um tento de um dos veteranos mais úteis do país. O Bournemouth também somou pontos longe de casa, mas as circunstâncias em que ocorreu o empate com o Swansea não evitam um amargo de boca. Também na condição de visitante, mais três pontos fulcrais para o Stoke na aproximação aos lugares cimeiros, pelos quais está obrigado a lutar depois do investimento realizado no defeso. Para terminar, o Chelsea, apesar de ter ganho pela margem mínima, voltou a dar sinais de melhoria, seja pela maior dinâmica de ataque, entrega por parte dos jogadores ou pela clean sheet. Mas o verdadeiro teste chega no próximo domingo, quando visitar o Tottenham. Nos anteriores, chumbou.

Onze Ideal da Jornada 13 da Premier League: Ruddy (Norwich); Johnson (Stoke); Alderweireld (Tottenham); Skrtel (Liverpool); Brunt (West Brom); Schneiderlin (Manchester United); Barkley (Everton); Coutinho (Liverpool); Mahrez (Leicester); Lukaku (Everton) e Kane (Tottenham).
MVP: Barkley (Everton). Deu para assistir, marcar e deixar a cabeça dos defesas do Villa em água. Fantástica performance de mais um entre os vários jovens prodígios ingleses, neste que está a ser o seu ano de "explosão". Nota-se claramente que desempenha uma função importante na manobra ofensiva dos Toffees, estando as melhores exibições da equipa, intimamente ligadas aos dias de maior inspiração do médio.
Jogador a Seguir: Alli (Tottenham). Grão a grão os Spurs vão enchendo o papo e no meio da confusão em que se encontra o topo da tabela, nascem esperanças da conquista do título. Também aqui há "miudos" em foco. Se no ano passado o foco do meio-campo do Tottenham esteve em Mason, este ano há que realçar o percurso de Dier e do sub-20 Alli. Este último, voltou a fazer a diferença no embate com o West Ham e promete continuar a surpreender.
Treinador da Jornada: Jürgen Klopp (Liverpool)
Melhor Jogo: Manchester City 1 vs Liverpool 4
A Desilusão: Os ex-líderes. Derrotas claras e inesperadas após uma paragem para as seleções que se revelou venenosa. Se o Arsenal teve um dia mau o City conseguiu ter um dia péssimo e no final as contas ficaram todas baralhadas. Depois disto, fica-se com a sensação que todos podem perder pontos, em qualquer lado, a qualquer dia, e à conquista do título há tudo menos favoritos.
Menção Honrosa: #prayfortheworld. O futebol voltou-se a unir em torno de uma grande causa. Não apenas Inglaterra, é certo. Mas não deixa de ser elogiável a forma como se respeitou o minuto de silêncio em todos os campos da Premier League e a devoção com que muitos cantaram o hino gaulês. Mas mais do que rezar por Paris, é importante rezar pelo mundo. O futebol, este, voltou a fazer a sua parte.

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