«É o campeonato da Europa onde os jogadores correm mais quilómetros»

Lopetegui, treinador do FC Porto, deu uma longa entrevista à EFE, onde falou de tudo. Abordou Iker Casillas, Brahimi, Aboubakar e Tello, diz que "embora se confesse admirador dos estilos de Johan Cruyff e Pep Guardiola, com os quais coincidiu no Barcelona dos anos 90, o antigo guarda-redes do Logroñés, Rayo Vallecano, Las Palmas e Real Madrid não acredita nos "estilos definitivos" e sim numa óptica mais evolutiva e pragmática do jogo", e destacou a competitividade da I Liga, tendo ainda lançado umas farpas à arbitragem.

Casemiro e Óliver Torres hoje são importantes no Real Madrid e no Atlético.
«Ambos vinham de épocas sem jogar e entendemos que tinham condições para se adaptarem à máxima exigência do FC Porto. A chave é que têm uma grande mentalidade, porque nunca se deixa de aprender. Ter paixão e ser humilde para crescer e melhorar é um conceito básico». 

Yacine Brahimi e Vincent Aboubakar estão a melhorar a passos gigantescos.
«Brahimi vinha de uma equipa (Granada) que jogava diferente do Porto. A sua adaptação centrou-se em entender o jogo coletivo e aí estamos, porque é preciso continuar a evoluir. Embora tenha jogado pouco no ano passado, Aboubakar mostrou uma condição importante: humildade e inteligência para aprender. É um rapaz que treina com uma paixão espetacular. E este é o melhor segredo para qualquer jogador»

Cristian Tello (ex-Barcelona) está a recuperar a forma da temporada passada.
«O Cris evoluiu. A sua melhoria foi entender um pouco que tem que ser um jogador mais completo. Em nada vale nada estar aberto e fazer uma jogada. É preciso fornecer para a equipa»

Rúben Neves, de 18 anos, foi comparado com Sergio Busquets. Apostou no Neves quando tinha 17 anos.
«É mau comparar um jogador. Tem boas condições futebolísticas, boa mentalidade e uma dose suficiente de inteligência e humildade para saber que tem que melhorar muitíssimo. As comparações levam ao engano. O futebol é tão competitivo que, caso pares, passam-te por todos os lados»

Héctor Herrera 
«O ano passado jogou praticamente sempre, mas está há dois anos sem férias. Em 2014 jogou o Mundial e em 2015 a Gold Cup. E isso tem muita influência».

Corona e Layún 
«Estamos contentes com eles. São bons jogadores, têm bom carácter e boa disposição no trabalho. Estamos encantados com a energia a capacidade deles. O Layún jogou na segunda divisão inglesa e quase sempre à frente do lateral. Já o conhecíamos há muito tempo e sabíamos que tinha condições técnicas, físicas e mentais capazes de nos ajudarem. Tem uma energia incrível».

Iker Casillas
«Está a colocar toda a sua experiência ao serviço dos nossos interesses e está absolutamente identificado com a exigência de um clube como o FC Porto. Entendeu perfeitamente o que um clube destes exige». 

Qual é teu jogador ideal? Quem admiraste?
«O que é capaz de interpretar bem o que tu lhe pedes e que tenha as condições para desenvolvê-lo. Admirava os jogadores que faziam a equipa jogar. Gostava bastante de ver o Platini. Também Zidane e Guardiola».

Foste treinado por Johan Cruyff. É verdade que ele dizia que se tinha que correr o menos possível?
«Isso parte da premissa de tomar a iniciativa com base numa condição técnica importante e num aproveitamento do espaço. O que dizia na realidade é que fizesses o rival correr. E se corrias muito era porque estavas mal colocado. A sua ideia foi visionária».

Como evoluiu essa ideia?
«Um treinador que deu um passo importantíssimo foi Guardiola»

O Porto encaixa-se nessa filosofia?
«Não acredito nos estilos definitivos. Cada treinador trata de tirar o máximo rendimento do que tem para vencer. Somos uma equipa que quer ter muito a bola, porque achamos que assim atacamos melhor e defendemos melhor. Isso não quer dizer que não vamos desperdiçar espaços abertos para o contra-ataque. Às vezes, um bola em cima bem dirigida é preferível»

Como é o futebol em Portugal?
«É um futebol muito competitivo, dos mais da Europa. Sabias que é onde se correm mais quilómetros na Europa? Há um trabalho tático defensivamente fantástico. Há bons treinadores e bons jogadores».

Na tua primeira temporada tiveste uma rivalidade com Jorge Jesus, ex-treinador do Benfica e atualmente no Sporting.
«O que aconteceu, aconteceu e não foi nada de extraordinário dentro do mundo do futebol. Extraordinário é o que saiu (denúncias de árbitros) e isso é o que mais nos preocupa».

Referes-te às denúncias de um ex-árbitro que diz ter recebido pressões para favorecer o Benfica.
«Nós dedicamo-nos a treinar, mas é preciso fazê-lo (investigar) para preservar a boa fé na competição e preservar a liberdade e honra dos árbitros, que não estejam coagidos (...) Espero que todas essas coisas que são feias e que parece que existiram e estão por aí sejam limpas para sempre»

No ano passado foste aos quartos-de-final da Liga dos Campeões. Qual é a principal meta desta época?
«A esperança está em todas as competições. Mas é certo que o torneio da Liga é o da regularidade e é o que mais nos pode entusiasmar. Temos a certeza que vai ser competitivo até ao final, com o Sporting, o Benfica e o Braga, que está a um nível extraordinário»

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