Demasiado Sporting para tão pouco Benfica; Slimani só resolveu no prolongamento, mas o leão foi sempre superior; João Mário voltou a encher o campo; Adrien também foi decisivo; Encarnados (que nos primeiros 65 minutos só fizeram 1 remate) pouco se viram no ataque e fartaram-se de comprometer na defesa (valeu Júlio César, apesar de ter ficado mal no 1-1)

Sporting 2-1 Benfica (Adrien 45'+1 e Slimani 112'; Mitroglou 6')

Não há duas sem três. Voltou a dar Sporting no grande dérbi do futebol português. Os leões, depois da vitória na Supertaça e campeonato, desta vez vergaram o Benfica na Taça, carimbando assim a passagem para os oitavos-de-final. Um duelo resolvido apenas no prolongamento, depois do campeão nacional até ter começar a partida praticamente a vencer, mas se houve jogo em que o conjunto de Jesus foi claramente superior foi neste, até mais que nos 3-0 para a Luz. Os verde e brancos dominaram a partida por completo, tiveram várias oportunidades claras, perante um adversário sem ideias, nem organização para contrariar o futebol dos anfitriões. Slimani (incrível o que corre, o que desgasta) resolveu e foi um dos grandes destaques da partida, mas também esteve infeliz na finalização (bola ao poste e uma oportunidade clara desperdiçada em cima dos 90); João Mário, à semelhança do que aconteceu na Luz, fez igualmente um partidazo, o médio tanto na ala como no meio fartou-se de desequilibrar; Adrien, que esteve nos 2 golos, também foi decisivo, num jogo em que o sector defensivo, com João Pereira e Ewerton em evidência, praticamente não errou; Do lado das águias, Gaitán começou bem mas foi perdendo influência e com isso a equipa ficou sem soluções. Valeu Júlio César, com algumas defesas importantes, que foi prolongando a incerteza no marcador.

Quanto à partida, Montero foi aposta em detrimento de Téo no Sporting, enquanto que Pizzi jogou no lugar de Jonas (embora apenas no papel, dado que foi Gaitán a jogar na zona central) do lado do Benfica. O jogo teve um início frenético e logo aos 4 minutos a primeira grande oportunidade. Jogada de insistência dos leões, com Ruiz a cruzar para Slimani cabecear ao poste. Passados dois minutos, a resposta do Benfica e logo com um golo. Gaitán faz um passe longo da direita para a esquerda, Pizzi ao tentar controlar, deixa a bola para Mitroglou fuzilar. O golo trouxe alguma tranquilidade aos visitantes, que iam explorando algum espaço no flanco direito (Ruiz raramente acompanhou Sílvio). O Sporting ia assumindo o controlo territorial e tinha mais bola, mas estava a ter algumas dificuldades em furar a defesa encarnada. À passagem do minuto 31, Slimani quase chega ao golo, com Júlio César a socar a bola contra o argelino, mas a mesma saiu por cima. Pouco depois, “bomba” de Jefferson de fora da área e o guardião brasileiro do Benfica a corresponder com uma bela defesa. Quando parecia que se ia chegar ao intervalo com 0-1, eis que surge o golo do empate. Júlio César tem uma saída despropositada, Slimani coloca a bola dentro de área e Adrien, com tempo e espaço, a conseguir evitar a barreira de jogadores do Benfica e a fazer balançar as redes. Para a 2.ª parte Jorge Jesus lançou Gelson para o lugar de Montero e os leões entraram melhor, pressionando mais à frente e com Slimani a castigar a defesa encarnada com a sua capacidade física e espírito de luta. No entanto, a formação da casa não conseguiu materializar esse domínio em ocasiões de golo e foi quebrando um pouco fisicamente. No minuto 62, lançamento em profundidade, Guedes não consegue aproveitar e na sequência Gaitán, quando tinha tudo para fazer o golo, preferiu tentar “sacar” um penalti (levou amarelo por simuação). Com André Almeida já em campo, Talisca adiantou-se no terreno e foram dele (já depois do minuto 65) os primeiros remates dos forasteiros depois do golo. Eliseu ainda testou Rui Patrício com um tiraço de fora da área, mas com o aproximar do fim do encontro, deu a entender que o Benfica estava contente com a ida para prolongamento. O Sporting aproveitou o recuo no terreno dos encarnados e fez um forcing final para chegar à vitória, conseguindo várias oportunidades. Primeiro foi Slimani, após vários ressaltos, a rematar já dentro de área, mas Júlio César opôs-se com uma grande defesa. No minuto 89, erro de Sílvio, que resultou numa bela jogada de envolvimento leonino, mas com o avançado argelino a não ser feliz novamente. Já nos descontos, Luisão quase coloca a bola dentro da sua própria baliza após cruzamento de João Mário. O encontro seguia então para tempo extra e na primeira metade notou-se o desgaste físico de ambos os conjuntos. Os únicos momentos de interesse foram as substituições, Ewerton deu o lugar a Tobias e Raúl e Jonas a entrarem nos encarnados (para as saídas de Mitroglou e Guedes). A segunda metade seguiu a mesma toada, mas eis que surge o momento do encontro à passagem do minuto 112. Jogada pela direita, Jardel corta para o centro do terreno, onde surge Adrien a rematar para defesa de Júlio César para a frente e com Slimani a não perdoar na recarga. Samaris foi expulso na sequência do golo e até ao fim a única coisa que o Benfica fez foi despejar bolas na área, com Luisão a lesionar-se com alguma gravidade no braço, na sequência de um desses lances.

Sporting - Terceiro jogo frente ao eterno Rival esta época, terceira mostra de superioridade. Os homens de Jorge Jesus são superiores colectivamente e voltaram a evidenciar isso dentro das 4 linhas, dominando todo o encontro. Apesar da adversidade de um golo sofrido muito cedo, os Leões não se intimidaram e fizeram-se donos e senhores dos acontecimentos (o golo só pecou por tardio, dado o domínio evidenciado, sobretudo no segundo tempo). Individualmente, Rui Patrício não teve reflexos para evitar o primeiro golo mas respondeu bem a remates de Eliseu e Gaitán, ao passo que Ewerton, até se lesionar, esteve a um nível muito alto, quer com cortes de classe quer acrescentando qualidade com bola. João Pereira esteve muito activo, nem sempre definindo bem mas tentando dar profundidade pelo seu flanco. No meio-campo, William deu a sua qualidade na posse, ao passo que Adrien não só contribuiu para a pressão verde e branca como ainda fica ligado aos dois golos, no primeiro com uma excelente finalização e no segundo disparando uma bomba que Júlio César não conseguiu agarrar. João Mário fez um jogo excepcional, sobretudo a partir da segunda parte. O médio Português esteve impecável na posse (enorme qualidade de passe), na tomada de decisão e mesmo no transporte, sendo crucial para empurrar o Benfica para a sua área. Ruiz foi alternando momentos de qualidade com outros em que pouco se notou, sendo que Montero esteve demasiado apagado, saindo ao intervalo. Já Slimani voltou a ser herói, marcando o golo do triunfo depois de ter desperdiçado oportunidades que teriam evitado o prolongamento. Além do golo marcado (e da contribuição para o tento de Adrien), o Argelino fartou-se de, quase sozinho, batalhar e desgastar a defesa Encarnada. Finalmente, Gelson, que substituiu Montero ao intervalo (o que fez com que João Mário ocupasse uma zona mais central) agitou a partida, não definindo sempre bem mas destabilizando o lado esquerdo da defesa dos visitantes, acabando por ser ficar ligado ao segundo golo.

Benfica - A Taça já era, a Supertaça já foi e o campeonato está complicado. A tudo isto se junta um futebol anárquico, onde é visível a pouca organização e falta de ideias. E isto em Novembro começa a ser grave e tira espaço de manobra a Rui Vitória. A Champions poderá ajudar, mas esta inércia e estes desaires contra o grande rival vão certamente pesar, ainda por cima esta nova derrota num dérbi, ocorre num jogo em que a diferença entre as equipas foi mais evidente, o que desgasta ainda mais o trabalho (ou falta dele) de RV. Os encarnados raras vezes conseguiram circular a bola com qualidade e perto da baliza de Rui Patrício, e nem o golo inicial libertou a equipa. Individualmente, Júlio César, falhou no primeiro golo (saída sem sentido) mas foi adiando o segundo, foi dos poucos destaques positivos, sendo que Eliseu sentiu dificuldades perante quem lhe foi aparecendo pela frente e ainda deixou Slimani em jogo no 2-1. Jardel também teve muitas dificuldades com Slimani. O meio-campo nunca conseguiu fazer posse (Pizzi foi engolido pelos Leões, e Talisca, uma vez mais não justificou a aposta). Gonçalo Guedes também não contrariou o marasmo ofensivo da equipa, sendo que Gaitán, não tendo estado brilhante, voltou a ser o único com ideias diferentes. Já Mitroglou foi eficaz na única oportunidade de que dispôs (mas esteve quase sempre numa ilha).

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