Bis de Jiménez atenua crise; Benfica esteve a perder por 2-0 mas, mesmo sem deslumbrar, está praticamente apurado; Renato foi dos poucos destaques positivos (o jovem de 18 anos impressionou pelo seu transporte de bola); Defesa sofreu com o futebol directo e velocidade do Astana (Lisandro esteve infeliz)

Astana 2-2 Benfica (Twumasi 19' e Aničić 31'; Jiménez 41' e 73')

O Benfica provavelmente até vai festejar a passagem durante a viagem (basta o Galatasaray não vencer em Madrid) e tem tudo para passar em 1.º no grupo C da Champions, mas não foi a resposta que se esperava depois da derrota no dérbi (ainda para mais perante um adversário afoito, que sai da competição sem perder em casa, mas muito acessível). A exibição foi fraca, até ao 1-2 algo sofrida, e o empate aparece numa fase em que as águias pouco tinham feito por isso. Salvou-se o resultado, um empate a 2 no sintético do Astana, que ajuda a atenuar a crise e valoriza o bis de Jiménez (o 1.º golo foi um tiraço de cabeça) e essencialmente a estreia a titular de Renato Sanches. O médio, que como se esperava foi aposta de Vitória (o treinador das águias, talvez com o intuito de agradar aos adeptos quer agarrar-se ao argumento que apostou na formação, algo que os sócios há muito pediam, para atenuar eventuais maus resultados), destacou-se pelo seu transporte de bola, e nunca acusou o facto de estar a exibir-se na Liga dos Campeões com apenas 18 anos. 

Quanto à partida, Rui Vitória apostou em Renato Sanches (também Lisandro e Jonas entraram no onze face às lesões de  Luisão e Gaitán). No início de jogo a bola andou longe das balizas, com nota de destaque apenas para  um lance de Gonçalo Guedes em que o jovem recebe de Renato e remata com a bola a ser desviada mas a passar perto da baliza Cazaque. Até que o Astana começou a imprimir o seu futebol directo, mas jogado por elementos muito rápidos na frente, que criavam dificuldades ao Benfica. Assim, e já depois de Twumasi  ter desperdiçado em boa posição, uma perda de bola de Raúl Jiménez levou a uma saída rápida dos locais, com Kabananga  a cruzar na esquerda para o golo inaugural de Twumasi aos 19 minutos. Pouco depois, aos 31', o Astana ampliou a vantagem: livre de Foxi e Anicic, solto na cara de Júlio César, faz o 2-0. O Benfica reagiu com um remate de esquerdo de Pizzi que Eric defendeu bem, tendo os Encarnados reduzido mesmo aos 40', com Jonas a cair na direita e a cruzar para Raúl Jiménez aparecer ao primeiro poste a cabecear muito bem para o golo. O segundo tempo iniciou-se com a equipa de Rui Vitória a procurar o empate, mas Guedes, após excelente jogada de Sanches, não conseguiu bater Eric. A fechar os primeiros 15 minutos iniciais, foi Jonas, a cruzamento de Guedes, a rematar pouco desviado. Mas o Astana continuava a criar dificuldades e num lance confuso a bola acaba por ir na direcção da baliza dos Portugueses, obrigando Júlio César a evitar o terceiro. A meio da segunda parte o Benfica não conseguia criar perigo e, já com Talisca e André Almeida em campo (Sílvio saiu lesionado), Kabananga aproveitou uma perda de bola para, já dentro da área, rematar cruzado, com Júlio César a manter, uma vez mais, o Benfica no jogo. No entanto, e sem ter feito muito para isso nos minutos anteriores, o Benfica empatou aos 72', com André Almeida, após bom envolvimento colectivo, a cruzar para Jiménez bisar. Até final, pouco sucedeu, não se alterando o 2-2.

Destaques:

Benfica - Não foi desta que os homens de Rui Vitória deixaram uma imagem convincente, aliás está foi mais uma partida que deu razão aos críticos. Defensivamente, os Encarnados permitiram que um conjunto de pouco gabarito criasse uma mão-cheia de situações de perigo, sentindo depois muitas dificuldades para fazer uma posse de qualidade e criar oportunidades. Mas a verdade é que o apuramento está praticamente garantido, e o primeiro lugar é uma hipótese bastante forte, o que não deixa de dar alguma margem a Vitória. Individualmente, Júlio César não teve culpas nos golos e evitou por duas vezes o terceiro, sendo que Lisandro não deu a segurança exigida (veremos como responde nos próximos jogos), ao passo que Sílvio somou a enésima lesão. O jovem Renato Sanches, apesar de alguns passes errados, foi um dos melhores, não acusando a pressão, dando-se ao jogo e mostrando excelente capacidade ao nível do transporte. Pizzi também esteve bem na circulação, sendo que Jonas praticamente só se viu nos golos. Já Raúl Jiménez finalmente correspondeu à aposta do técnico, com dois golos de ponta-de-lança, sobretudo o primeiro, num excelente gesto técnico.

Astana - Uma primeira prestação na Champions League com nota positiva, com os Cazaques a não perderem qualquer partida no seu reduto. Um conjunto bem organizado, com um futebol muito directo que conta com homens na frente que mesclam força, técnica e velocidade. Com efeito, o capitão Foxi trata muito bem a bola, tendo feito a assistência para o segundo golo, o ponta-de-lança Kabananga impressiona pela sua força, fixando os defesas rivais, tendo ainda tido capacidade para cair na ala e cruzar para o golo de Twumasi, uma autêntica bala. Destaque ainda para o guardião Eric, que mostrou segurança e qualidade dentro e fora dos postes.

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