Benfica também sorri; Pizzi e Mitroglou inventaram o 1-0; Lisandro ampliou; Sp. Braga teve várias oportunidades mas não ultrapassou a barra e Júlio César; Rui Vitória sentou Jonas e apostou na dupla Fejsa-Sanches; Alan voltou a estar em destaque mas houve pouco Rafa

Sp. Braga 0-2 Benfica (Kritsyuk 3' p.b.; Lisandro 11')

A sorte protegeu os "grandes" nesta jornada. Num encontro intenso, com vários lances ofensivos, o Benfica acabou por ser mais eficaz e saiu com os 3 pontos de Braga. Resultado que além de permitir a ultrapassagem das águias ao rival poderá servir de trampolim, já que vão entrar numa fase com jogos mais acessíveis para a Liga, mas que penaliza bastante o futebol positivo do conjunto de Fonseca, que fez mais do que suficiente para conseguir pelo menos o empate: acertou três vezes na barra e ainda viu Júlio César a evitar o golo com defesas incríveis. Mitroglou brilhou no 1.º golo, com uma excelente jogada (Pizzi também deu uma boa sequência), mas voltou a ser a presença de Renato Sanches a dar outra intensidade ao futebol dos encarnados, num jogo em que Rui Vitória apostou em Fejsa e adoptou uma táctica semelhante à partida de Alvalade, só com um avançado, tendo deixado Jonas no banco. Do lado dos gverreiros, o veterano Alan esteve novamente em destaque (o elemento que acrescentou mais qualidade no momento com bola), já Rafa foi anulado por André Almeida, o que se fez sentir no momento ofensivo. A dupla de avançados, Stojiljkovic-Hassan (não é todos os dias que alguém coloca 2 verdadeiros pontas-de-lanças, de inicio, contra um grande), incomodou mas não foi propriamente feliz na finalização. No meio campo Filipe Augusto (muita qualidade técnica) entrou aos 60 minutos para voltar a colocar o Braga por cima do jogo, mas o resultado não se alterou.

Quanto ao encontro, teve duas partes distintas. A 1.ª mais frenética e a 2.ª, apesar do maior domínio do Sp. Braga, mais lenta, onde se verificou algum desgaste das duas equipas. Já o inicio foi de loucos, com Hassan a desperdiçar logo no primeiro minuto uma boa situação. Na resposta, o Benfica chegou ao golo. Bela jogada de Mitroglou, impondo o seu físico e assistindo de calcanhar Pizzi, que remata para corte de Baiano em cima da linha, com a bola depois a bater nas costas de Kritciuk e a entrar. Os homens da casa não demoraram a responder e dois minutos depois Alan pôs à prova Júlio César, na execução de um livre. Jogava-se a um ritmo frenético e o Benfica voltou a estar perto do golo. Livre de Pizzi, com a bola a rasar o poste (ainda sofreu um desvio na barreira). No entanto, o segundo viria mesmo a surgir no minuto 11. Canto da esquerda, Jardel ganha nas alturas e Lisandro López, à matador, não perdoou. Os visitados não baixaram os braços e pouco depois dispuseram de uma ocasião flagrante. Hassan cabeceia ao poste e na recarga Rafa remate para defesa incrível de Júlio César. No entanto, os visitantes começaram a conseguir ganhar muitas bolas no meio campo e, numa dessa situações, Mitroglou rematou para defesa do guardião bracarense, após uma transição rápida. À passagem da meia hora, nova situação de golo, com Boly a cabecear e a bola a bater na parte de cima da barra. Até ao intervalo, os gverreiros instalaram-se no meio campo dos encarnados, que apostaram em levar a vantagem de dois golos para o intervalo. O início do 2.º tempo foi semelhante ao do 1º, com ambos os conjuntos a terem oportunidades para marcar. Primeiro foi Ricardo Ferreira que, após um canto, atirou fraco à figura de Júlio César, quando se encontrava em excelente posição. Na resposta, Nico Gaitán dispara à barra na cobrança de um livre. A partir desse lance só deu Braga, com a equipa da casa a conseguir empurrar os encarnados para o seu último reduto (por vezes recuaram em demasia). No minuto 68, mais um grande momento. Livre em zona frontal e Filipe Augusto a acertar na barra. No entanto, o Benfica conseguiu aguentar essa pressão da formação da casa e aos poucos foi gerindo com mais tranquilidade e tendo um pouco mais de bola. Até ao fim, poucos motivos de destaque, à excepção de um remate forte de Jonas bem defendido por Kritciuk e de mais uma bela intervenção de Júlio César após remate de Filipe Augusto de fora da área.

Sp. Braga - Os minhotos afastam-se um pouco do topo da tabela, num encontro em que os 12 minutos iniciais foram fatais. Em desvantagem, a equipa (que até teve a 1.ª oportunidade por Hassan e aos 15 já tinha desperdiçado mais uma flagrante) tentou recompor-se e assumir o jogo, tendo dominado quase sempre a partida e criado oportunidades suficientes para marcar, mas a barra e a boa exibição de Júlio César não permitiram outro resultado. Individualmente, Kritciuk foi infeliz no primeiro golo e nada podia fazer no segundo, tendo depois sido pouco testado (uma boa defesa a remate de Mitroglu e outra a disparo de Jonas), enquanto que, na defesa, Boly teve algumas dificuldades na saída de bola e Djavan não desequilibrou no ataque como é habitual. No meio-campo, Felipe Augusto, quando entrou, mostrou muito maior qualidade na circulação do que Mauro, sendo que Rafa teve uma exibição cinzenta, ao contrário de Alan (muita qualidade na decisão). Na dupla ofensiva, Hassan esteve melhor que Stojlikovic (o Egípcio tem mais cultura de movimentos e qualidade técnica), tendo cabeceado ao poste, num lance que poderia ter alterado o desfecho da partida.

Benfica - Vitória muito importante num campo onde na Era Jorge Jesus costumava ter muitas dificuldades (um desaire começaria a complicar muito a questão do título). Um início fulgurante, altamente eficaz, acabou por ditar o resultado, limitando-se depois a equipa a defender durante largos minutos, com nota positiva para a forma como o jogo interior do Braga foi, muitas vezes, condicionado. Júlio César foi decisivo, nomeadamente com uma defesa do outro mundo a um remate de Rafa, enquanto André Almeida lidou bastante bem com Rafa. A dupla de centrais construiu um golo e saiu quase sempre a ganhar no duelo com a dupla de avançados rivais pelo ar, apesar de ter tido algumas dificuldades com as movimentações de Hassan.  No meio campo, Pizzi esteve em particular evidência, tanto no momento com bola, como na colaboração defensiva. Na frente, Mitroglou lutou muito e tem papel decisivo no tento inaugural, com um belo pormenor técnico. Já Guedes e Gaitán apareceram menos que é habitual.

Renato Sanches - Voltou a justificar a aposta. Forte na pressão e com critério com bola, tanto ao nível do passe como no transporte. O jovem médio acrescentou intensidade ao meio campo encarnado e se continuar assim dificilmente sai do 11 nos próximos tempos. Algo que não surpreende, fica a dúvida é que tipo de salvação RV viu no médio: o 8 que pode transformar o futebol da equipa; ou apenas mais um jovem para dizer que apostou na formação. A verdade é que independentemente do timing a aposta, como se esperava está a resultar. 

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