Benfica já "cheira" oitavos-de-final

Benfica 2-1 Galatasaray (Jonas 52' e Luisão 67'; Podolski 58')

Bolas paradas resolveram, mas Muslera evitou um resultado mais expressivo naquela que foi a melhor exibição das águias esta época. Um Benfica muito superior derrotou o Galatasaray (2-1) e ficou com pé e meio nos oitavos-de-final da Champions. Os encarnados agora líderes isolados do grupo C com 9 pontos e já com pelo menos o 3.º lugar garantido só precisam de vencer no Cazaquistão para garantir a passagem ou então que o conjunto turco (apenas com 4 pontos) não derrote o Atlético (que tem 7). Vitória justa, que até peca por escassa, apesar do sofrimento final, com o Gala, que praticamente só de limitou a baixar o ritmo do jogo, a falhar o 2-2 de maneira escandalosa nos descontos, num encontro em que Jonas se estreou a marcar pelas águias na Champions, e que teve uma dupla Talisca-Almeida no meio campo a dar uma boa resposta; Gaitán, para não fugir à regra, também esteve em evidência, mas acabou expulso e sem igualar o recorde dos 4 golos consecutivos em jogos da Liga dos Campeões de José Torres; O sector defensivo esteve quase intransponível, sendo que os centrais ainda fizeram a diferença na frente, já Jiménez pecou na finalização apesar de ter estado no lance do 2-1. 

Quanto à partida, começou logo com Gaitán a brilhar. Logo aos 3 minutos 1.º finta Denayer e, já dentro da área, deixa Selçuk İnan de fora do lance com um pormenor à Zidane mas o remate sai mal. Pouco depois numa má reposição de Muslera, o argentino desmarca Jiménez mas o remate do mexicano é travado pelo guardião do Galatasaray, na recarga Nico volta a rematar torto. O Benfica ia dominando, como o fez nos primeiros 85 minutos e em duas transições Gaitán voltou a estar em destaque, mas o último passe sai mal e tanto Jonas, na 1.ª situação, como Guedes, não conseguem receber de maneira a finalizarem, e o intervalo chegou sem golos, algo que aconteceu logo a abrir a 2.ª parte. Numa bola parada, Jardel ganha de cabeça ao 2.º poste, Luisão ainda falha mas aparece Jonas dentro da pequena área para fazer o 1-0. Mas o Benfica esteve pouco tempo em vantagem, já que passado 6 minutos, e praticamente na 1.ª vez que apareceu no jogo, Podolski apanha uma bola na área do Benfica e remata de pronto para o fundo da baliza. O clube da Luz no entanto não acusou o empate, foi à procura do golo e depois de 2 remates à entrada da área, 1.º por Jiménez e depois por Talisca, chegou mesmo ao 2-1. Num canto, Jiménez ganha a bola ao 1.º poste e opta para cruzar para Luisão que sem marcação rematou colocado para o fundo da baliza de Muslera. O Benfica ia continuando por cima, e com Gaitán em destaque. Primeiro testou Muslera num livre, depois numa transição entrou na área arrastou a defesa do Gala e de calcanhar deixou Jimenez na cara do golo mas o mexicano rematou para defesa de Muslera, o problema é que na jogada a seguir foi expulso ao evitar uma transição do Gala, o que permitiu aos turcos entrar no jogo nos últimos 10 minutos. Mesmo assim, em duas transições voltou a ser o Benfica a criar perigo. Até que nos descontos o Gala desperdiça o empate de forma incrível. Julio César evita o golo de Umut Bulut a bola sobra para Yasin Öztekin que, com a baliza escancarada, chuta por cima.

Benfica - Na mais completa exibição da temporada, os encarnados pecaram pela ineficácia ofensiva e quase pagaram por isso no período de descontos, isto depois de um intenso domínio, e já após a expulsão de Gaitan (que vira um amarelo desnecessário após um lance na primeira parte). A exibição convincente e a mais que provável passagem à fase seguinte da competição (certamente um trunfo a jogar na guerra mantida entre a "estrutura" e Jorge Jesus) dá outro capital de confiança a Rui Vitória. A troca de flanco entre os dois extremos resultou em pleno, com ambos a usarem espaços interiores ao invés de se limitarem a explorarem a linha e cruzarem, e Jonas a posicionar-se muitas vezes como uma espécie de "10". Se em jogo corrido a eficácia foi nula, as bolas paradas mostraram-se fundamentais, com a presença dos centrais a fazer-se sentir. A defesa é que voltou a mostrar algumas dificuldades, nomeadamente na zona central, atenuadas pelo facto do Galatasaray optar por atacar com poucos, e devagar. Individualmente, destaque para Luisão, que marcou o golo decisivo e deu outro a marcar, e Jardel, que teve papel importante no primeiro golo e usou o físico para secar Yilmaz. Almeida e Talisca não comprometeram, beneficiando também do pouco trabalho defensivo que tiveram, enquanto que Jonas limpou a imagem de "ausência" neste tipo de jogos, com um jogo bem conseguido. Gaitan esteve em alguns dos melhores momentos, mas até terá sido Guedes o melhor jogador da equipa; juntando excelentes movimentos ofensivos a recuperações de bola e compensações em zonas recuadas. Jimenez foi lutador e ajudou na defesa, mas revelou-se demasiado perdulário na frente.

Galatasaray - Estranha atitude dos turcos que, atrasados na classificação, optaram sempre por manter um ritmo de jogo baixo, mesmo tendo bola, e nunca arriscaram, excepto quando em desvantagem no marcador. Na primeira parte ainda pressionaram a campo inteiro, nunca tirando partido das recuperações de bola (demasiada preocupação em passar sempre o esférico por Sneijder), mas na segunda remeteram-se por completo ao último terço. No último assomo procuraram a sorte, mas seria prémio demasiado para quem nunca quis vencer, e apenas se manteve na discussão do resultado devido a um super-Muslera, que foi apanhando tudo o que era possível. A defesa voltou a mostrar fragilidades, exponenciadas nos dois golos, em que a atrapalhação e falta de reacção foram bem visíveis. As estrelas da companhia estiveram ausentes; Yilmaz pouco mais fez que batalhar na frente, Podolski apenas se viu no golo, e Sneijder nunca conseguiu meter passes de ruptura, limitando-se à posse e mudanças de flanco. Muito pouco Gala, que agora se limitará a discutir com o Astana a repescagem à Liga Europa.

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