Barcelona nem precisou de Messi para humilhar um paupérrimo Real; Neymar (novamente ao nível de Bola de Ouro) e Suárez fizeram a diferença; Iniesta (que espalhou magia) juntou um golaço a uma super-exibição; Danilo (atropelado por Neymar), Varane (fartou-se de acumular erros) e Ramos (ao nível habitual frente aos catalães) desastrados; Ronaldo (que foi assobiado pelos próprios adeptos) desperdiçou a melhor oportunidade dos merengues

Real Madrid 0-4 Barcelona (Suárez 11' e 74', Neymar 39' e Iniesta 53')

Tudo demasiado fácil para os catalães. O Barcelona venceu o 'El Clásico' com uma superioridade que não devia ser normal e consolidou ainda mais a liderança a La Liga (já tem mais 6 pontos que o rival). Uma goleada clara (4-0) na casa do Real que até podia ter sido mais expressiva. Na 1.ª parte frente a um conjunto merengue que não existiu e foi uma auto-estrada na defesa, os catalães tiveram mais duas oportunidades claras (sem contar com os lances dos golos), e no 2.º tempo Suárez também teve tudo para ampliar. Num jogo em que até deu para Messi (que esteve igualmente perto de marcar e fez mais em 30 minutos que o trio do Real) só entrar quando o resultado estava nos 3-0, e que evidenciou a enorme qualidade de Iniesta, que encheu o campo com a sua qualidade técnica. Neymar também esteve em grande e voltou a ganhar pontos para a Bola de Ouro, Suárez foi o rei dos golos com um bis apesar de ter desperdiçado alguns lances claros. Exibições que contrastaram com a nulidade que foi o ataque merengue, que quando apareceu foi sempre inferior a Bravo (3/4 defesas de grande nível): Ronaldo (que mal se viu e acabou o jogo a ser assobiado pelos seus adeptos) isolado desperdiçou uma oportunidade clara; Benzema, James e Bale também só conseguiram desequilibrar a espaços, sendo que a BBC (com a passividade defensiva que os caracteriza) contribuiu muito para a facilidade que o Barça teve em ter bola.

Quanto ao encontro, este viu os visitantes inaugurarem o marcador logo aos 10 minutos: longa troca de bola, que, após muitos passes, chega a Sergi Roberto, tendo este aproveitado a passividade dos locais para conduzir até à entrada da área e a servir Suàrez, que finalizou com qualidade junto ao poste direito de Keylor Navas. O tento inicial deixou os Blancos atónitos, limitando-se estes a verem o Barça trocar a bola, com os jogadores a refilar uns com os outros, sem capacidade de ter a bola (muito nervosismo e passes erados) e com o público a colocar-se muito cedo contra a sua equipa. Aos 25’, Sergi Roberto (que recebia muitas vezes isolado, aparecendo entre-linhas) rematou por cima em boa posição, até que, perante a superioridade Culé, o segundo golo acabou por surgir de forma natural aos 39’, com Iniesta, em novo lance em que a equipa de Benítez limitou-se a ver jogar, a isolar Neymar que rematou para o fundo das redes. Em cima do intervalo, a tragédia esteve quase a ser ainda maior para a equipa da capital, com Neymar a fintar Danilo, a tabelar com Suàrez e a oferecer o golo ao Uruguaio, tendo Marcelo salvado em cima da linha (Rakitic depois também não conseguiu marcar). O descanso chegou logo depois, com todo o estádio a assobiar a sua equipa e a gritar “Florentino Dimisíon”. A segunda parte principiou com  uma boa chance para o Real, com Marcelo a avançar pela banda esquerda, a passar por Alves e Piqué mas a rematar à malha lateral. Mas foi sol de pouca dura, já que os Catalães voltaram a tomar o comando dos acontecimentos, e aos 53’ fizeram o terceiro, num golo monumental de Iniesta, que fuzilou Navas depois de passe de calcanhar de Neymar. Assistia-se a um banho histórico, com o Real Madrid ajoelhado face à superioridade do rival, que ia acumulando situações de perigo. Já com Messi em campo, Cristiano Ronaldo esteve perto do golo foi aos 67’, numa bela acção de Bale, que isola o Português que, na cara de Bravo, não conseguiu bater o Chileno, antes de nova ocasião para os visitantes, com Suàrez a desperdiçar. Mas o quarto golo era inevitável e chegou aos 74’, com o Uruguaio a aproveitar a desorganização Merengue para, isolado, picar sobre Keylor. Na parte final, ainda houve algumas acções de possível golo, quer para o Real (Bravo respondeu muito bem face a Ronaldo) quer para o Barça (Munir desperdiçou), sendo que Isco ainda foi expulso, mas o histórico resultado não mais se alterou.

Real Madrid - Uma das maiores humilhações da história recente dos Merengues. Uma derrota histórica, que deixa feridas cujo alcance é difícil de prever. Desde logo, sob o ponto de vista matemático, a liga complica-se muito para a equipa da capital, já que 6 pontos na La Liga são bastantes, sobretudo perante a um Barça que já jogou no Bernabéu, no Calderón, em Sevilha, em Bilbao ou em Vigo e que não tem contado com Messi. A equipa foi um desastre em toda a linha, sem capacidade para pressionar, para circular a bola ou sequer para conseguir proteger a sua baliza. Individualmente, Danilo foi uma passadeira para Neymar, sendo que a dupla Varane - Ramos também teve uma noite de pesadelo, não só a defender com com bola (demasiados passes falhados, sendo que a falta de referências na saída também não ajuda). No meio-campo, Modric e Kroos nem se viram, tal como Bale (apenas uma jogada) ou Benzema. Já Cristiano Ronaldo fez outra exibição pobre, vendo o seu público apontar-lhe o dedo e observando como Suàrez e Neymar continuam a ganhar protagonismo rumo ao pódio da bola de Ouro.

Barcelona - Uma exibição tremenda, que pode não só valer uma Liga mas que tem ainda o condão de ferir o eterno rival de forma muito profunda, a qual tem ainda mais mérito por ter sido forjada, em grande parte, sem Messi. Os Culés conseguem a terceira goleada histórica em 6 anos (depois do 2-6 e do 5-0), numa partida recheada de destaques individuais. Bravo conseguiu manter a baliza a zero com várias defesas de excelente nível, sendo que Dani Alves mostrou porque é um dos 3 melhores laterais da última década (grande jogo), tendo toda a defesa estado em especial destaque na saída de bola (bem como Busquets). Quanto a Iniesta, o seu encontro é simplesmente um recital de futebol de um futebolista marcante que já ganhou um lugar na história. O Manchego espalhou classe e técnica, esteve em todo o lado, assistiu para o segundo e rompeu as redes no terceiro. Sergi Roberto também esteve muito bem, ajudando a tapar Marcelo e baralhando os Merengues com a sua mobilidade no ataque e, na frente, Neymar liderou de novo os Blaugrana, com um futebol vertiginoso que feriu inúmeras vezes o Real (e um golo) e Suàrez não só bisou como condicionou imenso a saída de bola rival, nem havendo a necessidade de que Messi fizesse a diferença quando entrou.

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