Aboubakar tanto tentou que conseguiu; Layún valeu ouro; Lopetegui deixou "38,5 ME" no banco

Imagem: Agência Lusa
FC Porto 2-0 Vit. Setúbal (Aboubakar 70' e Layún 83')

Vinha de uma série de apenas 1 golo nos últimos 8 jogos mas desta vez resolveu. O FC Porto, com um golo de Aboubakar, cumpriu frente ao Vit. Setúbal (2-0) colocando assim pressão no Sporting. O avançado dos Camarões, à semelhança do jogo diante do Maccabi, voltou a estar muito em foco - teve 3 excelentes lances na 1.ª parte - mas desta vez conseguiu mesmo quebrar o enguiço e desbloqueou um encontro que estava a complicar-se, apesar do claro domínio portista (os últimos 20 minutos da 1.ª parte foram um sufoco para o Vitória). Layún, com uma assistência e um golo, também esteve novamente em destaque (começa a ser cada vez mais preponderante), numa partida em que Lopetegui sentou os milionários Imbula (20 ME), Corona (10,5 ME) e Herrera (8 ME).

Quanto ao encontro, o Vit. Setúbal entrou a jogar no campo todo, a procurar fazer circular e sempre a pressionar alto, e o FC Porto acusou essa postura, mas aos 20 minutos Tello tem a 1.ª ameaça, num lance em que Brahimi entra na área e assiste o espanhol, que em boa posição atira por cima e a partir daí o jogo muda. Aboubakar começa a aparecer, e primeiro numa cabeçada, na sequência de uma bola parada, depois isolado por Maxi com Raeder a negar-lhe o golo, e a seguir com uma grande jogada individual em que parte da direita, vai passando por vários jogadores mas quando se enquadra com a baliza remata um pouco ao lado, fica perto do golo. Só dava FC Porto, mas o golo não aparecia, e apesar de Marcano e Layún (com um belo remate) também terem ficado perto de marcar, o nulo não se desfez. Ao intervalo Lopetegui colocou André André no lugar do amarelado Neves, mas o ritmo baixou. Nos primeiros 20 minutos houve pouco FC Porto, a excepção foi um remate de Brahimi, e Lopetegui opta por tirar Evandro e colocar Osvaldo, o que acabou por resultar. Já que num cruzamento de Layún, Aboubakar aparece sozinho na área (Semedo num 1 para 2) e cabeceia para o 1-0. A perder o Vit. Setúbal ainda tentou uma reacção mas nunca testou verdadeiramente Casillas, e pouco depois o FC Porto "matou o jogo". Numa jogada parecida à de Israel, Maxi ganha a linha de fundo, passa para trás e aparece Layún, com o pé direito para fazer o 2-0.

FC Porto - Lopetegui voltou a surpreender com um meio-campo inédito no campeonato, lançando Danilo e Rúben Neves num duplo-pivot, com Evandro a soltar-se no apoio a Aboubakar. A equipa, mesmo sem criar muito volume de jogo, foi tendo as suas oportunidades, na maior parte das vezes em transição ou apanhando a equipa do Setúbal desorganizada fruto da pressão alta do conjunto de Quim Machado. No 1.º tempo Layún e Maxi foram quase sempre extremos, ocupando muitas das vezes o corredor central (mais o Mexicano por força do seu melhor pé), sendo que os lances de perigo aconteceram quase sempre por iniciativa dos laterais. Ainda assim, e face ao desperdício em frente à baliza, Lopetegui operou de imediato a entrada de André André (viria a substituir o amarelado Rúben Neves) e, mais tarde, de Osvaldo que veio dar uma presença na área que faltara nos primeiros 45 minutos. Nesse sentido, os Dragões foram sendo cada vez mais acutilantes, forçando a entrada na área do Setúbal e o golo surgiu com naturalidade numa situação de superioridade numérica na área. Individualmente, nota para Indi que fez uma das melhores exibições neste Porto (interceptou várias lances de perigo), Aboubakar (Dá imenso ao jogo, apesar de continuar a falhar na finalização) e Layún que veio resolver um problema na lateral esquerda.

Vit. Setúbal - Chegou ao Dragão com o estatuto de equipa revelação (vinha de uma sequência de 3 jogos sem sofrer golos, sendo um dos dos melhores ataques da liga) e não defraudou as expectativas. A equipa de Quim Machado apresentou-se personalizada, com vários elementos a pressionar a 1.ª fase de construção do Porto, colocando frequentemente 5, 6 unidades nessa tarefa. A última linha estava maioritariamente perto do meio-campo, algo que foi facilitando o aproveitamento da profundidade por parte da equipa da casa (Na 2.ª parte assistimos a um jogo diferente, com o Porto a obrigar o Setúbal a ficar circunscrito ao seu meio campo). Aboubakar teve algumas chances na sequência desses momentos do jogo, acontecendo o mesmo com Tello (o Espanhol rende mais com espaço), ainda que não tivesse aproveitando para finalizar (o Camaronês teve algumas perdidas, não sendo de descartar o mérito de Raeder). A título individual, destaque para André Horta pela forma como conseguiu transportar a bola a partir de zonas delicadas e para Rúben Semedo, sempre concentrado a interceptar várias iniciativas de Aboubakar, sendo claramente a melhor unidade dos Sadinos (ficou numa posição de inferioridade numérica no 1.º golo do Porto).

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