A fase em que as senhoras ficam a ver Grey´s Anatomy enquanto os maridos vibram com o "Football"

Foxborough, 10 de Setembro de 2015. Inicia-se a época de “Football” ou futebol americano para os europeus. A partir de agora, todas as quintas, domingos e segundas-feiras são dias de culto, onde o consumo de “chips”, “Bud” e “fast-food” disparam, onde as grandes marcas salivam por um anúncio de 30 segundos, e onde as senhoras convidam as amigas para uma noite de Grey´s Anatomy enquanto os seus maridos berram a cada touchdown e fazem todo o tipo de danças pouco usuais de festejo. Bem vindos, à NFL!

Chegados à semana 9, que marca precisamente o meio da temporada regular, pode-se desde já fazer uma análise ao que tem sido esta época no futebol americano:
Os Invencíveis: Época vem, época vai, e os New England Patriots (7 V 0 D) parecem não querer abrandar a sua coleção de títulos. Os campeões voltaram a ser o alvo de todo o falatório na off-season, mas a cada Spygate, ou DeflateGate que apareça isso só parece motivar os homens de Boston. Tom Brady que passou largos meses a ter que conviver com o rótulo de batoteiro por esvaziar umas bolas, veio melhor que nunca, mas não está sozinho, e quem tem o melhor treinador (Bill Belichik), o melhor Tight End (a máquina Rob Gronkowski), armas ofensivas do calibre de Edelman, La Fell ou o rato atómico Dion Lewis, e uma defesa que sabe ler e ajustar-se a qualquer adversário, têm que ser considerados os candidatos Nº1 à presença no SuperBowl 50.

Os Denver Broncos (7-0) são a ameaça mais clara aos Patriots na AFC. Defensivamente têm estado insuperáveis e lideram a NFL em quase todos os indicadores defensivos. Conhecidos pelo seu ímpeto defensivo e por equipas como a mítica Orange Crush, os Broncos têm aniquilado a concorrência, embora ofensivamente o seu QB Peyton Manning, esteja para a equipa um pouco como Luisão, ou John Terry estão para o Benfica ou Chelsea. Defensivamente, Brandon Marshall e Aqib Talib têm feito a diferença, enquanto Demaryius Thomas tem sido a principal arma ofensiva.

Ainda na AFC, os Cincinnati Bengals (7-0) têm sido uma espécie de meia surpresa. Os Bengals são uma equipa jovem e com um tremendo potencial, mas que por um motivo ou por outro ainda não tinham explodido. Nesta época o potencial passou a certeza. Andy Dalton está a comandar as tropas como nunca, e o tremendo poder ofensivo dos Bengals que têm à sua disposição armas como Giovani Bernard, AJ Green, Tyler Eifert ou Jeremy Hill tem feito mossa. Para já o registo está imaculado, os jogos têm sido espetaculares, mas quando começar a doer veremos se a inexperiência face a conjuntos como os Patriots ou os Broncos não se fará sentir.

Na NFC os únicos invictos são os Carolina Panthers (7-0). Á semelhança dos Bengals, os Panthers também são das equipas a quem sempre foi diagnosticado maior potencial, mas cujos resultados não faziam jus a isso mesmo. O seu QB, Cam Newton ou Superman como ele gosta de ser chamado, também não ajudava porque as suas tomadas de decisão sempre foram algo irracionais e mais viradas para o espetáculo do que para o resultado. Cam simplificou, a equipa moldou o seu jogo ao que sabe fazer melhor, o running game, o próprio calendário é favorável e Jonathan Stewart e Greg Olsen têm feito a diferença.

Menções Honrosas: Green Bay Packers (6-1), imaculados até esta semana, os Packers continuam a ser a melhor equipa da NFC. Aaron Rodgers consegue pôr até o Pato Donald a marcar touchdowns, Clinton Dix e Clay Matthews são autênticos monstros defensivos e mesmo com a linha ofensiva massacrada por lesões, os Packers continuam a ser o principal candidato a marcar presença na Califórnia em Fevereiro.

Minnesota Vikings (5-2), Arizona Cardinals (6-2) e Atlanta Falcons (6-2) são também equipas cujo score é altamente positivo e que podem baralhar as contas.

Os Wild Cards: Na AFC, os Pittsburgh Steelers (4-4) e os New York Jets (4-3) são os nomes a reter. Os Steelers jogam muito! O calendário não lhes foi favorável, mas os homens de Pittsburgh não vão abaixo sem dar luta. Mesmo sem Big Ben Roethlisberger afligido por muitas lesões, e com Michael Vick o seu substituto também lesionado os Steelers fazem das fraquezas forças e com o roster todo operacional são muito perigosos.

Já os verdes de Nova Iorque, trouxeram Todd Bowles para o banco (provavelmente o Coach do ano até à data), apostaram forte na free-agency com Darrelle Revis (ex- Patriots) para comandar a defesa à cabeça, com o Running Back Chris Ivory numa forma brutal e sem equívocos tipo Mark Sanchez ou Geno Smith a QB, os Jets estão em franco crescimento e na próxima época podem ser um caso sério.

Na NFC, os NY Giants (4-4), os New Orleans Saints (4-4) e os Seattle Seahawks (4-4) são os principais nomes para wild cards. Os Giants são daquelas equipas que num dia bom ganham a qualquer um, e num dia mau perdem seja contra quem for. No entanto a parceria entre Eli Manning e Odell Beckham Junior é das mais temíveis da NFL e ainda falta Victor Cruz… Os Saints começaram a época horrivelmente mas apanharam o jeito. Defensivamente os rapazes de Sean Peyton continuam a ser bad boys e quem tem Drew Brees arrisca-se a ganhar jogos. Os Seahawks estavam a ser uma das grandes desilusões da Liga. Má abordagem à free-agency, problemas com contratos (Russell Wilson está no último ano), muitos egos, algumas más decisões, e a Legion of Boom fora de forma (apesar de continuarem a ser das defesas mais temíveis). Mas apesar do mau início há um factor que tem feito a diferença. Após iniciar a época lesionado, o Beast Mode Marshawn Lynch está de volta…

As Desilusões: Baltimore Ravens (2-6), Dallas Cowboys (2-6), Chicago Bears (2-6), Detroit Lions (1-7), San Francisco 49’ers (2-6)

Os Ravens continuam a ter uma boa equipa. Joe Flacco continua a ser um bom QB, mas falta alma, e os homens de Baltimore, orfãos da liderança de Ray Lewis têm mostrado muito pouco. A equipa da América, os Cowboys são uma manta de retalhos. Desde uma abordagem ridícula à FA (perder DeMarco Murray para os Eagles foi um erro colossal) e com Tony Romo lesionado os Cowboys são das piores equipas da NFL. Sobre os Bears e sobre os Lions pouco há a dizer…são muito fraquinhos e precisam urgentemente de entrar em “rebuild mode”. O jogo entre estas duas equipas foi no mínimo…patético. Os 49’ers são a principal surpresa pela negativa. Mau treinador, más decisões, equipa à deriva, e Kaepernick em modo star mas sem o justificar em nada. Resultado, depois de Miami, o chicote deverá estalar em San Francisco e Kap vai começar na week 9 no banco.

Os Rookies: Até esta semana três nomes têm saltado para a ribalta. Amari Cooper (WR – Raiders) Hau Oli Kikawa (OLB – New Orleans Saints) e Todd Gurley (RB – Saint Louis Rams)

Se fosse hoje, o Running Back de Saint Louis levaria o prémio de rookie do ano. Não tanto pela consistência (nesse caso quer Cooper quer Kikawa têm tido números altos e constantes), mas sim pelo potencial e por 3 jogos absolutamente demolidores que já fez.

Os momentos e as novelas: O momento foi o fake punt dos Indianapolis Colts frente aos Patriots. Ainda ninguém conseguiu perceber qual era a intenção…mas os Patriots aproveitaram.

As novelas, têm sido os Eagles de Chip Kelly e as suas decisões em tudo ilógicas, e os muitos episódios (com vários desfechos) do Capitão Kirk (Cousins) o novo QB titular em Washington depois do novo treinador ter colocado RGIII no banco a ver jogar.

O Jogo: NY Giants 49 – 52 New Orleans Saints: O jogo desta semana entre os Giants e os Saints foi épico! Para isso muito contribuíram as 505 jardas e 7 passes para TD de Drew Brees, enquanto Eli Manning fez 350 jardas e 6 passes para TD.


Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Flávio Trindade

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